Como precificar produtos e serviços: guia completo para calcular o preço de venda e aumentar a lucratividade

Saber como precificar produtos e serviços é essencial para garantir que cada venda cubra os custos do negócio, pague as despesas, gere lucro e...

Publicado em27/07/2026

Atualizado em27/07/2026

Tempo leitura38min 10s

PorNathália Perin

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Como precificar produtos e serviços: guia completo para calcular o preço de venda e aumentar a lucratividade

Saber como precificar produtos e serviços é essencial para garantir que cada venda cubra os custos do negócio, pague as despesas, gere lucro e permita que a empresa cresça.

O preço não deve ser definido apenas com base no valor cobrado pelos concorrentes, em uma margem escolhida aleatoriamente ou na quantia que o empreendedor acredita que o cliente esteja disposto a pagar.

Uma precificação correta considera custos diretos, despesas fixas, despesas variáveis, impostos, comissões, tempo de trabalho, capacidade produtiva, margem de lucro e posicionamento no mercado.

Quando esses elementos não entram na conta, a empresa pode vender bastante e, mesmo assim, terminar o mês sem dinheiro. Para compreender melhor os conceitos financeiros usados nesse processo, consulte também o Guia da Contabilidade.

Neste guia, você aprenderá como calcular o preço de venda de produtos e serviços, como usar markup e margem de contribuição, quanto cobrar por hora, quais erros diminuem a lucratividade e como validar o preço com o mercado.

O que você verá neste artigo

O que é precificação?

Precificação é o processo de calcular e definir quanto será cobrado por um produto ou serviço.

O objetivo é encontrar um preço capaz de:

  • cobrir os custos da produção ou da prestação do serviço;
  • pagar as despesas da empresa;
  • recolher corretamente os impostos;
  • remunerar o trabalho dos sócios;
  • gerar lucro;
  • manter o negócio competitivo;
  • financiar investimentos e crescimento.

A formação de preço não é apenas um cálculo matemático.

O valor final também depende do posicionamento da marca, da concorrência, da qualidade da entrega, do público atendido e do benefício percebido pelo cliente.

Por isso, o cálculo financeiro define o preço mínimo sustentável, enquanto a análise de mercado ajuda a definir o preço comercial mais adequado.

Por que precificar corretamente é tão importante?

Um preço mal calculado pode comprometer a empresa mesmo quando há muitas vendas.

Quando o preço fica abaixo do necessário, cada venda pode aumentar o faturamento sem aumentar o lucro. Em situações mais graves, a empresa perde dinheiro a cada produto vendido ou serviço realizado.

Por outro lado, um preço muito alto, sem diferenciais que justifiquem o valor, pode afastar clientes e reduzir o volume de vendas.

Preço baixo não significa necessariamente maior competitividade

Uma empresa que cobra abaixo dos seus custos pode atrair clientes temporariamente, mas terá dificuldades para:

  • manter a qualidade;
  • cumprir prazos;
  • investir em tecnologia;
  • contratar profissionais;
  • formar capital de giro;
  • criar uma reserva financeira;
  • crescer de forma sustentável.

Em muitos casos, o problema não é a falta de vendas. A empresa pode faturar muito e lucrar pouco justamente porque seus preços não cobrem todos os gastos.

Qual é a diferença entre preço, custo e valor?

Preço, custo e valor são conceitos relacionados, mas não representam a mesma coisa.

ConceitoO que significa?Exemplo
CustoQuanto a empresa gasta para produzir ou entregarMaterial, mercadoria, mão de obra e frete
PreçoQuanto o cliente paga pelo produto ou serviçoR$ 150 cobrados por uma consultoria
ValorBenefício percebido pelo clienteEconomia de tempo, segurança ou resultado gerado

O custo é interno e pode ser medido pela empresa.

O preço é uma decisão comercial.

Já o valor depende da percepção do cliente sobre a utilidade, a qualidade e os resultados da entrega.

Um serviço pode custar R$ 500 para ser executado, ser vendido por R$ 1.000 e gerar uma economia de R$ 10 mil para o cliente.

Nesse caso, o preço é superior ao custo, mas ainda pode ser considerado baixo diante do valor entregue.

Veja mais detalhes em preço x valor: qual é a diferença.

O que deve entrar na formação do preço?

Para calcular corretamente, a empresa precisa conhecer todos os componentes que consomem sua receita.

