Como calcular e declarar o Imposto de Renda 2026 passo a passo (exemplos reais)

Como calcular e declarar o Imposto de Renda 2026 passo a passo (exemplos reais)

Publicado em29/01/2026

Tempo leitura12min 6s

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O IRPF 2026 (declaração do ano-calendário 2025) costuma ter o calendário oficial divulgado em meados de março. Por enquanto, a Receita Federal ainda não publicou oficialmente as datas, mas a expectativa do mercado é que o período de entrega comece em março, seguindo o padrão de anos anteriores. 

Enquanto isso, dá para adiantar o que mais importa: como calcular o imposto (no mês e no ano) e como declarar com menos risco de erro, usando as opções oficiais da Receita (programa, portal e declaração pré-preenchida).

Para entender todas as faixas, alíquotas, redutores e o contexto completo da regra, consulte também o nosso artigo principal da Tabela IRPF 2026.

Neste artigo você vai ver

1) Antes de começar: o que você precisa separar

O “cálculo certo” começa com documentação organizada. Antes de abrir o sistema da Receita, reúna:

  • Informes de rendimentos (empresas, INSS, bancos, corretoras e outras fontes pagadoras)
  • Comprovantes de deduções (principalmente saúde, previdência, dependentes e pensão, quando aplicável)
  • Dados de bens e direitos (imóveis, veículos, investimentos) e saldos relevantes
  • Comprovantes de rendas como aluguel, prestação de serviços, exterior (se houver)

Se você quiser entender conceitos e nomes de cada item (ex.: “rendimentos tributáveis”, “isentos”, “exclusivos na fonte”), vale consultar o Guia da Contabilidade.

2) Como calcular o IR mensal (IRRF / carnê-leão) em 2026

O imposto mensal pode aparecer de duas formas:

  • IRRF: imposto retido na fonte (ex.: CLT, aposentadoria, alguns pagamentos com retenção).
  • Carnê-leão: recolhimento mensal obrigatório em situações específicas (ex.: rendimentos recebidos de pessoas físicas, aluguel, exterior, quando aplicável).

O cálculo mensal segue esta lógica:

  1. Encontre a base de cálculo: renda tributável do mês menos deduções permitidas (quando aplicáveis).
  2. Aplique a tabela progressiva mensal (alíquotas e parcela a deduzir).
  3. Se estiver nas faixas beneficiadas em 2026, aplique o redutor adicional (que pode zerar ou reduzir o imposto final).

A tabela mensal oficial “a partir de janeiro de 2026” (base, alíquota e dedução) está publicada no portal da Receita. 

3) Redutores 2026: isenção até R$ 5.000 e redução até R$ 7.350

Em 2026, a Receita Federal orientou fontes pagadoras e contribuintes sobre um mecanismo de redução do imposto (mensal e anual), instituído por lei, que funciona assim:

  • Renda mensal até R$ 5.000,00: pode haver redução de até R$ 312,89, limitada ao imposto apurado, permitindo zerar a cobrança no mês.
  • Renda mensal entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350,00: há redução gradual (quanto mais perto de R$ 7.350, menor o benefício).
  • Acima de R$ 7.350,00: segue a cobrança normal pela tabela progressiva (sem redutor adicional).

Essas orientações oficiais (com exemplos e fórmulas) estão na página da Receita Federal. :contentReference[oaicite:3]{index=3} E o Governo Federal também explicou publicamente que a tabela-base foi mantida, com aplicação de redutores adicionais para viabilizar a isenção e a redução. :contentReference[oaicite:4]{index=4}

Se você quiser aprofundar só o IRRF (retenção na fonte) com foco no contracheque, veja: IRRF 2026: como calcular o Imposto de Renda Retido na Fonte.

4) Exemplos reais de cálculo (com números oficiais)

A seguir, dois exemplos práticos baseados nas orientações oficiais publicadas pela Receita (com desconto simplificado mensal e aplicação do redutor).

