Conciliação bancária: o que é e como fazer

Conciliação bancária: o que é e como fazer

Publicado em18/06/2026

Tempo leitura16min 31s

Copiar link

Conciliação bancária é o processo de comparar o extrato bancário da empresa com o controle financeiro interno, como planilhas, sistemas de gestão ou registros de contas a pagar e a receber. O objetivo é confirmar se todas as entradas e saídas estão corretas e se o saldo do controle interno bate com o saldo do banco.

Na prática, a conciliação bancária ajuda a identificar pagamentos não registrados, recebimentos pendentes, tarifas bancárias, lançamentos duplicados, erros de digitação, Pix não identificado, boletos compensados, TEDs devolvidas e diferenças entre o caixa da empresa e o extrato da conta PJ.

Este conteúdo integra o pilar Conta PJ: guia completo para movimentar e organizar as finanças da sua empresa, onde reunimos os principais temas sobre conta empresarial, bancos, Pix, TED, conciliação bancária e organização financeira.

Este artigo também faz parte do Guia da Contabilidade, nosso super hub educativo para quem quer entender melhor a rotina financeira, contábil e operacional de uma empresa.

Neste artigo você vai entender

O que é conciliação bancária?

Conciliação bancária é a conferência entre o que está registrado no controle financeiro da empresa e o que aparece no extrato bancário oficial.

Em outras palavras, é comparar aquilo que a empresa acredita que recebeu ou pagou com aquilo que realmente entrou ou saiu da conta bancária.

Por exemplo: se o seu controle financeiro mostra que um cliente pagou R$ 1.000 por Pix, a conciliação bancária confirma se esse valor realmente entrou na conta da empresa, na data correta e com identificação adequada.

O mesmo vale para pagamentos a fornecedores, impostos, tarifas bancárias, boletos, TEDs, saques, compras no cartão empresarial e transferências entre contas.

Para que serve a conciliação bancária?

A conciliação bancária serve para garantir que o controle financeiro da empresa esteja correto e que o saldo informado pelo banco seja compatível com os registros internos.

Ela ajuda a empresa a:

  • confirmar recebimentos de clientes;
  • identificar pagamentos não registrados;
  • encontrar tarifas bancárias esquecidas;
  • corrigir lançamentos duplicados;
  • conferir Pix, TEDs, boletos e transferências;
  • evitar erro no fluxo de caixa;
  • organizar documentos para a contabilidade;
  • reduzir riscos de fraude ou desvio;
  • tomar decisões com base em saldo real.

Para empresas que usam muitos pagamentos instantâneos, veja também Pix para empresas: como funciona e quais os cuidados.

Como funciona a conciliação bancária?

A conciliação bancária funciona comparando duas bases de informação:

Base de informaçãoO que contémExemplo
Extrato bancárioMovimentações reais registradas pelo banco.Pix recebido, TED enviada, tarifa, saque, boleto pago.
Controle financeiro internoRegistros feitos pela empresa em planilha ou sistema.Venda registrada, fornecedor a pagar, imposto lançado, despesa prevista.

A conciliação termina quando todos os lançamentos do extrato foram conferidos, classificados e comparados com o controle interno.

Se houver diferença entre os valores, datas ou saldos, a empresa precisa investigar e corrigir.

Para organizar corretamente o documento bancário, veja também extrato bancário para contabilidade: como organizar.

Como fazer conciliação bancária passo a passo

A conciliação bancária pode ser feita manualmente, em planilha, ou com apoio de sistemas financeiros. O mais importante é criar uma rotina de conferência.

1. Defina o período de análise

Escolha o período que será conciliado. Pode ser diário, semanal, quinzenal ou mensal, dependendo do volume de movimentações da empresa.

Para pequenos negócios, a conciliação mensal pode ser suficiente no início. Empresas com muitas vendas, Pix e boletos devem conferir com mais frequência.

2. Baixe o extrato bancário

Acesse o aplicativo, internet banking ou sistema da conta PJ e baixe o extrato do período selecionado.

Se possível, salve o extrato em PDF e também em formato compatível com sistemas financeiros, como OFX, quando disponível.

