Lucro Real: tabela de impostos, alíquotas e como calcular (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS)

Lucro Real: tabela de impostos, alíquotas e como calcular (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS)

Publicado em20/01/2026

Tempo leitura16min 56s

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O Lucro Real é um regime tributário em que o IRPJ (Imposto de Renda Pessoa Jurídica) e a CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) são calculados com base no lucro contábil efetivo da empresa, ajustado pelas regras fiscais (adições, exclusões e compensações permitidas). Em outras palavras: a empresa paga IRPJ e CSLL sobre o resultado real (não sobre uma presunção).

Por isso, é comum que o Lucro Real seja pesquisado junto de termos como “lucro real tabela de impostos”, porque a carga tributária pode variar bastante conforme: faturamento, margens, despesas dedutíveis, créditos de PIS/COFINS, folha e estrutura de custos.

Se você quer comparar rapidamente cenários (Simples x Presumido x Real) e entender por onde começar, use a Calculadora de Impostos da contabilidade.com e, depois, valide com orientação profissional. Fale com nosso time de especialistas.

Índice

O que é Lucro Real

No Lucro Real, o IRPJ e a CSLL são apurados sobre o lucro efetivo do negócio. Isso significa que o ponto de partida é o resultado contábil (receitas menos despesas), ajustado por regras fiscais.

Na prática, o Lucro Real é o regime mais completo e também o mais exigente em controles e obrigações. Ele costuma ser adotado por empresas maiores, por negócios com margens menores, por operações com muitos custos dedutíveis e por empresas que conseguem se beneficiar do PIS/COFINS não cumulativo (com possibilidade de créditos).

Se você está construindo visão geral de regimes, vale ter como referência o pilar do Simples Nacional: Simples Nacional: guia completo (anexos, fator R, limites e DAS).

Quem pode optar e quem é obrigado ao Lucro Real

Em tese, qualquer empresa pode optar pelo Lucro Real. Porém, em muitos casos o Lucro Real se torna obrigatório. Entre exemplos comuns de obrigatoriedade (conforme regras fiscais vigentes), estão:

  • Empresas com faturamento anual acima do limite legal (muito citado como R$ 78 milhões/ano em diversas referências do mercado);
  • Algumas atividades do setor financeiro (ex.: instituições financeiras, seguradoras e afins);
  • Empresas com determinadas operações específicas (ex.: receitas no exterior, benefícios fiscais relevantes, entre outras hipóteses previstas em lei).

Como as regras podem variar por enquadramento e tipo de operação, a validação mais segura é com suporte profissional. Sempre que possível, consulte um contador.

Qual o limite de faturamento no Lucro Real

O Lucro Real costuma ser apresentado como obrigatório quando a empresa ultrapassa um faturamento anual de referência frequentemente citado como R$ 78 milhões. Abaixo disso, a empresa geralmente pode avaliar se faz sentido permanecer no Simples Nacional, ir para o Lucro Presumido ou optar pelo Lucro Real.

Para comparar rapidamente alternativas “mais comuns” em pequenos negócios e prestadores de serviços, confira também: Tabela do Simples Nacional 2026 (CNAE, Anexo, Fator R e alíquotas) e Tabela e CNAEs do MEI 2026.

Período de apuração: mensal ou trimestral

No Lucro Real, a empresa pode apurar o resultado de forma trimestral ou mensal, a depender da opção e das regras aplicáveis. O importante é entender que o cálculo do IRPJ e da CSLL depende do lucro efetivamente apurado no período.

Um ponto crítico do Lucro Real é a disciplina de fechamento e controles: quanto melhor a contabilidade e o financeiro, mais consistente tende a ser a apuração e menor o risco de inconsistências e autuações.

