O Lucro Real é um regime tributário em que o IRPJ (Imposto de Renda Pessoa Jurídica) e a CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) são calculados com base no lucro contábil efetivo da empresa, ajustado pelas regras fiscais (adições, exclusões e compensações permitidas). Em outras palavras: a empresa paga IRPJ e CSLL sobre o resultado real (não sobre uma presunção).
Por isso, é comum que o Lucro Real seja pesquisado junto de termos como “lucro real tabela de impostos”, porque a carga tributária pode variar bastante conforme: faturamento, margens, despesas dedutíveis, créditos de PIS/COFINS, folha e estrutura de custos.
Se você quer comparar rapidamente cenários (Simples x Presumido x Real) e entender por onde começar, use a Calculadora de Impostos da contabilidade.com e, depois, valide com orientação profissional. Fale com nosso time de especialistas.
Índice
- O que é Lucro Real
- Quem pode optar e quem é obrigado ao Lucro Real
- Qual o limite de faturamento no Lucro Real
- Período de apuração: mensal ou trimestral
- Tabela de impostos do Lucro Real
- PIS e COFINS no Lucro Real: alíquotas e créditos
- Como calcular Lucro Real (passo a passo)
- Exemplos práticos de cálculo (com tabela)
- Benefícios do Lucro Real
- Lucro Real x Lucro Presumido x Simples Nacional
- Obrigações acessórias e cuidados no Lucro Real
- Planejamento financeiro e contábil no Lucro Real
- Perguntas frequentes (FAQ)
- Conclusão
O que é Lucro Real
No Lucro Real, o IRPJ e a CSLL são apurados sobre o lucro efetivo do negócio. Isso significa que o ponto de partida é o resultado contábil (receitas menos despesas), ajustado por regras fiscais.
Na prática, o Lucro Real é o regime mais completo e também o mais exigente em controles e obrigações. Ele costuma ser adotado por empresas maiores, por negócios com margens menores, por operações com muitos custos dedutíveis e por empresas que conseguem se beneficiar do PIS/COFINS não cumulativo (com possibilidade de créditos).
Se você está construindo visão geral de regimes, vale ter como referência o pilar do Simples Nacional: Simples Nacional: guia completo (anexos, fator R, limites e DAS).
Quem pode optar e quem é obrigado ao Lucro Real
Em tese, qualquer empresa pode optar pelo Lucro Real. Porém, em muitos casos o Lucro Real se torna obrigatório. Entre exemplos comuns de obrigatoriedade (conforme regras fiscais vigentes), estão:
- Empresas com faturamento anual acima do limite legal (muito citado como R$ 78 milhões/ano em diversas referências do mercado);
- Algumas atividades do setor financeiro (ex.: instituições financeiras, seguradoras e afins);
- Empresas com determinadas operações específicas (ex.: receitas no exterior, benefícios fiscais relevantes, entre outras hipóteses previstas em lei).
Como as regras podem variar por enquadramento e tipo de operação, a validação mais segura é com suporte profissional. Sempre que possível, consulte um contador.
Qual o limite de faturamento no Lucro Real
O Lucro Real costuma ser apresentado como obrigatório quando a empresa ultrapassa um faturamento anual de referência frequentemente citado como R$ 78 milhões. Abaixo disso, a empresa geralmente pode avaliar se faz sentido permanecer no Simples Nacional, ir para o Lucro Presumido ou optar pelo Lucro Real.
Para comparar rapidamente alternativas “mais comuns” em pequenos negócios e prestadores de serviços, confira também: Tabela do Simples Nacional 2026 (CNAE, Anexo, Fator R e alíquotas) e Tabela e CNAEs do MEI 2026.
Período de apuração: mensal ou trimestral
No Lucro Real, a empresa pode apurar o resultado de forma trimestral ou mensal, a depender da opção e das regras aplicáveis. O importante é entender que o cálculo do IRPJ e da CSLL depende do lucro efetivamente apurado no período.