Exemplo 1: renda mensal de R$ 4.500 (isenção na prática)

  1. Renda do mês: R$ 4.500,00
  2. Desconto simplificado mensal: R$ 607,20
  3. Base de cálculo: 4.500,00 – 607,20 = R$ 3.892,80
  4. Imposto pela tabela progressiva: (3.892,80 × 22,5%) – 675,49 = 875,88 – 675,49 = R$ 200,39
  5. Redutor 2026: pode chegar a R$ 312,89, mas fica limitado ao imposto apurado (R$ 200,39)
  6. IR final do mês: 200,39 – 200,39 = R$ 0,00

Resultado: mesmo com cálculo pela tabela, o redutor elimina o imposto no mês (isenção prática na retenção mensal).

Exemplo 2: renda mensal de R$ 6.000 (redução parcial)

  1. Renda do mês: R$ 6.000,00
  2. Desconto simplificado mensal: R$ 607,20
  3. Base de cálculo: 6.000,00 – 607,20 = R$ 5.392,80
  4. Imposto pela tabela progressiva: (5.392,80 × 27,5%) – 908,73 = 1.483,02 – 908,73 = R$ 574,29
  5. Redutor (faixa 5.000,01 a 7.350): 978,62 – (0,133145 × 6.000) = R$ 179,75
  6. IR final do mês: 574,29 – 179,75 = R$ 394,54

Resultado: não zera, mas reduz o imposto final (queda relevante na carga para rendas intermediárias).

Para entender a redução mensal e anual com mais detalhes (tabelas e lógica), veja: Tabela IRPF 2026: como funciona a redução mensal e anual na prática.

5) Ajuste anual: quando o imposto “aparece” na declaração

Um ponto que gera erro: pagar zero no mês não significa “zero no ano”.

A própria Receita alerta que, se você tiver duas fontes pagadoras (por exemplo, uma renda em cada fonte que isoladamente não gerou IRRF no mês), pode existir diferença a pagar no ajuste anual, porque a declaração considera a soma das rendas do ano e a apuração final. 

Por isso, é essencial revisar:

  • se você teve mais de uma renda ao longo do ano
  • se recebeu rendas que entram em fichas diferentes (tributáveis, isentas, exclusivos na fonte)
  • se as deduções realmente são aplicáveis ao seu caso

Se o seu objetivo é entender quem não paga e quando a isenção se aplica, veja: Isenção do Imposto de Renda 2026: quem não paga e como funciona.

6) Como declarar o IRPF 2026 passo a passo (programa e portal)

A declaração do IRPF pode ser feita pelos canais oficiais da Receita (a disponibilidade exata e as datas dependem do calendário do IRPF 2026, quando for publicado).

  1. Escolha a forma de entrega: Programa Gerador (computador) ou declaração online (portal), quando liberados.
  2. Use a declaração pré-preenchida se você tem conta Gov.br em nível adequado e quer reduzir erros de digitação (rendimentos, deduções e dados informados por terceiros podem aparecer automaticamente). :contentReference[oaicite:7]{index=7}
  3. Revise rendimentos: confira se todos os informes foram importados corretamente e se valores “exclusivos na fonte” e “isentos” estão no lugar certo.
  4. Revise deduções: saúde, dependentes, previdência, pensão e outras, quando aplicáveis.
  5. Revise bens e direitos: saldo em conta, investimentos, imóveis e veículos, com consistência ano a ano.
  6. Simule o resultado: imposto a pagar ou a restituir.
  7. Transmita e guarde os comprovantes: recibo de entrega e documentos que sustentam as informações declaradas.

Se você quer um guia histórico para entender por que certas faixas mudam (ou não mudam) ao longo do tempo, veja: Histórico da Tabela IRPF (2016–2026).