ElementoExemplos
Custos diretosMercadoria, matéria-prima, embalagem, mão de obra aplicada e materiais
Despesas fixasAluguel, sistemas, internet, contabilidade, pró-labore e estrutura
Despesas variáveisTaxas de cartão, comissões, fretes e tarifas vinculadas à venda
ImpostosDAS, ISS e demais tributos incidentes sobre a receita
Perdas e imprevistosDesperdícios, inadimplência, devoluções, retrabalho e garantias
Margem de lucroPercentual destinado ao resultado e crescimento da empresa

Também devem ser avaliados:

  • volume esperado de vendas;
  • capacidade produtiva;
  • sazonalidade;
  • prazo de pagamento;
  • necessidade de capital de giro;
  • posicionamento da empresa;
  • preços praticados pelo mercado;
  • valor percebido pelo público.

Qual é a diferença entre custos e despesas?

Os custos estão diretamente relacionados à produção do produto ou à execução do serviço.

As despesas estão ligadas à administração, comercialização e manutenção da empresa.

Exemplos de custos

  • mercadoria comprada para revenda;
  • matéria-prima;
  • embalagem;
  • material utilizado em um atendimento;
  • profissional terceirizado contratado para um projeto;
  • horas de trabalho destinadas à entrega;
  • frete de aquisição.

Exemplos de despesas

  • aluguel do escritório;
  • contabilidade;
  • internet;
  • sistemas administrativos;
  • marketing;
  • tarifas bancárias;
  • pró-labore;
  • material administrativo.

A classificação pode variar conforme o tipo de negócio.

O salário de um profissional que executa diretamente o serviço pode ser tratado como custo. Já o salário de uma pessoa que atua apenas na administração costuma ser classificado como despesa.

O que são custos fixos e variáveis?

Outra classificação importante separa os gastos entre fixos e variáveis.

Custos e despesas fixas

São gastos que não mudam imediatamente conforme o volume vendido.

Exemplos:

  • aluguel;
  • mensalidade da contabilidade;
  • software;
  • salários fixos;
  • pró-labore;
  • internet;
  • seguros;
  • assinaturas.

Eles continuam existindo mesmo em um mês com poucas vendas.

Custos e despesas variáveis

São gastos que surgem ou aumentam conforme as vendas.

Exemplos:

  • mercadoria vendida;
  • matéria-prima;
  • embalagens;
  • comissões;
  • taxas de cartão;
  • frete da venda;
  • impostos calculados sobre o faturamento;
  • licenças pagas por usuário ou operação.

Entenda essa classificação no guia sobre custos fixos e variáveis.

O que é margem de lucro?

A margem de lucro indica qual percentual do preço de venda sobra como lucro depois que os custos e despesas são pagos.

A fórmula é:

Margem de lucro = (lucro ÷ receita) × 100.

Exemplo

Considere uma venda de R$ 1.000 com custo e despesas totais de R$ 800.

O lucro é:

R$ 1.000 − R$ 800 = R$ 200.

A margem de lucro será:

(R$ 200 ÷ R$ 1.000) × 100 = 20%.

Margem de lucro não é o percentual acrescentado ao custo

Considere um produto com custo de R$ 100 vendido por R$ 120.

O acréscimo sobre o custo foi de 20%.

Entretanto, a margem sobre o preço de venda é:

R$ 20 ÷ R$ 120 = 16,67%.

Essa diferença é importante para não superestimar a rentabilidade.

Confira como calcular e interpretar a margem de lucro.

O que é markup?

Markup é um índice multiplicador aplicado sobre o custo para formar o preço de venda.

Ele considera os percentuais que serão consumidos por despesas variáveis, despesas fixas proporcionais, impostos e lucro.

A fórmula do markup divisor é:

Markup divisor = 1 − (percentuais de despesas, impostos e lucro).

Depois:

Preço de venda = custo unitário ÷ markup divisor.

Exemplo de markup

Considere:

  • custo do produto: R$ 50;
  • impostos: 6%;
  • comissão: 5%;
  • despesas fixas proporcionais: 15%;
  • margem desejada: 20%.

A soma dos percentuais é:

6% + 5% + 15% + 20% = 46%.

O markup divisor será:

1 − 0,46 = 0,54.

O preço será:

R$ 50 ÷ 0,54 = R$ 92,59.