Um ponto crítico do Lucro Real é a disciplina de fechamento e controles: quanto melhor a contabilidade e o financeiro, mais consistente tende a ser a apuração e menor o risco de inconsistências e autuações.
Tabela de impostos do Lucro Real
Quando alguém pesquisa “lucro real tabela de impostos”, normalmente está procurando uma visão direta de quais tributos aparecem com mais frequência e como eles incidem. Abaixo está uma tabela objetiva com as referências mais comuns:
| Tributo | Como incide | Alíquota de referência | Observação prática |
|---|---|---|---|
| IRPJ | Sobre o lucro real do período (base fiscal) | 15% + adicional quando aplicável | Em muitas referências, o adicional é de 10% sobre a parcela do lucro que excede R$ 20 mil/mês ou R$ 60 mil/trimestre. |
| CSLL | Sobre o lucro real do período (base fiscal) | 9% | Em geral, não há adicional como no IRPJ. |
| PIS | Sobre receita (regime não cumulativo, em regra) | 1,65% | Há possibilidade de créditos conforme regras do não cumulativo (quando aplicável). |
| COFINS | Sobre receita (regime não cumulativo, em regra) | 7,6% | Há possibilidade de créditos conforme regras do não cumulativo (quando aplicável). |
| ISS | Sobre serviços | 2% a 5% | Alíquota municipal que varia por cidade e atividade. |
| ICMS | Sobre circulação de mercadorias (quando aplicável) | Varia | Depende do estado, NCM, operação e regime aplicável. |
| INSS/encargos sobre folha | Sobre a folha (quando houver empregados e/ou pró-labore) | Varia | Inclui contribuição patronal e outros componentes (RAT/terceiros), conforme enquadramento. |
Importante: no Lucro Real, a carga total varia porque uma parte relevante (IRPJ e CSLL) depende do lucro. Por isso, empresas com margens menores podem pagar menos IRPJ/CSLL do que pagariam em regimes baseados em presunção.
PIS e COFINS no Lucro Real: alíquotas e créditos
Um dos principais diferenciais do Lucro Real, na prática, é que o PIS e a COFINS costumam ser apurados no regime não cumulativo, com alíquotas maiores (em comparação ao Presumido), porém com possibilidade de créditos em determinadas compras e despesas, conforme regras fiscais.
- PIS: 1,65% (referência comum do não cumulativo)
- COFINS: 7,6% (referência comum do não cumulativo)
A possibilidade de créditos pode reduzir o impacto efetivo de PIS/COFINS em operações com muitos insumos ou despesas que gerem créditos válidos. Esse é um dos motivos pelos quais o Lucro Real pode ser vantajoso em alguns setores.
Como calcular Lucro Real (passo a passo)
Uma forma simples de entender o fluxo do Lucro Real é pensar em 3 blocos: resultado contábil, ajustes fiscais e tributação.
- Apure o resultado contábil do período:
Receitas – Despesas = Lucro (ou prejuízo) contábil - Aplique ajustes fiscais:
Algumas despesas podem não ser dedutíveis fiscalmente, e algumas receitas/despesas podem ter tratamentos específicos. O resultado vira o lucro real (base fiscal). - Calcule IRPJ e CSLL:
IRPJ (15% + adicional, quando aplicável) e CSLL (9%) sobre a base fiscal. - Calcule PIS/COFINS e demais tributos operacionais:
PIS/COFINS sobre receita (com créditos quando aplicável), além de ISS/ICMS conforme atividade e local.
Para uma visão rápida de comparação e organização do “universo tributário”, o Guia da Contabilidade pode servir como âncora: Guia da Contabilidade com Glossário.
