PIS e COFINS: cumulativo x não cumulativo (e quando você tem crédito no Lucro Real)

PIS e COFINS: cumulativo x não cumulativo (e quando você tem crédito no Lucro Real)

Publicado em12/02/2026

Tempo leitura9min 11s

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PIS e COFINS são contribuições federais que incidem sobre o faturamento (receita bruta) das empresas. A forma de cálculo muda conforme o Regime Tributário — principalmente entre Lucro Presumido (regime cumulativo) e Lucro Real (regime não cumulativo).

Neste guia, você vai entender o que muda na prática, quando existe crédito no Lucro Real, quais despesas costumam gerar crédito e como avaliar qual regime pode fazer sentido para a sua empresa.

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O que são PIS e COFINS?

O PIS (Programa de Integração Social) e a COFINS (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) são tributos federais cobrados sobre a receita da empresa. Eles não são calculados sobre o lucro (como IRPJ e CSLL), mas sim sobre o faturamento.

Na prática, isso significa que mesmo empresas com margem apertada podem sentir o peso do PIS/COFINS — e é justamente por isso que entender cumulatividade e crédito no Lucro Real pode mudar o jogo no planejamento tributário.

Quadro comparativo: PIS/COFINS cumulativo x não cumulativo

CritérioRegime cumulativoRegime não cumulativo
Regime mais comumLucro PresumidoLucro Real
Alíquotas (regra geral)PIS 0,65% + COFINS 3% = 3,65%PIS 1,65% + COFINS 7,6% = 9,25%
IncidênciaSobre a receita brutaSobre a receita bruta
CréditosNão permite desconto de créditosPermite desconto de créditos sobre itens elegíveis
Quando tende a ser melhorEmpresas com poucas despesas creditáveis e operação mais simplesEmpresas com alto volume de compras/insumos/serviços elegíveis a crédito
ComplexidadeMais simplesMais técnica (regras de crédito + controles + escrituração)

PIS e COFINS no regime cumulativo (Lucro Presumido)

No cumulativo, a lógica é direta: aplica-se a alíquota sobre o faturamento e pronto. Não existe abatimento de créditos. Por isso, costuma ser um regime “mais fácil” de operar — mas pode ficar caro para empresas com muitos custos tributados.

Alíquotas do cumulativo

  • PIS: 0,65%
  • COFINS: 3%
  • Total: 3,65%

O ponto de atenção é que, mesmo que você tenha despesas relevantes (aluguéis, energia, prestadores, softwares, insumos), elas não geram crédito para reduzir PIS/COFINS no cumulativo.

PIS e COFINS no regime não cumulativo (Lucro Real)

No não cumulativo, as alíquotas são maiores, mas existe a possibilidade de reduzir o valor a pagar por meio de créditos. O que isso significa na prática? Você calcula PIS/COFINS sobre as receitas, e depois desconta créditos apurados sobre compras e despesas elegíveis.

Alíquotas do não cumulativo

  • PIS: 1,65%
  • COFINS: 7,6%
  • Total: 9,25%

Esse modelo tende a fazer mais sentido quando a empresa tem estrutura contábil organizada e um volume relevante de custos/despesas que realmente geram crédito.

Quando você tem crédito de PIS/COFINS no Lucro Real?

O crédito não é “genérico”: depende do tipo de gasto e da relação dele com a atividade da empresa. A discussão central costuma ser se o item é essencial/relevante para a operação (principalmente no caso de serviços).

Exemplos de itens que costumam aparecer na análise de crédito (a depender do caso):

  • Insumos ligados à atividade (materiais e serviços essenciais para produzir ou prestar o serviço)
  • Energia elétrica (quando aplicável)
  • Aluguéis (em hipóteses elegíveis)
  • Fretes vinculados à operação
  • Serviços de terceiros diretamente ligados à entrega do serviço/produto

Como a interpretação pode variar por atividade e documentação, sempre que possível, consulte um contador para validar o que é crédito “defensável” para o seu caso.

Exemplo simples: por que o crédito pode mudar o custo

Imagine uma empresa no Lucro Real com faturamento de R$ 100.000 no mês.

  • PIS/COFINS sobre receita (9,25%): R$ 9.250
  • Créditos elegíveis apurados no mês: R$ 3.500
  • PIS/COFINS a pagar: R$ 9.250 − R$ 3.500 = R$ 5.750

No cumulativo (Lucro Presumido), com as mesmas receitas, seria 3,65% sobre R$ 100.000 = R$ 3.650 — sem créditos. Por isso, o “melhor regime” não é automático: depende do conjunto completo (margem, custos, estrutura, IRPJ/CSLL, obrigações).

E no Simples Nacional?