Tabela de impostos do Lucro Real

Quando alguém pesquisa “lucro real tabela de impostos”, normalmente está procurando uma visão direta de quais tributos aparecem com mais frequência e como eles incidem. Abaixo está uma tabela objetiva com as referências mais comuns:

TributoComo incideAlíquota de referênciaObservação prática
IRPJSobre o lucro real do período (base fiscal)15% + adicional quando aplicávelEm muitas referências, o adicional é de 10% sobre a parcela do lucro que excede R$ 20 mil/mês ou R$ 60 mil/trimestre.
CSLLSobre o lucro real do período (base fiscal)9%Em geral, não há adicional como no IRPJ.
PISSobre receita (regime não cumulativo, em regra)1,65%Há possibilidade de créditos conforme regras do não cumulativo (quando aplicável).
COFINSSobre receita (regime não cumulativo, em regra)7,6%Há possibilidade de créditos conforme regras do não cumulativo (quando aplicável).
ISSSobre serviços2% a 5%Alíquota municipal que varia por cidade e atividade.
ICMSSobre circulação de mercadorias (quando aplicável)VariaDepende do estado, NCM, operação e regime aplicável.
INSS/encargos sobre folhaSobre a folha (quando houver empregados e/ou pró-labore)VariaInclui contribuição patronal e outros componentes (RAT/terceiros), conforme enquadramento.

Importante: no Lucro Real, a carga total varia porque uma parte relevante (IRPJ e CSLL) depende do lucro. Por isso, empresas com margens menores podem pagar menos IRPJ/CSLL do que pagariam em regimes baseados em presunção.

PIS e COFINS no Lucro Real: alíquotas e créditos

Um dos principais diferenciais do Lucro Real, na prática, é que o PIS e a COFINS costumam ser apurados no regime não cumulativo, com alíquotas maiores (em comparação ao Presumido), porém com possibilidade de créditos em determinadas compras e despesas, conforme regras fiscais.

  • PIS: 1,65% (referência comum do não cumulativo)
  • COFINS: 7,6% (referência comum do não cumulativo)

A possibilidade de créditos pode reduzir o impacto efetivo de PIS/COFINS em operações com muitos insumos ou despesas que gerem créditos válidos. Esse é um dos motivos pelos quais o Lucro Real pode ser vantajoso em alguns setores.

Como calcular Lucro Real (passo a passo)

Uma forma simples de entender o fluxo do Lucro Real é pensar em 3 blocos: resultado contábil, ajustes fiscais e tributação.

  1. Apure o resultado contábil do período:
    ReceitasDespesas = Lucro (ou prejuízo) contábil
  2. Aplique ajustes fiscais:
    Algumas despesas podem não ser dedutíveis fiscalmente, e algumas receitas/despesas podem ter tratamentos específicos. O resultado vira o lucro real (base fiscal).
  3. Calcule IRPJ e CSLL:
    IRPJ (15% + adicional, quando aplicável) e CSLL (9%) sobre a base fiscal.
  4. Calcule PIS/COFINS e demais tributos operacionais:
    PIS/COFINS sobre receita (com créditos quando aplicável), além de ISS/ICMS conforme atividade e local.

Para uma visão rápida de comparação e organização do “universo tributário”, o Guia da Contabilidade pode servir como âncora: Guia da Contabilidade com Glossário.

Exemplos práticos de cálculo (com tabela)

Exemplo 1: faturamento trimestral de R$ 200.000 e lucro real de R$ 40.000

Vamos usar um exemplo didático para visualizar como os tributos podem aparecer na prática. Lembre-se: PIS/COFINS podem ter créditos (o que altera o valor final), então este é um exemplo “de referência” para entendimento.

TributoBaseCálculo (referência)Valor% sobre faturamento
COFINSReceita7,6% x R$ 200.000R$ 15.2007,6%
PISReceita1,65% x R$ 200.000R$ 3.3001,65%
IRPJLucro15% x R$ 40.000R$ 6.0003,00%
CSLLLucro9% x R$ 40.000R$ 3.6001,80%
Total (referência)R$ 28.10014,05%

Exemplo 2: faturamento trimestral de R$ 300.000 e lucro real de R$ 75.000

Neste exemplo, além do IRPJ de 15%, incluímos o adicional (quando aplicável) como referência didática: em muitas explicações do mercado, ele aparece quando o lucro do período excede R$ 60 mil no trimestre.