Também é possível calcular o markup multiplicador:

1 ÷ 0,54 = 1,8519.

Assim:

R$ 50 × 1,8519 = R$ 92,59.

Veja todas as etapas em markup: o que é e como calcular.

O que é margem de contribuição?

A margem de contribuição mostra quanto sobra de cada venda depois de descontar os custos e despesas variáveis.

Essa sobra ajuda a pagar os gastos fixos e, depois que eles são cobertos, forma o lucro.

A fórmula em reais é:

Margem de contribuição = preço de venda − custos variáveis − despesas variáveis.

A fórmula percentual é:

Margem de contribuição percentual = margem de contribuição ÷ preço de venda × 100.

Exemplo

Considere:

  • preço de venda: R$ 200;
  • custo variável: R$ 80;
  • imposto: R$ 12;
  • comissão: R$ 8.

A margem de contribuição será:

R$ 200 − R$ 80 − R$ 12 − R$ 8 = R$ 100.

Em percentual:

R$ 100 ÷ R$ 200 × 100 = 50%.

Cada venda contribui com R$ 100 para pagar os custos fixos e gerar lucro.

Aprofunde o cálculo no conteúdo sobre margem de contribuição.

O que é ponto de equilíbrio?

O ponto de equilíbrio indica quanto a empresa precisa vender para cobrir todos os custos e despesas sem gerar lucro nem prejuízo.

A fórmula simplificada é:

Ponto de equilíbrio em faturamento = custos e despesas fixas ÷ margem de contribuição percentual.

Exemplo

Considere uma empresa com:

  • custos e despesas fixas: R$ 10.000;
  • margem de contribuição: 40%.

O ponto de equilíbrio será:

R$ 10.000 ÷ 0,40 = R$ 25.000.

A empresa precisa faturar R$ 25 mil para pagar todos os seus gastos.

Somente as vendas realizadas acima desse valor começarão a formar lucro, considerando as premissas utilizadas.

Veja como calcular o ponto de equilíbrio da empresa.

Como precificar produtos e serviços?

O processo pode ser organizado em dez etapas.

1. Liste todos os produtos e serviços

Não utilize uma margem única sem avaliar as características de cada entrega.

Produtos podem ter custos, giro, perdas e concorrência diferentes.

Serviços podem exigir níveis distintos de conhecimento, tempo, responsabilidade e suporte.

2. Identifique os custos diretos

Calcule quanto é consumido especificamente em cada venda.

Inclua:

  • mercadoria;
  • matéria-prima;
  • embalagem;
  • frete de aquisição;
  • mão de obra direta;
  • material aplicado;
  • terceirização;
  • deslocamento específico.

3. Levante as despesas fixas

Some todos os gastos necessários para manter a empresa aberta durante o mês.

4. Estime o volume de vendas

As despesas fixas precisam ser distribuídas entre as vendas ou horas produtivas.

Uma estimativa excessivamente otimista reduz artificialmente o custo de cada venda.

5. Calcule as despesas variáveis

Inclua taxas, comissões, impostos e outros percentuais vinculados ao faturamento.

6. Defina a margem desejada

A margem precisa ser suficiente para remunerar o risco, financiar investimentos e formar reservas.

7. Aplique a fórmula adequada

Produtos costumam utilizar custo unitário e markup.

Serviços podem utilizar custo da hora, tempo de execução, custos diretos e margem.

8. Compare com o mercado

O preço calculado precisa ser confrontado com concorrentes que entreguem nível semelhante de qualidade e resultado.

9. Analise o valor percebido

Considere diferenciais que permitem cobrar acima da média.

10. Teste e revise

Preços precisam ser acompanhados e atualizados conforme os custos, impostos, demanda e posicionamento mudam.

Para uma versão concentrada no cálculo, veja como calcular o preço de venda.

Como precificar um produto?

Na precificação de produtos, o ponto de partida é o custo unitário de aquisição ou produção.

Produto comprado para revenda

O custo pode incluir:

  • valor pago ao fornecedor;
  • frete de entrada;
  • seguro;
  • embalagem;
  • impostos não recuperáveis;
  • taxas de importação;
  • perdas médias;
  • outros gastos necessários para disponibilizar o item.

