Lucro Presumido: o que é, alíquotas e tabela de impostos (guia completo)

Lucro Presumido: o que é, alíquotas e tabela de impostos (guia completo)

Publicado em20/01/2026

Tempo leitura14min 24s

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O Lucro Presumido é um regime tributário em que a Receita Federal define uma margem “presumida” de lucro sobre o faturamento para calcular IRPJ e CSLL. Em vez de tributar o lucro real do negócio, aplica-se um percentual fixo (que varia conforme a atividade) sobre a receita bruta e, sobre essa base, calcula-se o imposto.

Na prática, o Lucro Presumido pode fazer sentido quando o Simples Nacional não é a melhor opção para a empresa — ou quando a empresa tem margem de lucro alta e consegue se beneficiar da presunção legal. Mas a escolha depende do seu CNAE, faturamento, estrutura de despesas e planejamento.

Quer validar qual regime é mais vantajoso e não pagar imposto a mais? Fale com nosso time de especialistas.

Índice

O que é e como funciona o Lucro Presumido

No Lucro Presumido, a base do IRPJ e da CSLL é calculada a partir de uma presunção legal de lucro sobre a receita.

  1. Você apura o faturamento do período (em geral, trimestral para IRPJ/CSLL);
  2. Aplica um percentual de presunção que varia conforme a atividade (ex.: 32% para muitos serviços);
  3. Sobre essa base, calcula os tributos:
    • IRPJ: 15% + adicional quando aplicável;
    • CSLL: 9%.

Além disso, no Lucro Presumido a empresa costuma recolher PIS e COFINS mensalmente sobre o faturamento, e também pode pagar tributos municipais/estaduais como ISS e ICMS, conforme a atividade.

Se você quer comparar de forma segura com outras opções, vale começar pelo universo do Simples: Simples Nacional (guia completo).

Dica prática: quando a dúvida é “Simples ou Presumido?”, uma boa estratégia é simular os dois cenários com o seu CNAE e faturamento. Você pode começar por uma estimativa rápida na Calculadora de Impostos da contabilidade.com.

Quem pode optar pelo Lucro Presumido

Em linhas gerais, pode optar pelo Lucro Presumido a empresa que:

  • esteja dentro do limite legal de receita bruta anual (com regra proporcional quando a empresa teve menos de 12 meses de atividade);
  • não esteja obrigada ao Lucro Real por tipo de atividade ou outras condições previstas em lei;
  • tenha estrutura capaz de cumprir as obrigações fiscais e contábeis do regime.

Como existem regras específicas por atividade e por tipo de operação, o caminho mais seguro é validar com orientação profissional: sempre que possível, consulte um contador.

Quais impostos a empresa paga no Lucro Presumido

No Lucro Presumido, os principais tributos costumam ser:

  • IRPJ (em regra, apuração trimestral);
  • CSLL (em regra, apuração trimestral);
  • PIS (mensal, geralmente 0,65% no regime cumulativo);
  • COFINS (mensal, geralmente 3% no regime cumulativo);
  • ISS (serviços – municipal, normalmente entre 2% e 5%, varia por cidade e serviço);
  • ICMS (comércio/indústria – estadual, quando aplicável);
  • INSS/encargos sobre folha (quando a empresa tem funcionários e/ou pró-labore).

Ou seja: diferente do Simples Nacional (em que muitos tributos são recolhidos via DAS), no Lucro Presumido é comum existir mais de uma guia e uma rotina fiscal/contábil mais detalhada.

Se você ainda está avaliando regimes, vale entender também alternativas como MEI (quando aplicável) e Simples: Tabela e CNAEs do MEI 2026 e Tabela do Simples Nacional 2026 (com CNAE, Anexo e Fator R).

Apuração trimestral no Lucro Presumido (IRPJ e CSLL): como funciona

No regime de Lucro Presumido, a apuração do IRPJ (Imposto de Renda Pessoa Jurídica) e da CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) é feita trimestralmente. Ou seja: você soma o faturamento dos 3 meses do trimestre, aplica o percentual de presunção (conforme a atividade) e calcula os tributos.