TributoBaseCálculo (referência)Valor% sobre faturamento
COFINSReceita7,6% x R$ 300.000R$ 22.8007,6%
PISReceita1,65% x R$ 300.000R$ 4.9501,65%
IRPJLucro15% x R$ 75.000R$ 11.2503,75%
IRPJ adicional (referência)Excedente do lucro10% x (R$ 75.000 - R$ 60.000)R$ 1.5000,50%
CSLLLucro9% x R$ 75.000R$ 6.7502,25%
Total (referência)R$ 47.25015,75%

Leitura prática: o percentual total pode variar muito porque IRPJ/CSLL dependem do lucro, e PIS/COFINS podem ser reduzidos por créditos. Por isso, o Lucro Real precisa ser avaliado com números reais e planejamento.

Benefícios do Lucro Real

  • Tributação mais aderente à realidade: IRPJ e CSLL incidem sobre o lucro efetivo (base fiscal), não sobre presunção.
  • Possibilidade de compensar prejuízos fiscais: em regras gerais, prejuízos podem ser compensados em períodos futuros, com limites e condições.
  • PIS/COFINS não cumulativo: possibilidade de créditos (quando aplicável), reduzindo o impacto efetivo em alguns modelos de negócio.
  • Vantajoso em margens menores: quando o lucro é baixo em relação ao faturamento, o Lucro Real pode ser mais eficiente do que regimes com presunção alta.

Lucro Real x Lucro Presumido x Simples Nacional

Para enxergar o “lugar” do Lucro Real, compare com os outros regimes mais comuns: (Se você quer ver o Presumido em detalhes, use o artigo satélite de Lucro Presumido que estamos construindo no seu cluster.)

PontoSimples NacionalLucro PresumidoLucro Real
Base principalFaturamento (anexos e alíquota efetiva)Faturamento (presunção legal para IRPJ/CSLL)Lucro efetivo (contábil ajustado fiscalmente)
GuiasDAS (unificada)DARFs/Guias separadasDARFs/Guias separadas
ComplexidadeMédiaMédia/AltaAlta
PIS/COFINSConforme anexo e regra do SimplesCumulativo (em geral: 0,65% e 3%)Não cumulativo (em geral: 1,65% e 7,6% + créditos quando aplicável)
Quando pode fazer sentidoME/EPP aderente ao anexoBoa margem e Simples não compensaMargem baixa/instável, muitos custos dedutíveis e possibilidade de créditos

Para aprofundar a lógica do Simples e conectar o cluster: Simples Nacional: guia completo e Tabela do Simples Nacional 2026.

Obrigações acessórias e cuidados no Lucro Real

O Lucro Real exige controles mais rigorosos, porque a apuração depende diretamente da qualidade da contabilidade, do financeiro e da documentação. Em linhas gerais, é comum existir obrigação de escrituração e entrega de arquivos fiscais/contábeis digitais e controle detalhado de receitas, despesas e ajustes.

Além disso, é essencial compreender a diferença entre:

  • Lucro contábil: resultado apurado pela contabilidade (receitas menos despesas, conforme normas contábeis);
  • Lucro fiscal: resultado após adições e exclusões fiscais, com base no que a legislação aceita como dedutível/tributável.

Em termos práticos, algumas despesas podem não ser dedutíveis (ex.: gastos sem vínculo com a atividade, penalidades, despesas não comprovadas), o que aumenta a base fiscal mesmo que o resultado contábil pareça menor. Esse é um dos pontos mais sensíveis do Lucro Real.