Para empresas do Simples Nacional, PIS e COFINS não são apurados nesses formatos (cumulativo/não cumulativo) porque entram dentro do DAS.

Se a sua empresa está avaliando se o Simples ainda compensa, pode ajudar comparar com outros regimes dentro do tema regime de tributação.

Quando o não cumulativo tende a valer a pena?

O Lucro Real com PIS/COFINS não cumulativo tende a fazer sentido quando:

  • Existe alto volume de custos/despesas com potencial de crédito
  • Há necessidade de apurar lucro real por obrigação ou estratégia
  • A empresa tem controle financeiro e contábil consistente (documentos, centros de custo, conciliações)
  • A decisão faz parte de um desenho completo de tributos (não só PIS/COFINS)

Em geral, escolher o melhor regime é um exercício de planejamento dentro do Regime Tributário.

Erros comuns que fazem empresas “perderem dinheiro” com PIS/COFINS

  • Assumir que “Lucro Real sempre compensa” sem simular o cenário completo
  • Tomar crédito sem documentação e sem amarração com a atividade
  • Não organizar cadastros e escrituração (o que leva a crédito perdido ou risco fiscal)
  • Não revisar contratos e NFs (descrição, natureza do serviço, consistência)
  • Tratar PIS/COFINS isoladamente e ignorar IRPJ/CSLL e obrigações acessórias

FAQ – Perguntas frequentes sobre PIS e COFINS

1) Qual a principal diferença entre cumulativo e não cumulativo?
No cumulativo, você paga PIS/COFINS sobre a receita sem direito a créditos. No não cumulativo, você também paga sobre a receita, mas pode descontar créditos de compras/despesas elegíveis.

2) Quem está no Lucro Presumido sempre fica no cumulativo?
Na prática, é o mais comum: Lucro Presumido costuma seguir o regime cumulativo, com alíquota total de 3,65% e sem créditos.

3) Quem está no Lucro Real sempre fica no não cumulativo?
Em geral, sim: Lucro Real costuma seguir o regime não cumulativo, com alíquota total de 9,25% e possibilidade de créditos, conforme regras.

4) O que é “crédito” de PIS/COFINS?
É o valor que pode ser descontado do PIS/COFINS devido sobre as vendas, calculado com base em compras e despesas elegíveis dentro do regime não cumulativo.

5) Toda despesa dá crédito no Lucro Real?
Não. O crédito depende do tipo de gasto e da relação dele com a atividade. Por isso, a validação técnica é essencial.

6) Simples Nacional entra em qual regime?
Nenhum dos dois. No Simples, PIS/COFINS entram no DAS e não são apurados como cumulativo/não cumulativo.

7) Dá para escolher entre cumulativo e não cumulativo?
Não diretamente. A regra decorre do regime de tributação (Lucro Presumido x Lucro Real) e do enquadramento da empresa.

8) Vale a pena mudar para o Lucro Real só por causa do crédito?
Depende. O ideal é simular o cenário completo (PIS/COFINS + IRPJ/CSLL + obrigações). Em muitas empresas, a decisão faz sentido; em outras, aumenta custo e complexidade.

Conclusão

PIS e COFINS podem parecer simples no papel, mas a diferença entre cumulativo e não cumulativo muda o resultado no caixa — principalmente quando o Lucro Real permite crédito. O caminho certo é olhar para o conjunto do seu enquadramento e decidir dentro do Regime Tributário.

Quer mapear se você tem crédito e se o Lucro Real faria sentido? Fale com nosso time de especialistas.

Erico Azevedo

Escrito por:

Erico Azevedo

Empreendedor serial e CEO da Contabilidade.com, plataforma contábil completa para CNPJs. Também é sócio-fundador do Contbank, primeira solução de BPO e Gestão Financeira Simplificada com Inteligência Artificial e Open Finance. Em 2018, fundou a Wabbi Software, primeira plataforma contábil em nuvem do Brasil, posteriormente vendida à ContaAzul, onde se tornou sócio e acionista. Além da carreira empreendedora, é pesquisador, com Doutorado em Engenharia Elétrica pela UNICAMP e Doutorado em Psicologia pela PUC/SP. Autor de diversos livros e pesquisas sobre campos informacionais e intuição, é fundador da Associação Oriont, dedicada ao estudo da consciência. Editor e coautor do livro científico “Information Fields Theory and Applications: Quantum Communication in Physics and Biology” (Springer Nature, 2025) e autor de “Intuição: do mistério à maestria”, obra que conecta ciência, percepção e autoconhecimento. Com muita experiência na interseção entre tecnologia, finanças, psicologia e inovação, Erico Azevedo é referência em liderança, empreendedorismo e inovação organizacional no Brasil e no exterior.

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