Sobre esse “lucro presumido”, incidem as alíquotas de:

  • IRPJ: 15% (com adicional de 10% sobre a parcela do lucro presumido trimestral que exceder R$ 60 mil);
  • CSLL: 9% (sem adicional).
Tipo de atividadePercentual para IRPJPercentual para CSLL
Venda de mercadorias, indústria, agricultura8%12%
Serviços em geral (ex.: consultoria, informática etc.)1,6% a 32% (varia conforme o serviço)32%
Serviços hospitalares, transporte, construção8% a 16% (varia conforme o serviço)12% a 32%
Intermediação de negócios, administração, aluguel, construção parcial32%32%
Operações financeiras (ex.: empréstimos pela Empresa Simples de Crédito)38,4%38,4%

Percentuais de presunção: IRPJ e CSLL (tabela)

A presunção é o “lucro padrão” que a legislação presume sobre o faturamento para calcular IRPJ e CSLL. Ela varia conforme a atividade.

Tipo de atividade (visão geral)Presunção IRPJPresunção CSLLLeitura prática
Comércio e indústria8%12%Base presumida menor; pode ser vantajoso para margens altas e rotinas bem controladas.
Serviços em geral (muitos CNAEs de serviços)32%32%Presunção alta; se a margem real for baixa, pode virar um regime mais pesado.
Atividades com regras específicasVariaVariaAlguns setores têm percentuais próprios; o CNAE e a natureza da receita definem o enquadramento.

Importante: além do faturamento operacional, algumas receitas (como determinadas receitas financeiras) podem ter regras próprias. Por isso, o “cálculo certo” depende do seu mix de receitas.

Como calcular impostos do Lucro Presumido na prática

Vamos usar um exemplo didático para um prestador de serviços (presunção 32%) e entender a lógica do regime.

Exemplo: serviços com faturamento trimestral de R$ 200.000

1) Base presumida (IRPJ e CSLL)

  • Base IRPJ: 32% de R$ 200.000 = R$ 64.000
  • Base CSLL: 32% de R$ 200.000 = R$ 64.000

2) Cálculo trimestral

  • IRPJ (15%): 15% de R$ 64.000 = R$ 9.600
  • CSLL (9%): 9% de R$ 64.000 = R$ 5.760

3) Adicional de IRPJ: quando pode acontecer?
Se o lucro presumido trimestral ultrapassar R$ 60.000, pode incidir adicional de 10% sobre a parcela excedente. Esse detalhe muda a conta em alguns casos — por isso vale simular o cenário completo.

4) PIS e COFINS (mensais sobre faturamento)
No cumulativo, uma referência comum é:

  • PIS: 0,65% ao mês sobre a receita
  • COFINS: 3% ao mês sobre a receita

5) ISS (mensal)
O ISS varia conforme cidade e serviço (em geral de 2% a 5%).

Se você quer comparar rapidamente cenários (Simples x Presumido), comece pela Calculadora de Impostos da contabilidade.com e depois valide com um especialista.

Tabela do Lucro Presumido: carga estimada para serviços

Para se ter uma ideia dos valores e percentuais (considerando empresas de serviços que faturam até R$ 187.500,00 por trimestre), uma referência comum de composição é:

TributoAlíquota efetivaApuração
IRPJ4,80%Trimestral
CSLL2,88%Trimestral
PIS0,65%Mensal
COFINS3,0%Mensal
ISS (Municipal)2% a 5%Mensal
Total Federal11,33%
Carga Total Estimada (com ISS)13,33% a 16,33%

INSS no Lucro Presumido: o que muda na folha

O Lucro Presumido pode ser mais sensível quando a empresa tem folha de pagamento relevante, porque a contribuição previdenciária patronal tende a ser calculada sobre a folha (e não “embutida” em uma guia única como em vários anexos do Simples).

Já no Simples Nacional, esse tema funciona de modo diferente e varia conforme o anexo — por isso, se você está comparando regimes, vale ter em mãos o pilar e a tabela do Simples:

Lucro Presumido x Simples Nacional x Lucro Real

Veja um comparativo direto para ajudar a entender o lugar do Lucro Presumido no “universo dos regimes”:

PontoSimples NacionalLucro PresumidoLucro Real
Guia de pagamentoDAS (unificado)DARFs/Guias separadasDARFs/Guias separadas
Base de cálculoFaturamento + anexos (alíquota efetiva)Presunção de lucro (percentual fixo)Lucro contábil ajustado
ComplexidadeMédiaMédia/AltaAlta
Quando costuma fazer sentidoME/EPP com aderência ao anexoBoa margem e Simples não compensaLucro baixo/instável, créditos ou obrigação

Se o seu caso ainda permite MEI, vale checar as atividades e limites: Tabela e CNAEs do MEI 2026.