Se você ainda tem dúvidas sobre dados bancários, veja como descobrir agência, conta e código do banco.

3. Separe o controle financeiro interno

Abra sua planilha, sistema financeiro ou relatório interno com os lançamentos do mesmo período.

Esse controle deve mostrar receitas, despesas, fornecedores, clientes, impostos, transferências, tarifas, boletos, Pix, TEDs e demais movimentações.

4. Compare lançamento por lançamento

Confira se cada valor registrado no controle interno aparece também no extrato bancário.

Compare:

  • data;
  • valor;
  • descrição;
  • cliente ou fornecedor;
  • forma de pagamento;
  • status da transação;
  • comprovante, quando necessário.

5. Identifique divergências

Se algo aparece no banco, mas não está no controle interno, registre esse lançamento. Se algo está no controle interno, mas não aparece no banco, investigue se houve atraso, erro, agendamento, devolução ou cancelamento.

Para Pix e transferências, confira também se o comprovante está correto. Veja o guia comprovante Pix: onde encontrar e como emitir.

6. Faça os ajustes necessários

Corrija erros de digitação, inclua tarifas bancárias, registre pagamentos esquecidos, ajuste datas e classifique corretamente cada movimentação.

O objetivo não é alterar o extrato bancário, mas corrigir o controle interno para refletir a realidade da conta.

7. Valide o saldo final

Ao final da conferência, o saldo do controle interno deve bater com o saldo do extrato bancário.

Se ainda houver diferença, revise os lançamentos pendentes, valores duplicados, tarifas não registradas, pagamentos agendados e recebimentos não compensados.

Principais divergências encontradas na conciliação

Durante a conciliação bancária, é comum encontrar diferenças entre o extrato e o controle interno. A tabela abaixo mostra os casos mais frequentes.

DivergênciaO que pode significarComo resolver
Valor no banco, mas não no controleTarifa, pagamento esquecido, Pix recebido ou lançamento não registrado.Adicionar o lançamento ao controle interno e classificar corretamente.
Valor no controle, mas não no bancoPagamento agendado, boleto não compensado, Pix em análise ou TED não processada.Verificar status da transação e data de compensação.
Valor diferenteErro de digitação, desconto, juros, multa ou tarifa.Conferir comprovante, documento de cobrança e extrato.
Lançamento duplicadoRegistro repetido na planilha ou no sistema.Excluir ou ajustar o lançamento duplicado.
Pix não identificadoCliente pagou sem descrição ou com dados incompletos.Conferir comprovante, valor, data e identificação do pagador.
TED devolvidaDados bancários incorretos ou divergência de CPF/CNPJ.Conferir banco, agência, conta e titularidade.

Para entender diferenças de prazo entre Pix e TED, consulte quanto tempo demora uma TED e um Pix.

Exemplo prático de conciliação bancária

Imagine que a empresa tenha os seguintes registros no controle interno:

DataDescriçãoControle internoExtrato bancárioStatus
01/06Recebimento cliente AR$ 1.000,00R$ 1.000,00Conciliado
03/06Pagamento fornecedor BR$ 500,00R$ 500,00Conciliado
05/06Tarifa bancáriaNão registradoR$ 12,00Ajustar no controle
07/06Recebimento cliente CR$ 800,00Não apareceuVerificar pagamento

Nesse exemplo, os dois primeiros lançamentos estão conciliados. A tarifa bancária precisa ser registrada no controle interno. Já o recebimento do cliente C precisa ser investigado, pois pode ter sido agendado, cancelado, pago por outra conta ou ainda não identificado.

Conciliação bancária manual ou automática?

A conciliação bancária pode ser feita manualmente ou de forma automática. A escolha depende do tamanho da empresa, do volume de transações e da estrutura financeira disponível.

Tipo de conciliaçãoComo funcionaMelhor para
ManualComparação feita em planilha, olhando extrato e controle interno.MEI, prestadores de serviço e empresas com poucas movimentações.
SemiautomáticaUso de planilha ou sistema com importação de extrato.Pequenas empresas com volume moderado.
AutomáticaSistema integra banco, extrato e lançamentos financeiros.Empresas com muitas transações, Pix, boletos e múltiplas contas.

