Anexo I do Simples Nacional (Comércio): tabela, atividades, alíquotas e como calcular o DAS

Anexo I do Simples Nacional (Comércio): tabela, atividades, alíquotas e como calcular o DAS

Publicado em28/01/2026

Tempo leitura12min 49s

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O Anexo I do Simples Nacional é a tabela que define como empresas de comércio (lojas, mercados, e-commerce, bazares e negócios similares) calculam os tributos pagos no DAS — a guia única do regime. Ele funciona por faixas de faturamento e tem alíquotas progressivas, com valor a deduzir para chegar na alíquota efetiva.

Se você quer entender quanto sua empresa pode pagar, qual faixa se aplica e quais impostos entram no DAS, este guia te mostra a tabela completa do Anexo I, a fórmula de cálculo e pontos de atenção (como ICMS, substituição tributária e operações monofásicas).

Para ver o panorama completo de opções e escolher o regime mais adequado para o seu negócio, veja também este guia de Regime Tributário.

O que é o Anexo I do Simples Nacional

O Anexo I é a tabela do Simples Nacional aplicada às empresas de comércio. Ele define as faixas de receita bruta acumulada em 12 meses (RBT12), a alíquota nominal e o valor a deduzir para você calcular a alíquota efetiva do DAS.

Na prática, a empresa não “escolhe” o Anexo I: o enquadramento depende da atividade (CNAE) e da natureza do negócio (comércio). Se sua empresa exerce atividades mistas (ex.: comércio + serviço), pode haver divisão por anexos ou regras específicas. Nesses casos, vale consultar um contador.

Se você ainda está estruturando a empresa (ou vai abrir o CNPJ agora), veja o passo a passo completo: abertura de empresa.

Quais atividades entram no Anexo I (comércio)

Em geral, entram no Anexo I empresas que atuam com compra e revenda de mercadorias, como:

  • Lojas de roupas, calçados e acessórios
  • Mercados, minimercados e mercearias
  • Bazares e papelarias
  • E-commerces (venda online) e marketplaces
  • Comércio atacadista e varejista (conforme CNAE e regras do Simples)

O ponto-chave é: o enquadramento correto depende do CNAE e do que você realmente faz na operação. CNAE errado pode levar a tributação incorreta e risco fiscal.

Para entender o papel do contador na escolha de CNAE e enquadramento, veja como um contador ajuda sua empresa a pagar menos impostos.

Como calcular o DAS no Anexo I (alíquota efetiva)

O cálculo do DAS no Simples Nacional usa a receita bruta acumulada dos últimos 12 meses (RBT12). A tabela mostra a alíquota nominal e o valor a deduzir. Com isso, você calcula a alíquota efetiva:

Fórmula da alíquota efetiva

Alíquota efetiva (%) = (RBT12 × Alíquota nominal − Valor a deduzir) ÷ RBT12

Exemplo prático (simulação)

Imagine uma empresa de comércio com RBT12 de R$ 300.000. Ela cai na faixa de R$ 180.000,01 a R$ 360.000,00. Na tabela do Anexo I, a alíquota nominal é 7,30% e o valor a deduzir é R$ 5.940.

Alíquota efetiva = (300.000 × 0,073 − 5.940) ÷ 300.000
Alíquota efetiva = (21.900 − 5.940) ÷ 300.000 = 15.960 ÷ 300.000 = 0,0532
Logo, a alíquota efetiva aproximada é 5,32%.

Depois, você aplica a alíquota efetiva sobre o faturamento do mês para estimar o DAS. Em operações reais, pode haver ajustes e particularidades (ex.: ICMS-ST, monofásico, diferencial de alíquotas etc.), então o ideal é validar com contabilidade.

Se você quer comparar com outros regimes, estes artigos ajudam: Lucro Presumido e Lucro Real.

Tabela do Anexo I do Simples Nacional

A tabela abaixo organiza as faixas de receita bruta em 12 meses, a alíquota nominal e o valor a deduzir para cálculo da alíquota efetiva.

FaixaReceita bruta em 12 meses (R$)Alíquota nominalValor a deduzir (R$)
Até 180.000,004,00%
De 180.000,01 a 360.000,007,30%5.940,00
De 360.000,01 a 720.000,009,50%13.860,00
De 720.000,01 a 1.800.000,0010,70%22.500,00
De 1.800.000,01 a 3.600.000,0014,30%87.300,00
De 3.600.000,01 a 4.800.000,0019,00%378.000,00

Quer ver a tabela completa do Simples Nacional em um único lugar (todos os anexos + explicações)? Veja: tabela do Simples Nacional completa.

