Lucro Presumido: o que é, alíquotas e tabela de impostos (guia completo)

Lucro Presumido: o que é, alíquotas e tabela de impostos (guia completo)

Publicado em20/01/2026

Tempo leitura15min 2s

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O Lucro Presumido é um regime tributário em que a Receita Federal define uma margem presumida de lucro sobre o faturamento para calcular IRPJ e CSLL. Em vez de tributar o lucro real do negócio, aplica-se um percentual fixo, que varia conforme a atividade, sobre a receita bruta e, sobre essa base, calcula-se o imposto.

Na prática, o Lucro Presumido pode fazer sentido quando o Simples Nacional não é a melhor opção para a empresa, especialmente quando as alíquotas no Simples Nacional ficam altas para o CNAE, o anexo ou a faixa de faturamento da empresa.

Mas a escolha depende do seu CNAE, faturamento, estrutura de despesas, folha de pagamento, margem de lucro e planejamento tributário.

Quer validar qual regime é mais vantajoso e não pagar imposto a mais? Fale com nosso time de especialistas.

Índice

O que é e como funciona o Lucro Presumido

No Lucro Presumido, a base do IRPJ e da CSLL é calculada a partir de uma presunção legal de lucro sobre a receita.

  1. Você apura o faturamento do período, em geral de forma trimestral para IRPJ e CSLL.
  2. Aplica um percentual de presunção que varia conforme a atividade.
  3. Sobre essa base, calcula os tributos: IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e tributos municipais ou estaduais quando aplicáveis.

Além disso, no Lucro Presumido a empresa costuma recolher PIS e COFINS mensalmente sobre o faturamento, além de ISS ou ICMS, conforme a atividade.

Se você quer comparar de forma segura com outras opções, comece pelo guia sobre regime tributário.

Dica prática: quando a dúvida é “Simples ou Presumido?”, uma boa estratégia é simular os dois cenários com o seu CNAE e faturamento. Você pode começar por uma estimativa rápida na Calculadora de Impostos da contabilidade.com.

Quem pode optar pelo Lucro Presumido

Em linhas gerais, pode optar pelo Lucro Presumido a empresa que:

  • esteja dentro do limite legal de receita bruta anual;
  • não esteja obrigada ao Lucro Real por tipo de atividade ou outras condições previstas em lei;
  • tenha estrutura capaz de cumprir as obrigações fiscais e contábeis do regime.

Como existem regras específicas por atividade e por tipo de operação, o caminho mais seguro é validar com orientação profissional. Sempre que possível, consulte um contador.

Quais impostos a empresa paga no Lucro Presumido

No Lucro Presumido, os principais tributos costumam ser:

  • IRPJ, em regra com apuração trimestral;
  • CSLL, em regra com apuração trimestral;
  • PIS, mensal, geralmente no regime cumulativo;
  • COFINS, mensal, geralmente no regime cumulativo;
  • ISS, para serviços, conforme regras municipais;
  • ICMS, para comércio ou indústria, quando aplicável;
  • INSS e encargos sobre folha, quando a empresa tem funcionários ou pró-labore.

Diferente do Simples Nacional, em que vários tributos são pagos em uma guia única, no Lucro Presumido é comum existir mais de uma guia e uma rotina fiscal mais detalhada.

Se você ainda está avaliando regimes, veja também a Tabela do Simples Nacional 2026 e o conteúdo sobre diferenças entre Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real.

Apuração trimestral no Lucro Presumido: como funciona

No Lucro Presumido, a apuração do IRPJ e da CSLL é feita trimestralmente. A empresa soma o faturamento dos três meses do trimestre, aplica o percentual de presunção conforme a atividade e calcula os tributos.

Sobre o lucro presumido, incidem:

  • IRPJ: 15%, com adicional quando aplicável;
  • CSLL: 9%.
Tipo de atividadePercentual para IRPJPercentual para CSLL
Venda de mercadorias, indústria e agricultura8%12%
Serviços em geral32%32%
Serviços hospitalares, transporte e construção8% a 16%, conforme o caso12% a 32%, conforme o caso
Intermediação de negócios, administração, aluguel e atividades similares32%32%
Operações financeiras específicas38,4%38,4%

Percentuais de presunção: IRPJ e CSLL

A presunção é o lucro padrão que a legislação presume sobre o faturamento para calcular IRPJ e CSLL. Ela varia conforme a atividade.