Empresas que querem automatizar parte da rotina financeira podem avaliar soluções com integração bancária. Para entender esse tema, veja Open Finance para empresas: vantagens e riscos.

De quanto em quanto tempo fazer conciliação bancária?

A frequência ideal depende do volume de movimentações da empresa. Quanto mais transações, maior deve ser a frequência da conciliação.

Perfil da empresaFrequência recomendadaMotivo
MEI com poucas movimentaçõesMensalAjuda a controlar faturamento e despesas.
Prestador de serviço com clientes recorrentesSemanal ou quinzenalFacilita a conferência de recebimentos e pagamentos.
Empresa com muitos Pix e boletosDiária ou semanalReduz risco de erro e pagamentos não identificados.
Empresa com equipe financeiraDiáriaMelhora controle de caixa e tomada de decisão.

O ponto principal é não deixar acumular. Quanto mais tempo sem conciliar, maior a chance de erro, esquecimento e dificuldade para identificar divergências.

Conciliação bancária e conta PJ

A conciliação bancária fica muito mais simples quando a empresa usa uma conta PJ separada da conta pessoal dos sócios.

Com uma conta empresarial, as movimentações do CNPJ ficam concentradas em um único extrato. Isso facilita a identificação de receitas, despesas, impostos, pagamentos, Pix, TEDs, boletos e tarifas bancárias.

Se a empresa mistura conta pessoal e empresarial, a conciliação fica mais difícil porque o extrato passa a ter compras pessoais, gastos domésticos, transferências particulares e despesas do negócio no mesmo lugar.

Para organizar essa separação, veja também:

Conciliação bancária e contabilidade

A conciliação bancária ajuda a contabilidade porque melhora a qualidade das informações financeiras da empresa. Quando os lançamentos estão conferidos, fica mais fácil classificar receitas, despesas, impostos, retiradas, reembolsos e pagamentos.

Com os dados conciliados, a empresa reduz erros e evita dúvidas como:

  • esse valor é receita ou transferência entre contas?
  • esse pagamento foi despesa da empresa ou gasto pessoal?
  • esse Pix tem nota fiscal correspondente?
  • esse boleto já foi pago?
  • esse valor entrou no mês certo?
  • esse lançamento está duplicado?

Sempre que houver dúvida sobre classificação, impostos ou documentos, vale consultar um contador.

Conciliação bancária, Pix e comprovantes

Empresas que recebem muitos pagamentos por Pix precisam ter atenção especial à conciliação bancária. O dinheiro pode cair rapidamente, mas nem sempre o lançamento vem com descrição clara.

Por isso, é importante conferir comprovantes, clientes, valores, datas e identificação da transação. Isso evita baixar um pagamento errado ou considerar como recebido um Pix que foi apenas agendado.

Para aprofundar esse ponto, leia também:

FAQ - Perguntas frequentes sobre conciliação bancária

1) O que é conciliação bancária?

Conciliação bancária é a comparação entre o extrato bancário da empresa e o controle financeiro interno, para verificar se todas as entradas e saídas estão corretas.

2) Para que serve a conciliação bancária?

Ela serve para confirmar recebimentos, identificar pagamentos não registrados, encontrar divergências, corrigir erros e garantir que o saldo interno bata com o saldo do banco.

3) Como fazer conciliação bancária?

Baixe o extrato bancário, separe o controle financeiro do mesmo período, compare lançamento por lançamento, identifique divergências, faça ajustes e valide o saldo final.

4) Conciliação bancária é obrigatória?

Ela não é uma obrigação isolada para todos os negócios, mas é uma prática essencial de controle financeiro e ajuda muito na organização contábil da empresa.

5) Qual a diferença entre conciliação bancária e fluxo de caixa?

Fluxo de caixa registra entradas e saídas previstas ou realizadas. Conciliação bancária compara esses registros com o extrato bancário para confirmar se tudo realmente aconteceu.