Percentual de repartição dos tributos no Anexo I

O DAS é uma guia única, mas internamente ele representa a soma de tributos federais, estaduais e previdenciários. A tabela abaixo indica a repartição (como o percentual do DAS é distribuído entre os tributos) conforme a faixa.

FaixaCPPCSLLICMSIRPJCofinsPIS/Pasep
41,50%3,50%34,00%5,50%12,74%2,76%
41,50%3,50%34,00%5,50%12,74%2,76%
42,00%3,50%33,50%5,50%12,74%2,76%
42,00%3,50%33,50%5,50%12,74%2,76%
42,00%3,50%33,50%5,50%12,74%2,76%
42,10%10,00%13,50%28,27%6,13%

Importante: você não precisa separar esses tributos para pagar — isso é apenas uma referência de composição dentro do DAS.

Pontos de atenção: ICMS, substituição tributária e monofásico

No comércio, o cálculo “de tabela” pode não representar exatamente o custo tributário real em todas as situações. Três temas costumam exigir atenção:

1) ICMS e substituição tributária (ICMS-ST)

Dependendo do tipo de mercadoria e do estado, pode haver ICMS recolhido por substituição tributária, o que altera a dinâmica de recolhimento em parte da cadeia. Em muitos casos, isso impacta precificação e margem.

2) Produtos monofásicos (PIS e Cofins)

Alguns produtos têm PIS/Cofins recolhidos de forma concentrada em etapas específicas da cadeia (monofásico). Isso pode influenciar a análise tributária e a forma de apuração/benefícios aplicáveis.

3) Operações interestaduais e DIFAL

Em vendas para outros estados (principalmente no e-commerce), pode existir impacto do diferencial de alíquotas, conforme regras aplicáveis à operação e ao destinatário.

Por isso, quando o objetivo é “pagar menos imposto dentro da lei”, o correto é olhar o cenário completo com apoio contábil: consulte um contador.

Anexo I x Lucro Presumido: quando comparar

Para muitas empresas de comércio, o Simples Nacional pode ser uma opção eficiente pela simplicidade e pela guia única. Mas comparar com Lucro Presumido faz sentido quando:

  • a empresa está em faixas mais altas e a alíquota efetiva aumenta;
  • há particularidades de ICMS, margens e operações interestaduais;
  • o negócio tem estrutura e margem que podem se beneficiar de outra forma de tributação.

Para aprofundar, veja: diferenças entre Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real.

Antigo Anexo I do Simples Nacional

A tabela abaixo é uma referência histórica do Anexo I antes da alteração. Ela pode ser útil para comparações e conferência de informações antigas, mas não deve ser usada para calcular o DAS atual.

Antigo Anexo I do Simples Nacional

A tabela abaixo é uma referência histórica do Anexo I antes da alteração. Ela pode ser útil para comparações e conferência de informações antigas, mas não deve ser usada para calcular o DAS atual.