Tipo de atividadePresunção IRPJPresunção CSLLLeitura prática
Comércio e indústria8%12%Base presumida menor, podendo ser vantajosa para margens altas.
Serviços em geral32%32%Presunção alta; se a margem real for baixa, pode pesar.
Atividades com regras específicasVariaVariaO CNAE e a natureza da receita definem o enquadramento.

Além do faturamento operacional, algumas receitas podem ter regras próprias. Por isso, o cálculo correto depende do mix de receitas e da atividade da empresa.

Como calcular impostos do Lucro Presumido na prática

Vamos usar um exemplo didático para um prestador de serviços com presunção de 32%.

Exemplo: serviços com faturamento trimestral de R$ 200.000

1) Base presumida para IRPJ e CSLL

  • Base IRPJ: 32% de R$ 200.000 = R$ 64.000
  • Base CSLL: 32% de R$ 200.000 = R$ 64.000

2) Cálculo trimestral

  • IRPJ: 15% de R$ 64.000 = R$ 9.600
  • CSLL: 9% de R$ 64.000 = R$ 5.760

3) Adicional de IRPJ
Se o lucro presumido trimestral ultrapassar o limite aplicável, pode incidir adicional de IRPJ sobre a parcela excedente.

4) PIS e COFINS
No regime cumulativo, uma referência comum é:

  • PIS: 0,65% ao mês sobre a receita;
  • COFINS: 3% ao mês sobre a receita.

5) ISS
O ISS varia conforme cidade e serviço.

Se você quer comparar rapidamente cenários entre Simples Nacional e Lucro Presumido, comece pela Calculadora de Impostos da contabilidade.com.

Tabela do Lucro Presumido: carga estimada para serviços

Para empresas de serviços com presunção de 32%, uma referência comum de composição é:

TributoAlíquota efetiva aproximadaApuração
IRPJ4,80%Trimestral
CSLL2,88%Trimestral
PIS0,65%Mensal
COFINS3,0%Mensal
ISS2% a 5%Mensal
Total Federal11,33%
Carga total estimada com ISS13,33% a 16,33%

Alíquotas no Simples Nacional x Lucro Presumido

Ao comparar Lucro Presumido com Simples Nacional, é importante entender que as alíquotas funcionam de formas diferentes.

No Lucro Presumido, a empresa calcula IRPJ e CSLL sobre uma base presumida e paga PIS, COFINS e ISS em guias separadas. Já no Simples Nacional, a empresa usa uma tabela por anexos, faixas de faturamento e alíquota efetiva.

Por isso, as alíquotas no Simples Nacional precisam ser analisadas junto com o CNAE, o anexo, o faturamento acumulado nos últimos 12 meses e, em alguns casos, o Fator R.

CritérioSimples NacionalLucro Presumido
Modelo de cálculoAlíquota conforme anexo, faixa de faturamento e alíquota efetivaPresunção de lucro sobre a receita
GuiasDAS, em guia únicaGuias separadas
Variação por CNAEAlta, porque o CNAE define anexo e regras como Fator RAlta, porque a atividade define presunção e tributos aplicáveis
Quando pode ser melhorQuando a alíquota efetiva fica competitiva, especialmente em anexos menoresQuando a empresa tem boa margem e o Simples fica caro

Se sua dúvida principal é consultar as alíquotas do Simples, veja a página completa de alíquotas no Simples Nacional por anexo, CNAE e Fator R.

INSS no Lucro Presumido: o que muda na folha

O Lucro Presumido pode ser mais sensível quando a empresa tem folha de pagamento relevante, porque a contribuição previdenciária patronal tende a ser calculada sobre a folha.

Já no Simples Nacional, esse tema funciona de modo diferente e varia conforme o anexo. Por isso, se você está comparando regimes, vale entender como funciona o Fator R.

Lucro Presumido x Simples Nacional x Lucro Real

Veja um comparativo direto para entender o lugar do Lucro Presumido entre os principais regimes tributários:

PontoSimples NacionalLucro PresumidoLucro Real
Guia de pagamentoDAS unificadoDARFs e guias separadasDARFs e guias separadas
Base de cálculoFaturamento, anexos e alíquota efetivaPresunção de lucroLucro contábil ajustado
ComplexidadeMédiaMédia a altaAlta
Quando costuma fazer sentidoME/EPP com aderência ao anexo e alíquota efetiva competitivaEmpresas com boa margem e Simples pouco vantajosoEmpresas com lucro baixo, créditos ou obrigação legal

Para aprofundar o comparativo, veja também Lucro Real e diferenças entre Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real.