Exemplos práticos de cálculo (com tabela)
Exemplo 1: faturamento trimestral de R$ 200.000 e lucro real de R$ 40.000
Vamos usar um exemplo didático para visualizar como os tributos podem aparecer na prática. Lembre-se: PIS/COFINS podem ter créditos (o que altera o valor final), então este é um exemplo “de referência” para entendimento.
| Tributo | Base | Cálculo (referência) | Valor | % sobre faturamento |
|---|---|---|---|---|
| COFINS | Receita | 7,6% x R$ 200.000 | R$ 15.200 | 7,6% |
| PIS | Receita | 1,65% x R$ 200.000 | R$ 3.300 | 1,65% |
| IRPJ | Lucro | 15% x R$ 40.000 | R$ 6.000 | 3,00% |
| CSLL | Lucro | 9% x R$ 40.000 | R$ 3.600 | 1,80% |
| Total (referência) | — | — | R$ 28.100 | 14,05% |
Exemplo 2: faturamento trimestral de R$ 300.000 e lucro real de R$ 75.000
Neste exemplo, além do IRPJ de 15%, incluímos o adicional (quando aplicável) como referência didática: em muitas explicações do mercado, ele aparece quando o lucro do período excede R$ 60 mil no trimestre.
| Tributo | Base | Cálculo (referência) | Valor | % sobre faturamento |
|---|---|---|---|---|
| COFINS | Receita | 7,6% x R$ 300.000 | R$ 22.800 | 7,6% |
| PIS | Receita | 1,65% x R$ 300.000 | R$ 4.950 | 1,65% |
| IRPJ | Lucro | 15% x R$ 75.000 | R$ 11.250 | 3,75% |
| IRPJ adicional (referência) | Excedente do lucro | 10% x (R$ 75.000 - R$ 60.000) | R$ 1.500 | 0,50% |
| CSLL | Lucro | 9% x R$ 75.000 | R$ 6.750 | 2,25% |
| Total (referência) | — | — | R$ 47.250 | 15,75% |
Leitura prática: o percentual total pode variar muito porque IRPJ/CSLL dependem do lucro, e PIS/COFINS podem ser reduzidos por créditos. Por isso, o Lucro Real precisa ser avaliado com números reais e planejamento.
Benefícios do Lucro Real
- Tributação mais aderente à realidade: IRPJ e CSLL incidem sobre o lucro efetivo (base fiscal), não sobre presunção.
- Possibilidade de compensar prejuízos fiscais: em regras gerais, prejuízos podem ser compensados em períodos futuros, com limites e condições.
- PIS/COFINS não cumulativo: possibilidade de créditos (quando aplicável), reduzindo o impacto efetivo em alguns modelos de negócio.
- Vantajoso em margens menores: quando o lucro é baixo em relação ao faturamento, o Lucro Real pode ser mais eficiente do que regimes com presunção alta.
Lucro Real x Lucro Presumido x Simples Nacional
Para enxergar o “lugar” do Lucro Real, compare com os outros regimes mais comuns: (Se você quer ver o Presumido em detalhes, use o artigo satélite de Lucro Presumido que estamos construindo no seu cluster.)
| Ponto | Simples Nacional | Lucro Presumido | Lucro Real |
|---|---|---|---|
| Base principal | Faturamento (anexos e alíquota efetiva) | Faturamento (presunção legal para IRPJ/CSLL) | Lucro efetivo (contábil ajustado fiscalmente) |
| Guias | DAS (unificada) | DARFs/Guias separadas | DARFs/Guias separadas |
| Complexidade | Média | Média/Alta | Alta |
| PIS/COFINS | Conforme anexo e regra do Simples | Cumulativo (em geral: 0,65% e 3%) | Não cumulativo (em geral: 1,65% e 7,6% + créditos quando aplicável) |
| Quando pode fazer sentido | ME/EPP aderente ao anexo | Boa margem e Simples não compensa | Margem baixa/instável, muitos custos dedutíveis e possibilidade de créditos |
Para aprofundar a lógica do Simples e conectar o cluster: Simples Nacional: guia completo e Tabela do Simples Nacional 2026.