Vantagens e desvantagens do Lucro Presumido

Vantagens

  • Previsibilidade: a base presumida facilita estimar IRPJ e CSLL.
  • Economia possível: se a margem real for maior do que a presunção, a empresa pode pagar menos imposto sobre o lucro.
  • Boa alternativa ao Simples: quando a alíquota efetiva do Simples fica alta para o CNAE/perfil.

Desvantagens

  • Tributa mesmo com margem baixa: pode pagar imposto mesmo se o lucro real não acompanhar a presunção.
  • Mais obrigações e guias: a rotina é mais detalhada do que no Simples Nacional.
  • ISS pode pesar: em serviços, o ISS varia por cidade e pode aumentar a carga total.

Como saber se o Lucro Presumido é a melhor escolha para sua empresa

Para decidir com segurança, avalie estes 5 pontos:

  1. CNAE e tipo de receita: define presunção, ISS/ICMS e regras fiscais.
  2. Faturamento atual e projetado: muda faixas no Simples e o custo total.
  3. Margem real: se a margem for maior que a presunção, o Presumido tende a ser interessante.
  4. Folha e pró-labore: a conta muda bastante quando existe folha relevante.
  5. Rotina e risco: mais obrigações exigem mais controle para evitar multas.

Se você quer uma comparação objetiva com base em números, o melhor caminho é simular: Calculadora de Impostos da contabilidade.com.

E para tomar decisão com segurança e economia: sempre que possível, consulte um contador.

FAQ - Perguntas Frequentes sobre o Lucro Presumido

1) Lucro Presumido é melhor do que Simples Nacional?
Depende do CNAE, do faturamento, do ISS da sua cidade e da estrutura de folha. Para comparar com segurança, use nosso artigo principal do Simples Nacional e a Tabela do Simples Nacional 2026.

2) MEI pode ser Lucro Presumido?
Não. O MEI é uma categoria própria. Se a atividade não for permitida no MEI, ou se o faturamento ultrapassar o limite, pode ser necessário migrar para outro regime. Veja: Tabela e CNAEs do MEI 2026.

3) Quais impostos são pagos no Lucro Presumido?
Em geral, IRPJ e CSLL (trimestrais) e PIS/COFINS/ISS (mensais), além de ICMS quando aplicável.

4) Preciso de contador no Lucro Presumido?
Na prática, sim: existem mais guias e obrigações do que no Simples. Para entender por que isso pode fazer você pagar menos imposto dentro da lei: consulte um contador.

Conclusão

O Lucro Presumido pode ser um regime vantajoso quando a empresa tem boa margem, precisa de previsibilidade e o Simples Nacional não oferece a melhor carga efetiva para o seu perfil. Por outro lado, pode ser desfavorável quando a margem real é baixa, quando o ISS pesa ou quando a estrutura exige mais controle fiscal.

Para escolher o regime ideal, o mais seguro é simular com o seu CNAE e seu faturamento — e comparar com MEI e Simples, quando possível.

Quer uma análise do seu caso com simulação completa (regime + CNAE + ISS + folha)? Fale com nosso time de especialistas ou acesse nossa calculadora de impostos.

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Erico Azevedo

Escrito por:

Erico Azevedo

Empreendedor serial e CEO da Contabilidade.com, plataforma contábil completa para CNPJs. Também é sócio-fundador do Contbank, primeira solução de BPO e Gestão Financeira Simplificada com Inteligência Artificial e Open Finance. Em 2018, fundou a Wabbi Software, primeira plataforma contábil em nuvem do Brasil, posteriormente vendida à ContaAzul, onde se tornou sócio e acionista. Além da carreira empreendedora, é pesquisador, com Doutorado em Engenharia Elétrica pela UNICAMP e Doutorado em Psicologia pela PUC/SP. Autor de diversos livros e pesquisas sobre campos informacionais e intuição, é fundador da Associação Oriont, dedicada ao estudo da consciência. Editor e coautor do livro científico “Information Fields Theory and Applications: Quantum Communication in Physics and Biology” (Springer Nature, 2025) e autor de “Intuição: do mistério à maestria”, obra que conecta ciência, percepção e autoconhecimento. Com muita experiência na interseção entre tecnologia, finanças, psicologia e inovação, Erico Azevedo é referência em liderança, empreendedorismo e inovação organizacional no Brasil e no exterior.

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