Simples Nacional para empresas de tecnologia: CNAE, anexo e armadilhas comuns

Simples Nacional para empresas de tecnologia: CNAE, anexo e armadilhas comuns

Publicado em20/02/2026

Tempo leitura11min 18s

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Para muitas empresas de tecnologia (desenvolvimento de software, TI, consultoria técnica, implantação e suporte), o Simples Nacional costuma ser uma boa opção inicial: unifica tributos no DAS e pode reduzir a carga tributária quando o enquadramento (CNAE + anexo) está correto.

O ponto de atenção é que, em tech, erros comuns como CNAE desalinhado, Fator R sem rotina e RBT12 ignorado podem levar sua empresa a sair de um cenário mais econômico (ex.: Anexo III) para um mais caro (ex.: Anexo V), mudando completamente o tamanho do imposto ao longo do ano.

Para uma visão completa do regime (anexos, limites, DAS e decisões), veja nosso pilar: Simples Nacional 2026: guia completo. Para contexto geral de escolha de regime, acesse: Regime Tributário.

Quais anexos mais aparecem em empresas de tecnologia

Na prática, empresas de tecnologia costumam transitar entre Anexo III e Anexo V. Em geral, o que define a tributação aplicável não é “achismo”, mas sim a combinação de: CNAE, regras do Simples para aquela atividade e o resultado do Fator R.

Para consultar tabelas e faixas de forma rápida (com CNAE, anexo e alíquotas), use como base: Tabela do Simples Nacional 2026.

Para aprofundar por anexo (muito útil para tirar dúvidas pontuais e evitar confusão):

Se você quer entender, em uma visão única, o que cada anexo cobre (com exemplos por atividade), veja: Anexos do Simples Nacional 2026.

Fator R: como funciona e por que é decisivo em tech

O Fator R é a razão entre a folha de pagamento dos últimos 12 meses e a receita bruta dos últimos 12 meses (RBT12). Em muitas atividades de serviços (incluindo grande parte das atividades de tecnologia), o Fator R é o que define se a empresa apura no Anexo III (tende a ser mais econômico) ou no Anexo V (tende a ser mais caro).

O ponto-chave para tech: o Fator R não é “evento anual”. Ele é acompanhado pela lógica dos últimos 12 meses e pode mudar com variações de folha ou receita. Por isso, a empresa pode começar em um cenário e mudar ao longo do ano se não houver rotina de acompanhamento.

Guia completo para calcular e aplicar corretamente: Fator R no Simples Nacional 2026 e, se você quiser exemplos práticos: Fator R 2026 com exemplos (migração do V para o III).

Para estruturar corretamente a remuneração dos sócios (ponto sensível em tech), veja: Pró-labore: como definir em 2026.

CNAEs comuns em tecnologia e como escolher sem erro

O CNAE é a classificação oficial da atividade. Ele precisa refletir o que a empresa efetivamente faz (contrato, proposta, escopo e nota fiscal). CNAE desalinhado é uma das maiores causas de tributação equivocada e retrabalho.

Exemplos comuns em tecnologia:

CNAEAtividade (resumo)Quando costuma aparecer
6201-5/01Desenvolvimento de programas de computador sob encomendaProjetos customizados e desenvolvimento sob demanda
6202-3/00Desenvolvimento e licenciamento de programas de computador customizáveisSoftware com licença e customização para cliente
6203-1/00Desenvolvimento e licenciamento de programas de computador não customizáveisProduto/licença padronizada (SaaS/solução “de prateleira”)
6204-0/00Consultoria em tecnologia da informaçãoConsultoria técnica de TI (atenção ao escopo real do contrato)

Para escolher CNAE com segurança (permitidos, vedações, cuidados e como não errar): CNAE no Simples Nacional.

Armadilhas comuns no Simples para empresas de tecnologia

1) Não monitorar o Fator R mensalmente

Essa é a armadilha número 1 em tech. Se a empresa depende do Fator R para ficar no Anexo III e, por variação de receita/folha, o indicador muda, você pode ter surpresa no momento da apuração. Rotina mensal evita sustos.

2) Pró-labore muito baixo, folha incoerente ou obrigações tratadas “depois”

Quando a empresa tenta “forçar” um cenário sem base consistente de folha (incluindo pró-labore bem definido), o planejamento fica frágil. Além disso, inconsistências operacionais geram risco e retrabalho em apuração.

3) CNAE incorreto (contrato descreve uma coisa, CNPJ está em outra)

Um erro recorrente é escolher CNAE por “conveniência”, mas o contrato, a entrega e a nota fiscal não sustentam a descrição. Isso aumenta chance de pagar imposto indevido e cria risco fiscal.

4) Confundir tecnologia com Anexo IV

Serviços de tecnologia normalmente orbitam entre Anexo III e V. O Anexo IV tem regras e impactos diferentes, então a empresa não deve assumir enquadramento sem validar CNAE e escopo.

5) Aumentar faturamento sem acompanhar RBT12 e alíquota efetiva

No Simples, a alíquota efetiva depende do RBT12. Se o faturamento cresce, a empresa pode subir de faixa. É por isso que “começar com alíquota baixa” não significa manter esse cenário sem acompanhamento.