7) e-CAC e Portal de Serviços: o que usar em 2026

Muita gente ainda fala “fazer pelo e-CAC”, mas a Receita já explicou que existe uma transição gradual: o e-CAC tende a ser substituído por um Portal de Serviços, e novos serviços surgem no novo portal. 

Na prática, o que você deve fazer:

  • Se o serviço do IR estiver disponível no Meu Imposto de Renda (portal oficial), prefira essa rota.
  • Se você precisar acessar alguma funcionalidade ainda “clássica”, pode ser necessário entrar pelo e-CAC (com acesso via Gov.br, quando aplicável). 

Importante: os detalhes de quais telas e atalhos estarão ativos para o IRPF 2026 dependem da liberação oficial do sistema no período de entrega. Este guia foca na lógica que não muda: documentação, conferência e coerência das informações.

Perguntas frequentes (FAQ)

1) IRPF 2026 é referente a qual ano?

Em regra, o IRPF 2026 se refere ao ano-calendário 2025 (os rendimentos recebidos em 2025). Já as regras de redução de imposto e redutores com vigência a partir de janeiro de 2026 impactam os rendimentos recebidos em 2026 e são refletidas na declaração entregue em 2027. 

2) Se eu não paguei IRRF no mês, posso deixar de declarar?

Não necessariamente. “Pagar zero no mês” pode acontecer por redutor, mas a obrigatoriedade de declarar depende de critérios da Receita (rendas totais, bens, operações etc.). A própria Receita alerta que quem tem duas fontes de renda pode ter imposto a complementar no ajuste anual. 

3) O que é melhor: declaração completa ou simplificada?

Depende das suas deduções. Em geral, a simplificada pode ser melhor para quem tem poucas deduções, e a completa para quem tem despesas dedutíveis relevantes (principalmente saúde). O ideal é simular os dois modelos antes de enviar.

4) Onde encontro a tabela mensal oficial a partir de janeiro de 2026?

A Receita publica a tabela de incidência mensal (base, alíquota, dedução) no portal do “Meu Imposto de Renda”. 

Conclusão

Para calcular e declarar bem o IRPF 2026, a sequência é sempre a mesma: organização de documentos, base de cálculo, aplicação da tabela progressiva, e, quando aplicável, aplicação dos redutores (isenção até R$ 5.000 e redução gradual até R$ 7.350), com revisão final antes do envio.

Se você quer reforçar entendimento de termos e regras para tomar decisões com segurança, vale consultar o Guia da Contabilidade.

E para ver a visão completa das faixas, alíquotas, redução do imposto e histórico atualizado, volte ao nosso artigo principal da Tabela IRPF 2026.

Sempre que possível, consulte um contador para revisar seu caso e reduzir risco de inconsistência.

Se preferir, fale com nosso time de especialistas.

Erico Azevedo

Escrito por:

Erico Azevedo

Empreendedor serial e CEO da Contabilidade.com, plataforma contábil completa para CNPJs. Também é sócio-fundador do Contbank, primeira solução de BPO e Gestão Financeira Simplificada com Inteligência Artificial e Open Finance. Em 2018, fundou a Wabbi Software, primeira plataforma contábil em nuvem do Brasil, posteriormente vendida à ContaAzul, onde se tornou sócio e acionista. Além da carreira empreendedora, é pesquisador, com Doutorado em Engenharia Elétrica pela UNICAMP e Doutorado em Psicologia pela PUC/SP. Autor de diversos livros e pesquisas sobre campos informacionais e intuição, é fundador da Associação Oriont, dedicada ao estudo da consciência. Editor e coautor do livro científico “Information Fields Theory and Applications: Quantum Communication in Physics and Biology” (Springer Nature, 2025) e autor de “Intuição: do mistério à maestria”, obra que conecta ciência, percepção e autoconhecimento. Com muita experiência na interseção entre tecnologia, finanças, psicologia e inovação, Erico Azevedo é referência em liderança, empreendedorismo e inovação organizacional no Brasil e no exterior.

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