Obrigações acessórias e cuidados no Lucro Real
O Lucro Real exige controles mais rigorosos, porque a apuração depende diretamente da qualidade da contabilidade, do financeiro e da documentação. Em linhas gerais, é comum existir obrigação de escrituração e entrega de arquivos fiscais/contábeis digitais e controle detalhado de receitas, despesas e ajustes.
Além disso, é essencial compreender a diferença entre:
- Lucro contábil: resultado apurado pela contabilidade (receitas menos despesas, conforme normas contábeis);
- Lucro fiscal: resultado após adições e exclusões fiscais, com base no que a legislação aceita como dedutível/tributável.
Em termos práticos, algumas despesas podem não ser dedutíveis (ex.: gastos sem vínculo com a atividade, penalidades, despesas não comprovadas), o que aumenta a base fiscal mesmo que o resultado contábil pareça menor. Esse é um dos pontos mais sensíveis do Lucro Real.
Planejamento financeiro e contábil no Lucro Real
Se você está considerando Lucro Real, estes itens costumam ser decisivos no planejamento:
- Previsão de faturamento: impacto em PIS/COFINS e em obrigações operacionais;
- Estrutura de custos e despesas: o que é dedutível e o que não é dedutível;
- Margem do negócio: quanto maior o lucro, maior a incidência de IRPJ/CSLL;
- Possibilidade de créditos: avaliar se sua operação tem despesas que geram crédito de PIS/COFINS;
- Governança e documentação: organização de notas, contratos, centros de custo e conciliações.
Para apoiar a tomada de decisão e não correr risco tributário, o caminho mais seguro é validar com suporte especializado: fale com nosso time de especialistas.
FAQ - Perguntas frequentes sobre Lucro Real
1) No Lucro Real a empresa paga imposto se tiver prejuízo?
Em regra, quando há prejuízo, não há IRPJ/CSLL sobre lucro naquele período (porque a base é o resultado). Ainda assim, podem existir outros tributos operacionais (como PIS/COFINS sobre receita e ISS/ICMS, conforme o caso).
2) Quais são as alíquotas de PIS e COFINS no Lucro Real?
Em referências comuns do regime não cumulativo: PIS 1,65% e COFINS 7,6%, com possibilidade de créditos em determinadas despesas/aquisições conforme regras fiscais.
3) Qual a alíquota de IRPJ e CSLL no Lucro Real?
Como referência: IRPJ 15% (com adicional quando aplicável) e CSLL 9%, ambos sobre a base fiscal do período (lucro real ajustado).
4) Lucro Real é sempre melhor do que Lucro Presumido?
Não. Depende do seu CNAE, margem, despesas dedutíveis, estrutura de custos, créditos de PIS/COFINS e nível de controle. Para comparar o universo de regimes, comece pela visão geral do Simples Nacional e use simulação quando possível.
5) Preciso de contador no Lucro Real?
Na prática, sim. O Lucro Real exige controle rigoroso, apuração correta e consistência documental. Entenda por que a orientação contábil ajuda a reduzir riscos e pagar menos imposto dentro da lei: sempre que possível, consulte um contador.
Conclusão
O Lucro Real é o regime em que IRPJ e CSLL acompanham o lucro efetivo do negócio, com ajustes fiscais. Ele tende a ser uma boa alternativa (ou obrigação) para empresas maiores e para operações que precisam de apuração fiel ao resultado, com potencial de vantagem quando a margem é menor ou quando há créditos relevantes de PIS/COFINS.
Porém, o Lucro Real exige disciplina: contabilidade em dia, controles financeiros consistentes e documentação bem organizada. Se você quer decidir com segurança, simular e comparar regimes é o caminho mais eficiente.
Quer analisar seu caso com base em números (margem, despesas, créditos, ISS/ICMS e estrutura de folha)? Fale com nosso time de especialistas e use também nossa Calculadora de Impostos para um ponto de partida.

