Para muitas empresas de tecnologia (desenvolvimento de software, TI, consultoria técnica, implantação e suporte), o Simples Nacional costuma ser uma boa opção inicial: unifica tributos no DAS e pode reduzir a carga tributária quando o enquadramento (CNAE + anexo) está correto.
O ponto de atenção é que, em tech, erros comuns como CNAE desalinhado, Fator R sem rotina e RBT12 ignorado podem levar sua empresa a sair de um cenário mais econômico (ex.: Anexo III) para um mais caro (ex.: Anexo V), mudando completamente o tamanho do imposto ao longo do ano.
Para uma visão completa do regime (anexos, limites, DAS e decisões), veja nosso pilar: Simples Nacional 2026: guia completo. Para contexto geral de escolha de regime, acesse: Regime Tributário.
Quais anexos mais aparecem em empresas de tecnologia
Na prática, empresas de tecnologia costumam transitar entre Anexo III e Anexo V. Em geral, o que define a tributação aplicável não é “achismo”, mas sim a combinação de: CNAE, regras do Simples para aquela atividade e o resultado do Fator R.
Para consultar tabelas e faixas de forma rápida (com CNAE, anexo e alíquotas), use como base: Tabela do Simples Nacional 2026.
Para aprofundar por anexo (muito útil para tirar dúvidas pontuais e evitar confusão):
- Anexo III do Simples Nacional: tabela, atividades e cálculo
- Anexo V do Simples Nacional 2026: tabela, atividades e impostos
- Anexo IV do Simples Nacional: quando aparece e o que muda
Se você quer entender, em uma visão única, o que cada anexo cobre (com exemplos por atividade), veja: Anexos do Simples Nacional 2026.
Fator R: como funciona e por que é decisivo em tech
O Fator R é a razão entre a folha de pagamento dos últimos 12 meses e a receita bruta dos últimos 12 meses (RBT12). Em muitas atividades de serviços (incluindo grande parte das atividades de tecnologia), o Fator R é o que define se a empresa apura no Anexo III (tende a ser mais econômico) ou no Anexo V (tende a ser mais caro).
O ponto-chave para tech: o Fator R não é “evento anual”. Ele é acompanhado pela lógica dos últimos 12 meses e pode mudar com variações de folha ou receita. Por isso, a empresa pode começar em um cenário e mudar ao longo do ano se não houver rotina de acompanhamento.
Guia completo para calcular e aplicar corretamente: Fator R no Simples Nacional 2026 e, se você quiser exemplos práticos: Fator R 2026 com exemplos (migração do V para o III).
Para estruturar corretamente a remuneração dos sócios (ponto sensível em tech), veja: Pró-labore: como definir em 2026.
CNAEs comuns em tecnologia e como escolher sem erro
O CNAE é a classificação oficial da atividade. Ele precisa refletir o que a empresa efetivamente faz (contrato, proposta, escopo e nota fiscal). CNAE desalinhado é uma das maiores causas de tributação equivocada e retrabalho.
Exemplos comuns em tecnologia:
| CNAE | Atividade (resumo) | Quando costuma aparecer |
|---|---|---|
| 6201-5/01 | Desenvolvimento de programas de computador sob encomenda | Projetos customizados e desenvolvimento sob demanda |
| 6202-3/00 | Desenvolvimento e licenciamento de programas de computador customizáveis | Software com licença e customização para cliente |
| 6203-1/00 | Desenvolvimento e licenciamento de programas de computador não customizáveis | Produto/licença padronizada (SaaS/solução “de prateleira”) |
| 6204-0/00 | Consultoria em tecnologia da informação | Consultoria técnica de TI (atenção ao escopo real do contrato) |
Para escolher CNAE com segurança (permitidos, vedações, cuidados e como não errar): CNAE no Simples Nacional.
Armadilhas comuns no Simples para empresas de tecnologia
1) Não monitorar o Fator R mensalmente
Essa é a armadilha número 1 em tech. Se a empresa depende do Fator R para ficar no Anexo III e, por variação de receita/folha, o indicador muda, você pode ter surpresa no momento da apuração. Rotina mensal evita sustos.
2) Pró-labore muito baixo, folha incoerente ou obrigações tratadas “depois”
Quando a empresa tenta “forçar” um cenário sem base consistente de folha (incluindo pró-labore bem definido), o planejamento fica frágil. Além disso, inconsistências operacionais geram risco e retrabalho em apuração.
3) CNAE incorreto (contrato descreve uma coisa, CNPJ está em outra)
Um erro recorrente é escolher CNAE por “conveniência”, mas o contrato, a entrega e a nota fiscal não sustentam a descrição. Isso aumenta chance de pagar imposto indevido e cria risco fiscal.