Produto fabricado

O custo pode incluir:

  • matéria-prima;
  • embalagens;
  • mão de obra direta;
  • energia aplicada na produção;
  • desgaste e manutenção de equipamentos;
  • perdas e desperdícios;
  • controle de qualidade;
  • custos de fabricação.

Fórmula de precificação de produto

Uma fórmula possível é:

Preço de venda = custo unitário ÷ [1 − (despesas variáveis + despesas fixas proporcionais + margem desejada)].

Os percentuais devem ser transformados em números decimais.

Exemplo de precificação de produto

Considere uma empresa que vende um produto com os seguintes dados:

ComponenteValor ou percentual
MercadoriaR$ 40,00
Frete de entrada por unidadeR$ 4,00
EmbalagemR$ 2,00
Custo total unitárioR$ 46,00
Impostos6%
Taxa de cartão3%
Comissão5%
Despesas fixas proporcionais16%
Margem de lucro desejada20%

Primeiro, somamos os percentuais:

6% + 3% + 5% + 16% + 20% = 50%.

O divisor será:

1 − 0,50 = 0,50.

O preço de venda será:

R$ 46 ÷ 0,50 = R$ 92.

Conferência do preço

Destino do preçoValor
Custo do produtoR$ 46,00
Impostos, cartão e comissão — 14%R$ 12,88
Despesas fixas — 16%R$ 14,72
Lucro — 20%R$ 18,40
Preço totalR$ 92,00

E se o mercado cobrar R$ 70?

Esse resultado indica que a empresa precisa investigar:

  • se possui custos acima dos concorrentes;
  • se estimou um volume de vendas muito baixo;
  • se consegue negociar com fornecedores;
  • se deve reduzir gastos;
  • se o produto possui diferenciais suficientes para cobrar mais;
  • se a margem desejada é compatível com a estratégia;
  • se vale a pena continuar oferecendo aquele item.

O preço do concorrente não deve ser copiado automaticamente.

Como precificar um serviço?

Na prestação de serviços, o principal recurso costuma ser o tempo.

Entretanto, cobrar apenas pelas horas visíveis de execução pode gerar prejuízo.

O preço deve considerar:

  • tempo de preparação;
  • reuniões;
  • atendimento;
  • execução;
  • revisões;
  • deslocamento;
  • gestão do projeto;
  • suporte após a entrega;
  • custos diretos;
  • impostos;
  • margem de lucro.

Fórmula básica para serviços

Uma fórmula simplificada é:

Preço-base do serviço = custo da hora × horas necessárias + custos diretos.

Depois, devem ser incorporados impostos, despesas variáveis, risco e margem de lucro.

Outra fórmula possível é:

Preço final = custo-base ÷ [1 − (impostos + despesas variáveis + margem desejada)].

Como calcular o valor da hora de trabalho?

O valor da hora deve cobrir a estrutura do negócio e a remuneração do profissional.

A fórmula inicial é:

Custo da hora = custos e despesas mensais ÷ horas produtivas mensais.

Podem entrar nos gastos mensais:

  • pró-labore desejado;
  • aluguel;
  • contabilidade;
  • internet;
  • sistemas;
  • marketing;
  • assistentes;
  • equipamentos;
  • seguros;
  • treinamentos;
  • reservas para férias e períodos sem trabalho.

Exemplo do custo da hora

Considere:

  • pró-labore desejado: R$ 6.000;
  • despesas mensais: R$ 3.000;
  • reserva para férias, equipamentos e imprevistos: R$ 1.000;
  • total: R$ 10.000;
  • horas produtivas: 100 horas.

O custo da hora será:

R$ 10.000 ÷ 100 = R$ 100.

Esse valor ainda não representa necessariamente o preço final ao cliente.

Sobre ele podem incidir impostos, custos específicos e margem de lucro.

Para aprofundar o tema, veja quanto cobrar pelos seus serviços.

O que são horas produtivas?

Horas produtivas são aquelas que podem ser efetivamente vendidas ou vinculadas a serviços cobrados dos clientes.

Um profissional pode trabalhar 160 horas por mês, mas não significa que consiga faturar todas elas.

Parte do tempo é utilizada em:

  • prospecção;
  • reuniões internas;
  • administração;
  • emissão de notas;
  • estudo;
  • marketing;
  • organização financeira;
  • intervalos;
  • deslocamentos não cobrados;
  • retrabalho.

Por que não dividir por 160 horas automaticamente?

Considere despesas mensais de R$ 10 mil.