Planejamento financeiro e contábil no Lucro Real

Se você está considerando Lucro Real, estes itens costumam ser decisivos no planejamento:

  1. Previsão de faturamento: impacto em PIS/COFINS e em obrigações operacionais;
  2. Estrutura de custos e despesas: o que é dedutível e o que não é dedutível;
  3. Margem do negócio: quanto maior o lucro, maior a incidência de IRPJ/CSLL;
  4. Possibilidade de créditos: avaliar se sua operação tem despesas que geram crédito de PIS/COFINS;
  5. Governança e documentação: organização de notas, contratos, centros de custo e conciliações.

Para apoiar a tomada de decisão e não correr risco tributário, o caminho mais seguro é validar com suporte especializado: fale com nosso time de especialistas.

FAQ - Perguntas frequentes sobre Lucro Real

1) No Lucro Real a empresa paga imposto se tiver prejuízo?
Em regra, quando há prejuízo, não há IRPJ/CSLL sobre lucro naquele período (porque a base é o resultado). Ainda assim, podem existir outros tributos operacionais (como PIS/COFINS sobre receita e ISS/ICMS, conforme o caso).

2) Quais são as alíquotas de PIS e COFINS no Lucro Real?
Em referências comuns do regime não cumulativo: PIS 1,65% e COFINS 7,6%, com possibilidade de créditos em determinadas despesas/aquisições conforme regras fiscais.

3) Qual a alíquota de IRPJ e CSLL no Lucro Real?
Como referência: IRPJ 15% (com adicional quando aplicável) e CSLL 9%, ambos sobre a base fiscal do período (lucro real ajustado).

4) Lucro Real é sempre melhor do que Lucro Presumido?
Não. Depende do seu CNAE, margem, despesas dedutíveis, estrutura de custos, créditos de PIS/COFINS e nível de controle. Para comparar o universo de regimes, comece pela visão geral do Simples Nacional e use simulação quando possível.

5) Preciso de contador no Lucro Real?
Na prática, sim. O Lucro Real exige controle rigoroso, apuração correta e consistência documental. Entenda por que a orientação contábil ajuda a reduzir riscos e pagar menos imposto dentro da lei: sempre que possível, consulte um contador.

Conclusão

O Lucro Real é o regime em que IRPJ e CSLL acompanham o lucro efetivo do negócio, com ajustes fiscais. Ele tende a ser uma boa alternativa (ou obrigação) para empresas maiores e para operações que precisam de apuração fiel ao resultado, com potencial de vantagem quando a margem é menor ou quando há créditos relevantes de PIS/COFINS.

Porém, o Lucro Real exige disciplina: contabilidade em dia, controles financeiros consistentes e documentação bem organizada. Se você quer decidir com segurança, simular e comparar regimes é o caminho mais eficiente.

Quer analisar seu caso com base em números (margem, despesas, créditos, ISS/ICMS e estrutura de folha)? Fale com nosso time de especialistas e use também nossa Calculadora de Impostos para um ponto de partida.

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Erico Azevedo

Escrito por:

Erico Azevedo

Empreendedor serial e CEO da Contabilidade.com, plataforma contábil completa para CNPJs. Também é sócio-fundador do Contbank, primeira solução de BPO e Gestão Financeira Simplificada com Inteligência Artificial e Open Finance. Em 2018, fundou a Wabbi Software, primeira plataforma contábil em nuvem do Brasil, posteriormente vendida à ContaAzul, onde se tornou sócio e acionista. Além da carreira empreendedora, é pesquisador, com Doutorado em Engenharia Elétrica pela UNICAMP e Doutorado em Psicologia pela PUC/SP. Autor de diversos livros e pesquisas sobre campos informacionais e intuição, é fundador da Associação Oriont, dedicada ao estudo da consciência. Editor e coautor do livro científico “Information Fields Theory and Applications: Quantum Communication in Physics and Biology” (Springer Nature, 2025) e autor de “Intuição: do mistério à maestria”, obra que conecta ciência, percepção e autoconhecimento. Com muita experiência na interseção entre tecnologia, finanças, psicologia e inovação, Erico Azevedo é referência em liderança, empreendedorismo e inovação organizacional no Brasil e no exterior.

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