Vantagens e desvantagens do Lucro Presumido

Vantagens

  • Previsibilidade: a base presumida facilita estimar IRPJ e CSLL.
  • Economia possível: se a margem real for maior do que a presunção, a empresa pode pagar menos imposto sobre o lucro.
  • Boa alternativa ao Simples: quando a alíquota efetiva do Simples fica alta para o CNAE ou perfil da empresa.

Desvantagens

  • Tributa mesmo com margem baixa: pode gerar imposto mesmo se o lucro real não acompanhar a presunção.
  • Mais obrigações e guias: a rotina é mais detalhada do que no Simples Nacional.
  • ISS pode pesar: em serviços, o ISS varia por cidade e pode aumentar a carga total.

Como saber se o Lucro Presumido é a melhor escolha para sua empresa

Para decidir com segurança, avalie estes pontos:

  1. CNAE e tipo de receita: definem presunção, ISS, ICMS e regras fiscais.
  2. Faturamento atual e projetado: muda faixas no Simples e o custo total.
  3. Margem real: se a margem for maior que a presunção, o Presumido pode ser interessante.
  4. Folha e pró-labore: a conta muda bastante quando existe folha relevante.
  5. Rotina e risco: mais obrigações exigem mais controle para evitar multas.

Se você quer uma comparação objetiva com base em números, o melhor caminho é simular na Calculadora de Impostos da contabilidade.com.

Perguntas frequentes sobre o Lucro Presumido

1. Lucro Presumido é melhor do que Simples Nacional?
Depende do CNAE, do faturamento, do ISS da cidade, da margem de lucro e da estrutura de folha. O ideal é comparar a carga do Lucro Presumido com as alíquotas no Simples Nacional.

2. Quais impostos são pagos no Lucro Presumido?
Em geral, IRPJ e CSLL trimestrais, PIS, COFINS e ISS mensais, além de ICMS quando aplicável e encargos sobre folha quando há funcionários ou pró-labore.

3. Qual a diferença entre alíquota do Simples Nacional e carga do Lucro Presumido?
No Simples Nacional, a alíquota depende do anexo, faturamento acumulado e alíquota efetiva. No Lucro Presumido, a carga vem da presunção de lucro, PIS, COFINS, ISS e demais tributos separados.

4. Preciso de contador no Lucro Presumido?
Na prática, sim. O Lucro Presumido possui mais guias, obrigações e apurações separadas do que o Simples Nacional. Para entender como a contabilidade ajuda a pagar menos impostos dentro da lei, consulte um contador.

5. Quando devo comparar Lucro Presumido com Simples Nacional?
A comparação deve ser feita antes da abertura da empresa, na virada de ano, quando o faturamento aumenta, quando a empresa muda de CNAE ou quando as alíquotas do Simples deixam de ser vantajosas.

Conclusão

O Lucro Presumido pode ser um regime vantajoso quando a empresa tem boa margem, precisa de previsibilidade e o Simples Nacional não oferece a melhor carga efetiva para o seu perfil.

Por outro lado, pode ser desfavorável quando a margem real é baixa, quando o ISS pesa ou quando a rotina fiscal exige mais controle do que a empresa consegue manter.

Para escolher o regime ideal, o mais seguro é simular com seu CNAE, faturamento, margem e cidade de atuação, comparando o Lucro Presumido com as alíquotas no Simples Nacional.

Quer uma análise do seu caso com simulação completa? Fale com nosso time de especialistas ou acesse nossa calculadora de impostos.

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Erico Azevedo

Escrito por:

Erico Azevedo

Empreendedor serial e CEO da Contabilidade.com, plataforma contábil completa para CNPJs. Também é sócio-fundador do Contbank, primeira solução de BPO e Gestão Financeira Simplificada com Inteligência Artificial e Open Finance. Em 2018, fundou a Wabbi Software, primeira plataforma contábil em nuvem do Brasil, posteriormente vendida à ContaAzul, onde se tornou sócio e acionista. Além da carreira empreendedora, é pesquisador, com Doutorado em Engenharia Elétrica pela UNICAMP e Doutorado em Psicologia pela PUC/SP. Autor de diversos livros e pesquisas sobre campos informacionais e intuição, é fundador da Associação Oriont, dedicada ao estudo da consciência. Editor e coautor do livro científico “Information Fields Theory and Applications: Quantum Communication in Physics and Biology” (Springer Nature, 2025) e autor de “Intuição: do mistério à maestria”, obra que conecta ciência, percepção e autoconhecimento. Com muita experiência na interseção entre tecnologia, finanças, psicologia e inovação, Erico Azevedo é referência em liderança, empreendedorismo e inovação organizacional no Brasil e no exterior.

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