4) Confundir tecnologia com Anexo IV
Serviços de tecnologia normalmente orbitam entre Anexo III e V. O Anexo IV tem regras e impactos diferentes, então a empresa não deve assumir enquadramento sem validar CNAE e escopo.
5) Aumentar faturamento sem acompanhar RBT12 e alíquota efetiva
No Simples, a alíquota efetiva depende do RBT12. Se o faturamento cresce, a empresa pode subir de faixa. É por isso que “começar com alíquota baixa” não significa manter esse cenário sem acompanhamento.
Para entender o cálculo do DAS com exemplos e fórmulas: Como calcular o DAS do Simples Nacional 2026.
Como se proteger e pagar menos com segurança
- Valide o CNAE com o serviço real: o que está no contrato, na proposta e na nota fiscal precisa bater com a atividade do CNPJ.
- Faça rotina mensal do Fator R: acompanhe FS12/RBT12 e simule antes de apurar.
- Estruture pró-labore e folha com consistência, evitando “ajustes de última hora” para tentar atingir indicador sem sustentação.
- Monitore RBT12: crescimento muda faixa e alíquota efetiva, mesmo quando o faturamento do mês parece “normal”.
- Apure corretamente no PGDAS-D e guarde evidências (relatórios, memórias de cálculo, contratos).
Para apuração e emissão do DAS no sistema: PGDAS-D 2026: passo a passo.
Se você suspeita que está pagando caro no Simples, vale abrir a rota de decisão: Quando o Simples Nacional fica caro e comparar regimes: Simples Nacional x Lucro Presumido.
Na dúvida, sempre vale consultar um contador antes de decidir CNAE/anexo e desenhar o planejamento do ano.
Se quiser que a gente valide seu CNAE, simule Anexo III x V e organize a apuração mensal com segurança: fale com nosso time de especialistas.
Como simular o DAS e validar o cenário
Para evitar erro de anexo e reduzir surpresas, o caminho mais simples é simular com frequência:
- Simulador prático: calculadora de impostos
- Guia completo do cálculo: como calcular o DAS (2026)
- Base para checar faixas/alíquotas: tabela do Simples 2026
FAQ - Perguntas frequentes sobre Simples Nacional para Empresa de Tecnologia
1) Empresa de tecnologia sempre fica no Anexo III?
Não. Em muitas atividades de serviços, a empresa pode ficar entre Anexo III e Anexo V conforme o Fator R. O correto é validar CNAE e acompanhar o indicador mensalmente. Veja: guia do Fator R 2026.
2) Quais CNAEs são mais comuns em desenvolvimento de software e consultoria em TI?
É comum ver CNAEs de desenvolvimento sob encomenda, licenciamento (customizável ou não) e consultoria em TI. O ponto-chave é: o CNAE precisa refletir o serviço real descrito em contrato e nota fiscal. Guia: CNAE no Simples Nacional.
3) Se meu Fator R cair em um mês, o que acontece?
Como o Fator R considera os últimos 12 meses, variações de receita e folha podem alterar o resultado e, dependendo da atividade, mudar o enquadramento aplicável na apuração. Por isso a rotina mensal é essencial.
4) Vale a pena aumentar pró-labore para tentar atingir o Fator R?
Depende. O ideal é comparar o custo total da folha (e obrigações associadas) com a economia no DAS ao mudar de anexo. O caminho mais seguro é simular com seus números: calculadora de impostos e, para entender o conceito: guia de pró-labore.
5) Como saber se o Simples ficou caro e devo simular outro regime?
Se a empresa frequentemente fica com Fator R desfavorável e a alíquota efetiva cresce com o RBT12, pode fazer sentido simular alternativas. Comece por: quando o Simples fica caro e compare: Simples x Lucro Presumido.
Conclusão
Para empresas de tecnologia, o Simples Nacional pode ser excelente — desde que você evite as armadilhas mais comuns: CNAE desalinhado, Fator R sem rotina, pró-labore mal definido e RBT12 ignorado. O método que funciona é simples: validar a atividade, acompanhar números mensalmente, simular o DAS e apurar corretamente no PGDAS-D.
Para navegar pelo tema completo (anexos, Fator R, limites e DAS), retome o pilar: Simples Nacional 2026: guia completo.
Se quiser, a contabilidade.com valida seu CNAE, simula cenários e organiza sua apuração para reduzir imposto com segurança: fale com nosso time de especialistas. Se preferir, faça uma simulação rápida agora: calculadora de impostos.