Ver tabela do Antigo Anexo I
CPPCSLLICMSIRPJCofinsPIS/PasepAlíquota totalReceita bruta em 12 meses (R$)
2,75%0,00%1,25%0,00%0,00%0,00%4,00%Até 180.000,00
2,75%0,00%1,86%0,00%0,86%0,00%5,47%De 180.000,01 a 360.000,00
2,75%0,31%2,33%0,27%0,95%0,23%6,84%De 360.000,01 a 540.000,00
2,99%0,35%2,56%0,35%1,04%0,25%7,54%De 540.000,01 a 720.000,00
3,02%0,35%2,58%0,35%1,05%0,25%7,60%De 720.000,01 a 900.000,00
3,28%0,38%2,82%0,38%1,15%0,27%8,28%De 900.000,01 a 1.080.000,00
3,30%0,39%2,84%0,39%1,16%0,28%8,36%De 1.080.000,01 a 1.260.000,00
3,35%0,39%2,87%0,39%1,17%0,28%8,45%De 1.260.000,01 a 1.440.000,00
3,57%0,42%3,07%0,42%1,25%0,30%9,03%De 1.440.000,01 a 1.620.000,00
3,60%0,43%3,10%0,43%1,26%0,30%9,12%De 1.620.000,01 a 1.800.000,00
3,94%0,46%3,38%0,46%1,38%0,33%9,95%De 1.800.000,01 a 1.980.000,00
3,99%0,46%3,41%0,46%1,39%0,33%10,04%De 1.980.000,01 a 2.160.000,00
4,01%0,47%3,45%0,47%1,40%0,33%10,13%De 2.160.000,01 a 2.340.000,00
4,05%0,47%3,48%0,47%1,42%0,34%10,23%De 2.340.000,01 a 2.520.000,00
4,08%0,48%3,51%0,48%1,43%0,34%10,32%De 2.520.000,01 a 2.700.000,00
4,44%0,52%3,82%0,52%1,56%0,37%11,23%De 2.700.000,01 a 2.880.000,00
4,49%0,52%3,85%0,52%1,57%0,37%11,32%De 2.880.000,01 a 3.060.000,00
4,52%0,53%3,88%0,53%1,58%0,38%11,42%De 3.060.000,01 a 3.240.000,00
4,56%0,53%3,91%0,53%1,60%0,38%11,51%De 3.240.000,01 a 3.420.000,00
4,60%0,54%3,95%0,54%1,60%0,38%11,61%De 3.420.000,01 a 3.600.000,00

FAQ - Perguntas frequentes sobre o Anexo I do Simples Nacional

1) O Anexo I é só para comércio?
Em regra, sim: o Anexo I é direcionado a atividades de comércio. Se sua empresa presta serviços junto com comércio, o enquadramento pode envolver mais de um anexo ou regras específicas.

2) Quais impostos entram no DAS do Anexo I?
No Anexo I, o DAS inclui tributos como IRPJ, CSLL, PIS/Pasep, Cofins, CPP e ICMS (com regras específicas em algumas situações).

3) Como descubro minha faixa do Anexo I?
A faixa é definida pela receita bruta acumulada em 12 meses (RBT12). Com esse número, você identifica a faixa e calcula a alíquota efetiva usando a fórmula do Simples.

4) O que é “valor a deduzir” na tabela?
É um mecanismo do Simples para transformar a alíquota nominal em alíquota efetiva, evitando saltos bruscos de carga tributária ao mudar de faixa.

5) Preciso de contador para apurar o Simples Nacional?
Para empresas (não MEI), a contabilidade é essencial para manter conformidade, apurar corretamente e aproveitar regras aplicáveis. Se quiser suporte consultivo: fale com nosso time de especialistas.

Conclusão

O Anexo I do Simples Nacional concentra a tributação das empresas de comércio em uma tabela por faixas, com alíquota nominal e valor a deduzir para cálculo da alíquota efetiva do DAS. Para tomar decisão com segurança, o ideal é cruzar CNAE, faturamento, operação (ICMS, ST, monofásico) e objetivos do negócio.

Se você quer validar o melhor caminho e estruturar tudo corretamente, fale com a gente: fale com nosso time de especialistas.

E para entender como esse tema se conecta com a escolha geral de impostos, veja o guia completo de Regime Tributário.

Erico Azevedo

Escrito por:

Erico Azevedo

Empreendedor serial e CEO da Contabilidade.com, plataforma contábil completa para CNPJs. Também é sócio-fundador do Contbank, primeira solução de BPO e Gestão Financeira Simplificada com Inteligência Artificial e Open Finance. Em 2018, fundou a Wabbi Software, primeira plataforma contábil em nuvem do Brasil, posteriormente vendida à ContaAzul, onde se tornou sócio e acionista. Além da carreira empreendedora, é pesquisador, com Doutorado em Engenharia Elétrica pela UNICAMP e Doutorado em Psicologia pela PUC/SP. Autor de diversos livros e pesquisas sobre campos informacionais e intuição, é fundador da Associação Oriont, dedicada ao estudo da consciência. Editor e coautor do livro científico “Information Fields Theory and Applications: Quantum Communication in Physics and Biology” (Springer Nature, 2025) e autor de “Intuição: do mistério à maestria”, obra que conecta ciência, percepção e autoconhecimento. Com muita experiência na interseção entre tecnologia, finanças, psicologia e inovação, Erico Azevedo é referência em liderança, empreendedorismo e inovação organizacional no Brasil e no exterior.

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