Ao dividir por 160 horas, o custo seria de R$ 62,50.

Entretanto, se apenas 100 horas forem faturáveis, o custo real será de R$ 100.

Cobrar com base em R$ 62,50 deixaria parte da estrutura sem cobertura.

Exemplo de precificação de serviço

Considere uma consultoria com os seguintes dados:

ComponenteValor
Custo da horaR$ 100
Horas de diagnóstico2 horas
Horas de execução8 horas
Reuniões e apresentação2 horas
Total de horas12 horas
DeslocamentoR$ 150
Ferramenta específicaR$ 50

O custo-base será:

12 × R$ 100 = R$ 1.200.

Somando os custos diretos:

R$ 1.200 + R$ 150 + R$ 50 = R$ 1.400.

Considere agora:

  • impostos: 6%;
  • taxa de pagamento: 2%;
  • margem de lucro desejada: 25%.

A soma é de 33%.

O divisor será:

1 − 0,33 = 0,67.

O preço final será:

R$ 1.400 ÷ 0,67 = R$ 2.089,55.

O profissional pode arredondar comercialmente para R$ 2.090 ou R$ 2.100, desde que preserve a margem.

Preço fechado ou cobrança por hora?

ModeloQuando pode funcionar melhor?
Por horaEscopo incerto, consultoria contínua ou demanda variável
Por projetoEscopo, prazo e entregáveis definidos
MensalidadeServiços recorrentes e previsíveis
Por resultadoQuando o resultado pode ser medido e atribuído ao trabalho
PacotesQuando há diferentes níveis de entrega e suporte

Mesmo quando o serviço é vendido por projeto ou mensalidade, o cálculo interno das horas continua importante.

Como incluir os impostos no preço?

Os impostos incidentes sobre a receita devem entrar na formação do preço.

O percentual depende de fatores como:

  • regime tributário;
  • atividade exercida;
  • CNAE;
  • faturamento acumulado;
  • anexo do Simples Nacional;
  • Fator R;
  • retenções;
  • município;
  • tipo de cliente.

Exemplo

Uma empresa precisa receber R$ 1.000 líquidos para cobrir custos e margem.

Se o imposto for de 6%, não basta acrescentar R$ 60 ao valor.

A fórmula correta para que R$ 1.000 representem 94% do preço é:

R$ 1.000 ÷ 0,94 = R$ 1.063,83.

O imposto de 6% será de aproximadamente R$ 63,83, restando R$ 1.000.

Use uma alíquota realista

Empresas do Simples Nacional não devem utilizar automaticamente 6% em todas as simulações.

A alíquota efetiva pode variar conforme a atividade e o faturamento.

Sempre que possível, consulte um contador para identificar a carga tributária que realmente deve entrar no preço.

Como distribuir as despesas fixas no preço?

As despesas fixas podem ser distribuídas de maneiras diferentes.

Percentual sobre o faturamento

Considere:

  • despesas fixas mensais: R$ 15.000;
  • faturamento esperado: R$ 75.000.

O percentual será:

R$ 15.000 ÷ R$ 75.000 × 100 = 20%.

Esse percentual pode ser utilizado como referência na formação dos preços.

Rateio por unidade

Considere:

  • despesas fixas: R$ 15.000;
  • vendas esperadas: 1.000 unidades.

O rateio será:

R$ 15.000 ÷ 1.000 = R$ 15 por unidade.

Rateio por hora produtiva

Mais comum em serviços:

  • despesas mensais: R$ 15.000;
  • horas produtivas: 150.

O custo será:

R$ 15.000 ÷ 150 = R$ 100 por hora.

Cuidado com o volume estimado

Se a empresa estimar 1.000 vendas, mas realizar apenas 500, cada unidade terá absorvido menos despesa fixa do que deveria.

Por isso, a projeção deve ser realista e revisada com frequência.

Como analisar o preço dos concorrentes?

A análise dos concorrentes serve para validar o preço, não para substituir o cálculo.

Compare empresas realmente semelhantes em:

  • qualidade;
  • público;
  • localização;
  • prazo;
  • experiência;
  • garantias;
  • nível de suporte;
  • escopo;
  • marca;
  • modelo de atendimento.