Para entender o cálculo do DAS com exemplos e fórmulas: Como calcular o DAS do Simples Nacional 2026.

Como se proteger e pagar menos com segurança

  1. Valide o CNAE com o serviço real: o que está no contrato, na proposta e na nota fiscal precisa bater com a atividade do CNPJ.
  2. Faça rotina mensal do Fator R: acompanhe FS12/RBT12 e simule antes de apurar.
  3. Estruture pró-labore e folha com consistência, evitando “ajustes de última hora” para tentar atingir indicador sem sustentação.
  4. Monitore RBT12: crescimento muda faixa e alíquota efetiva, mesmo quando o faturamento do mês parece “normal”.
  5. Apure corretamente no PGDAS-D e guarde evidências (relatórios, memórias de cálculo, contratos).

Para apuração e emissão do DAS no sistema: PGDAS-D 2026: passo a passo.

Se você suspeita que está pagando caro no Simples, vale abrir a rota de decisão: Quando o Simples Nacional fica caro e comparar regimes: Simples Nacional x Lucro Presumido.

Na dúvida, sempre vale consultar um contador antes de decidir CNAE/anexo e desenhar o planejamento do ano.

Se quiser que a gente valide seu CNAE, simule Anexo III x V e organize a apuração mensal com segurança: fale com nosso time de especialistas.

Como simular o DAS e validar o cenário

Para evitar erro de anexo e reduzir surpresas, o caminho mais simples é simular com frequência:

FAQ - Perguntas frequentes sobre Simples Nacional para Empresa de Tecnologia

1) Empresa de tecnologia sempre fica no Anexo III?
Não. Em muitas atividades de serviços, a empresa pode ficar entre Anexo III e Anexo V conforme o Fator R. O correto é validar CNAE e acompanhar o indicador mensalmente. Veja: guia do Fator R 2026.

2) Quais CNAEs são mais comuns em desenvolvimento de software e consultoria em TI?
É comum ver CNAEs de desenvolvimento sob encomenda, licenciamento (customizável ou não) e consultoria em TI. O ponto-chave é: o CNAE precisa refletir o serviço real descrito em contrato e nota fiscal. Guia: CNAE no Simples Nacional.

3) Se meu Fator R cair em um mês, o que acontece?
Como o Fator R considera os últimos 12 meses, variações de receita e folha podem alterar o resultado e, dependendo da atividade, mudar o enquadramento aplicável na apuração. Por isso a rotina mensal é essencial.

4) Vale a pena aumentar pró-labore para tentar atingir o Fator R?
Depende. O ideal é comparar o custo total da folha (e obrigações associadas) com a economia no DAS ao mudar de anexo. O caminho mais seguro é simular com seus números: calculadora de impostos e, para entender o conceito: guia de pró-labore.

5) Como saber se o Simples ficou caro e devo simular outro regime?
Se a empresa frequentemente fica com Fator R desfavorável e a alíquota efetiva cresce com o RBT12, pode fazer sentido simular alternativas. Comece por: quando o Simples fica caro e compare: Simples x Lucro Presumido.

Conclusão

Para empresas de tecnologia, o Simples Nacional pode ser excelente — desde que você evite as armadilhas mais comuns: CNAE desalinhado, Fator R sem rotina, pró-labore mal definido e RBT12 ignorado. O método que funciona é simples: validar a atividade, acompanhar números mensalmente, simular o DAS e apurar corretamente no PGDAS-D.

Para navegar pelo tema completo (anexos, Fator R, limites e DAS), retome o pilar: Simples Nacional 2026: guia completo.

Se quiser, a contabilidade.com valida seu CNAE, simula cenários e organiza sua apuração para reduzir imposto com segurança: fale com nosso time de especialistas. Se preferir, faça uma simulação rápida agora: calculadora de impostos.

Erico Azevedo

Escrito por:

Erico Azevedo

Empreendedor serial e CEO da Contabilidade.com, plataforma contábil completa para CNPJs. Também é sócio-fundador do Contbank, primeira solução de BPO e Gestão Financeira Simplificada com Inteligência Artificial e Open Finance. Em 2018, fundou a Wabbi Software, primeira plataforma contábil em nuvem do Brasil, posteriormente vendida à ContaAzul, onde se tornou sócio e acionista. Além da carreira empreendedora, é pesquisador, com Doutorado em Engenharia Elétrica pela UNICAMP e Doutorado em Psicologia pela PUC/SP. Autor de diversos livros e pesquisas sobre campos informacionais e intuição, é fundador da Associação Oriont, dedicada ao estudo da consciência. Editor e coautor do livro científico “Information Fields Theory and Applications: Quantum Communication in Physics and Biology” (Springer Nature, 2025) e autor de “Intuição: do mistério à maestria”, obra que conecta ciência, percepção e autoconhecimento. Com muita experiência na interseção entre tecnologia, finanças, psicologia e inovação, Erico Azevedo é referência em liderança, empreendedorismo e inovação organizacional no Brasil e no exterior.

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