6) De quanto em quanto tempo fazer conciliação bancária?

Depende do volume de transações. Pode ser mensal para pequenos negócios, semanal para empresas com mais movimento e diária para negócios com muitos pagamentos.

7) MEI precisa fazer conciliação bancária?

É recomendável. Mesmo com rotina simplificada, o MEI deve controlar faturamento, despesas, Pix, pagamentos e comprovantes para evitar desorganização financeira.

8) Dá para fazer conciliação bancária em planilha?

Sim. Empresas pequenas podem começar com planilha. Conforme o volume cresce, sistemas financeiros e integrações bancárias podem facilitar o processo.

9) O que fazer quando o saldo não bate?

Revise lançamentos duplicados, tarifas, pagamentos não registrados, recebimentos pendentes, agendamentos, Pix em análise e possíveis erros de digitação.

10) Como a conta PJ ajuda na conciliação bancária?

A conta PJ concentra as movimentações da empresa em um extrato próprio, facilitando a conferência de receitas, despesas, impostos, Pix, TEDs e boletos.

Conclusão

A conciliação bancária é uma rotina essencial para manter as finanças da empresa organizadas. Ela compara o extrato bancário com o controle interno e ajuda a identificar erros, tarifas, lançamentos duplicados, pagamentos pendentes e recebimentos não confirmados.

Para pequenas empresas, MEIs e prestadores de serviço, a conciliação pode começar em uma planilha simples. Para negócios com maior volume de transações, sistemas financeiros e integrações bancárias podem trazer mais controle e agilidade.

Para entender como a conta empresarial se conecta à conciliação, veja também o guia completo Conta PJ: guia completo para movimentar e organizar as finanças da sua empresa.

Fale com nosso time de especialistas.

Continue sua leitura no Guia da Contabilidade.

Erico Azevedo

Escrito por:

Erico Azevedo

Empreendedor serial e CEO da Contabilidade.com, plataforma contábil completa para CNPJs. Também é sócio-fundador do Contbank, primeira solução de BPO e Gestão Financeira Simplificada com Inteligência Artificial e Open Finance. Em 2018, fundou a Wabbi Software, primeira plataforma contábil em nuvem do Brasil, posteriormente vendida à ContaAzul, onde se tornou sócio e acionista. Além da carreira empreendedora, é pesquisador, com Doutorado em Engenharia Elétrica pela UNICAMP e Doutorado em Psicologia pela PUC/SP. Autor de diversos livros e pesquisas sobre campos informacionais e intuição, é fundador da Associação Oriont, dedicada ao estudo da consciência. Editor e coautor do livro científico “Information Fields Theory and Applications: Quantum Communication in Physics and Biology” (Springer Nature, 2025) e autor de “Intuição: do mistério à maestria”, obra que conecta ciência, percepção e autoconhecimento. Com muita experiência na interseção entre tecnologia, finanças, psicologia e inovação, Erico Azevedo é referência em liderança, empreendedorismo e inovação organizacional no Brasil e no exterior.

Avalie este artigo

0.0

Compartilhe
Copiar link

Todas as Postagens

Ver todas as postagens
Abrir CNPJEngenheiro pode ser MEI? Descubra como abrir empresa

21/07/2026 | 39min 18s de leitura

Abrir CNPJEditor de Vídeo pode ser MEI? Descubra como abrir empresa

21/07/2026 | 28min 37s de leitura

Abrir CNPJDesenvolvedor pode ser MEI? Descubra como abrir empresa

21/07/2026 | 22min 48s de leitura

Abrir CNPJ Cuidador pode ser MEI? Descubra como abrir empresa

21/07/2026 | 20min 53s de leitura

FIQUE LIGADOAssine nossa newsletter com conteúdo exclusivo.

Informe seu e-mail e teste grátis!

Novo app de contabilidade disponível para iOS e Android

Sua tranquilidade nossas responsabilidade, projetamos sempre com inovação nossos produtos digitais e com as melhores tecnologias do mercado.

Ficou com alguma dúvida?

Preencha as informações ao lado que logo entraremos em contato com você.