Seu preço ficou acima da concorrência

Isso pode indicar:

  • custos elevados;
  • ineficiência operacional;
  • volume de vendas baixo;
  • margem incompatível com o mercado;
  • serviço mais completo;
  • posicionamento premium;
  • comparação com concorrentes inadequados.

Seu preço ficou abaixo da concorrência

Isso pode representar:

  • vantagem de custo;
  • maior produtividade;
  • estrutura mais enxuta;
  • margem baixa demais;
  • esquecimento de despesas;
  • oportunidade para aumentar o preço.

Não reduza o valor apenas para acompanhar o concorrente.

Uma disputa baseada exclusivamente em preço pode se transformar em uma guerra de preços que prejudica todo o mercado.

Como o valor percebido interfere no preço?

Valor percebido é a avaliação que o cliente faz sobre os benefícios da compra.

Ele pode aumentar quando a empresa oferece:

  • mais rapidez;
  • maior conveniência;
  • especialização;
  • personalização;
  • atendimento superior;
  • garantia;
  • redução de risco;
  • economia de tempo;
  • resultado mensurável;
  • marca reconhecida;
  • experiência diferenciada.

Exemplo em serviços

Dois profissionais podem gastar o mesmo número de horas em uma consultoria.

Entretanto, aquele que possui maior experiência, metodologia validada e capacidade de gerar um resultado melhor pode cobrar mais.

O cliente não está comprando somente horas. Ele está comprando conhecimento, segurança e resultado.

Precificação baseada em valor

Nesse método, o preço considera o benefício econômico ou estratégico produzido para o cliente.

O conteúdo antigo “Cliente pediu desconto. E agora?” será atualizado neste cluster como um artigo sobre precificação baseada em valor e negociação de descontos.

Quais são os principais métodos de precificação?

MétodoComo funciona?Principal cuidado
Custo mais margemSoma custos e adiciona lucroPode ignorar valor percebido e mercado
MarkupAplica um índice sobre o custoOs percentuais precisam estar completos
Preço de mercadoUsa concorrentes como referênciaOs custos da empresa podem ser diferentes
Valor percebidoConsidera benefício gerado ao clienteExige compreensão profunda do público
Preço por horaMultiplica horas pelo valor calculadoDeve incluir horas não visíveis
Preço por projetoDefine valor fechado para uma entregaEscopo precisa ser bem delimitado
Preço dinâmicoVaria conforme demanda, horário ou disponibilidadePrecisa ser transparente e controlado
Preço de penetraçãoComeça mais baixo para ganhar mercadoDeve ter prazo e estratégia de reajuste
Preço premiumPosiciona a oferta acima da médiaA entrega precisa justificar o valor

Uma empresa pode combinar métodos.

Ela pode calcular o preço mínimo pelo custo, comparar com o mercado e ajustar o valor final conforme seu posicionamento.

Qual é a margem de lucro ideal?

Não existe uma margem única que funcione para todos os negócios.

A margem ideal depende de:

  • setor;
  • modelo de negócio;
  • volume de vendas;
  • risco;
  • concorrência;
  • necessidade de capital;
  • prazo de recebimento;
  • custos operacionais;
  • giro do produto;
  • posicionamento.

Margem e giro precisam ser analisados juntos

Uma empresa pode trabalhar com margem menor e grande volume de vendas.

Outra pode vender menos unidades com margem maior.

O importante é que a combinação produza lucro suficiente e caixa para manter o negócio.

Margem bruta não é margem líquida

A margem bruta considera os custos diretamente ligados à entrega.

A margem líquida considera também despesas administrativas, financeiras, comerciais e impostos.

Veja as diferenças entre lucro bruto, lucro líquido e margem de lucro.

Como dar desconto sem ter prejuízo?

Antes de oferecer um desconto, a empresa precisa conhecer o preço mínimo aceitável.

Esse preço deve preservar:

  • custos diretos;
  • despesas variáveis;
  • impostos;
  • parte das despesas fixas;
  • margem mínima;
  • capacidade de entrega.

Desconto reduz diretamente a margem

Considere um produto vendido por R$ 100, com custos e despesas de R$ 80.

O lucro é de R$ 20.

Se a empresa der 10% de desconto, o preço cairá para R$ 90.

O lucro passará de R$ 20 para R$ 10.

Embora o desconto tenha sido de 10% sobre o preço, ele reduziu o lucro pela metade.

Troque desconto por uma condição

Algumas possibilidades são:

  • pagamento antecipado;
  • contrato mais longo;
  • maior volume;
  • redução do escopo;
  • prazo de entrega mais flexível;
  • retirada de itens adicionais;
  • compra de pacote;
  • indicação de novos clientes.

O desconto não deve ser concedido automaticamente apenas porque foi solicitado.

Como aumentar os preços sem perder clientes?

Reajustes são necessários quando custos, impostos, salários, fornecedores ou escopo aumentam.

Para comunicar a mudança:

  1. analise o impacto financeiro;
  2. defina o novo preço;
  3. revise o posicionamento;
  4. comunique com antecedência;
  5. explique os fatores relevantes;
  6. reforce os benefícios entregues;
  7. evite pedir desculpas pelo reajuste;
  8. ofereça alternativas de plano quando fizer sentido.

Não espere a margem desaparecer

Muitas empresas mantêm preços congelados durante anos e tentam fazer um reajuste muito alto de uma vez.

Revisões periódicas costumam ser mais fáceis de justificar e absorver.

Veja estratégias para aumentar preços sem perder clientes.

Quando revisar os preços?

A precificação deve ser revisada periodicamente e sempre que houver uma mudança relevante.

Entre os principais sinais estão:

  • aumento dos fornecedores;
  • mudança dos impostos;
  • reajuste de salários ou pró-labore;
  • aumento do aluguel;
  • alta das taxas de cartão;
  • mudança no escopo;
  • maior demanda;
  • queda da margem;
  • novos concorrentes;
  • mudança de posicionamento;
  • aumento do retrabalho;
  • necessidade de contratar;
  • falta de caixa mesmo com crescimento das vendas.

Periodicidade recomendada

A empresa pode revisar sua estrutura de custos mensalmente e realizar uma avaliação completa dos preços a cada trimestre, semestre ou sempre que ocorrer uma mudança significativa.

Produtos sujeitos a variações frequentes de insumos podem exigir atualizações mais rápidas.

Erros comuns ao precificar produtos e serviços

1. Copiar o preço do concorrente

Empresas diferentes possuem custos, impostos, estrutura e margens diferentes.

2. Esquecer as despesas fixas

O produto pode cobrir a mercadoria, mas não pagar aluguel, contabilidade e administração.

3. Não incluir o próprio trabalho

O pró-labore e a mão de obra precisam fazer parte da estrutura.

4. Confundir margem com acréscimo sobre o custo

Adicionar 20% ao custo não gera necessariamente margem de 20% sobre a venda.

5. Usar uma alíquota de imposto incorreta

A carga tributária precisa refletir o enquadramento real da empresa.

6. Dividir despesas por um volume irreal

Projeções excessivamente otimistas diminuem artificialmente o custo unitário.

7. Ignorar horas administrativas

Nem todo o tempo trabalhado pode ser vendido ao cliente.

8. Desconsiderar perdas e retrabalho

Trocas, desperdícios e revisões consomem margem.

9. Dar desconto sem calcular o impacto

Um pequeno desconto no preço pode representar uma grande redução no lucro.

10. Usar a mesma margem para tudo

Produtos e serviços possuem riscos, giros e custos diferentes.

11. Não considerar taxas de recebimento

Cartões, marketplaces e plataformas reduzem o valor líquido.

12. Confundir faturamento com lucro

Vender mais não significa ganhar mais.

13. Não atualizar os preços

Custos mudam, e a precificação precisa acompanhar.

14. Cobrar apenas pelo tempo de execução

Conhecimento, responsabilidade, suporte e preparação também têm valor.

15. Não acompanhar o resultado real

A precificação deve ser comparada com a margem efetivamente alcançada.

Conheça outras diferenças em faturamento x lucro.

Checklist para precificar corretamente

  • Identifiquei todos os produtos e serviços?
  • Calculei os custos diretos por unidade ou projeto?
  • Incluí fretes, embalagens e materiais?
  • Mapeei as despesas fixas mensais?
  • Estimei um volume realista de vendas?
  • Calculei corretamente as horas produtivas?
  • Incluí o pró-labore?
  • Considerei impostos sobre o faturamento?
  • Incluí taxas de cartão e plataformas?
  • Considerei comissões?
  • Incluí perdas, devoluções e retrabalho?
  • Defini a margem de lucro desejada?
  • Calculei a margem de contribuição?
  • Conheço o ponto de equilíbrio?
  • Comparei o preço com concorrentes semelhantes?
  • Avaliei o valor percebido?
  • Defini um preço mínimo para descontos?
  • Simulei diferentes cenários?
  • Verifiquei se o preço gera caixa?
  • Criei uma rotina de revisão?

FAQ — Perguntas frequentes sobre como precificar produtos e serviços

1) Qual é a fórmula para calcular o preço de venda?

Uma fórmula comum é dividir o custo unitário por um menos a soma dos percentuais de impostos, despesas, comissões e margem de lucro desejada.

2) Como calcular quanto cobrar por um serviço?

Calcule o custo da hora produtiva, multiplique pelo tempo total da entrega, some os custos diretos e inclua impostos, despesas variáveis e margem de lucro.

3) Como saber quanto vale uma hora de trabalho?

Some o pró-labore desejado, as despesas e as reservas mensais. Depois, divida pelas horas realmente produtivas, e não apenas pelas horas disponíveis no mês.

4) Qual é a diferença entre markup e margem de lucro?

Markup é um índice aplicado sobre o custo para formar o preço. Margem de lucro é o percentual do preço de venda que sobra como lucro.

5) Qual é a margem de lucro ideal?

Não existe um percentual único. A margem depende do setor, do risco, do volume de vendas, dos custos, da concorrência e do posicionamento.

6) Devo cobrar o mesmo preço dos concorrentes?

Não necessariamente. O preço dos concorrentes deve servir como referência, mas sua empresa precisa cobrir os próprios custos e considerar seus diferenciais.

7) Como dar desconto sem perder dinheiro?

Calcule o preço mínimo, conheça o impacto sobre a margem e vincule o desconto a uma condição, como pagamento antecipado, maior volume ou redução de escopo.

8) Quando devo reajustar os preços?

Revise quando houver aumento de custos, impostos, salários, fornecedores, escopo ou demanda, e também quando a margem ou o fluxo de caixa começarem a cair.

Aprofunde no tema de precificação e lucratividade

Para estruturar a gestão de preços da empresa, consulte também:

Conclusão: o preço precisa cobrir custos, gerar lucro e ser validado pelo mercado

Aprender como precificar produtos e serviços permite que a empresa deixe de cobrar no improviso e passe a tomar decisões com base em números.

O preço precisa cobrir os custos diretos, as despesas fixas e variáveis, os impostos, o trabalho dos sócios e as perdas da operação.

Depois disso, deve gerar uma margem de lucro compatível com o risco, o mercado e os objetivos do negócio.

Na venda de produtos, o cálculo normalmente começa pelo custo unitário e pode utilizar o markup.

Na prestação de serviços, é necessário calcular o custo da hora produtiva, o tempo total da entrega e os demais gastos de cada projeto.

A concorrência serve como referência, mas não deve definir sozinha o preço.

Empresas com mais especialização, melhor atendimento, maior velocidade ou resultados superiores podem cobrar acima da média quando o cliente reconhece esses diferenciais.

Também é importante acompanhar a margem de contribuição e o ponto de equilíbrio. Esses indicadores mostram se as vendas estão ajudando a pagar a estrutura e quanto a empresa precisa faturar antes de começar a lucrar.

Os preços devem ser revisados sempre que os custos, impostos, escopo, demanda ou posicionamento mudarem.

Para aplicar o cálculo em cada oferta, consulte o guia sobre como calcular o preço de venda de um produto ou serviço.

Uma contabilidade organizada também ajuda a identificar custos, acompanhar o resultado e verificar se o preço gera lucro real. Para organizar os números da sua empresa, fale com o time de especialistas da contabilidade.com.

Fontes

Nathália Perin

Escrito por:

Nathália Perin

Nathália Perin atua ativamente na governança e nos projetos da Oriont, ONG que foca no desenvolvimento humano e consciência no Brasil e no mundo. Autora do livro Gestão de Equipes de Alto Desempenho, pela editora Unisinos e Caminhos Iniciáticos pela Oriont Book. Aborda estratégias de liderança, desenvolvimento de times de alta performance e metodologias para engajamento no ambiente de trabalho mesclando os conceitos de gestão do conhecimento e o desenvolvimento humano. Possui histórico de publicações de livros, traduções e apresentações de trabalhos voltados à psicologia clínica, gestão e comportamento organizacional.

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