A Reforma Tributária trouxe uma das maiores mudanças no sistema de impostos do Brasil nas últimas décadas. A partir de 2026, entram em fase de testes dois novos tributos sobre o consumo: IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços).
Eles vão substituir impostos como PIS, Cofins, ICMS, ISS e parte do IPI, criando um modelo de IVA dual (Imposto sobre Valor Agregado). Mas afinal: qual é a diferença entre IBS e CBS? Quando começa a valer? O que muda nas notas fiscais? E como isso se conecta ao seu regime tributário?
Neste guia completo, você vai entender como funciona a fusão de impostos a partir de 2026, quais empresas precisam se preparar desde já e como esse tema se encaixa no cenário mais amplo da Reforma Tributária 2026–2033.
Você verá neste artigo
- O que são IBS e CBS?
- IBS e CBS substituem quais impostos?
- Quando começa a valer IBS e CBS?
- Como vão funcionar as novas notas fiscais?
- Quais empresas devem se preparar?
- Obrigações a partir de 2026
- Como se preparar para IBS e CBS?
- Perguntas frequentes (FAQ)
- Conclusão
O que são IBS e CBS?
O IBS e a CBS são os dois novos tributos criados pela Emenda Constitucional nº 132/2023 para substituir o modelo atual de tributação sobre o consumo.
- CBS → Tributo federal (substitui PIS e Cofins).
- IBS → Tributo estadual e municipal (substitui ICMS e ISS).
Ambos seguem a lógica do IVA (Imposto sobre Valor Agregado), com direito a crédito ao longo da cadeia e maior transparência na cobrança.
Se você quiser aprofundar esse ponto, vale ler também qual é a diferença entre IBS e CBS, que detalha a estrutura dos dois tributos dentro da Reforma.
Se você ainda tem dúvidas sobre como os impostos atuais funcionam, vale entender primeiro o que é regime tributário e como ele impacta sua empresa.
IBS e CBS substituem quais impostos?
Com a implementação completa da reforma, os seguintes tributos deixarão de existir:
CBS substituirá:
- PIS
- Cofins
- Parte do IPI
IBS substituirá:
- ICMS
- ISS
A principal diferença entre IBS e CBS não está apenas na base de cálculo, mas também na competência de arrecadação:
- A CBS será administrada pela União.
- O IBS será gerido por um Comitê Gestor, com arrecadação compartilhada entre estados e municípios.
Para entender o efeito prático dessa substituição na rotina empresarial, veja também o que muda para empresas e como isso impacta seus impostos.
Quando começa a valer IBS e CBS?
2026 – Ano de testes
- CBS: alíquota teste de 0,9%
- IBS: alíquota teste de 0,1%
- Valores compensados com PIS e Cofins
- Sem aumento real de carga tributária
Em outras palavras, IBS e CBS começam a valer em 01/01/2026 na fase de transição e testes, com foco em adaptação operacional, fiscal e sistêmica.
2027 e 2028
- Extinção de PIS e Cofins
- Redução gradual do IPI (exceto Zona Franca de Manaus)
- Criação do Imposto Seletivo (IS)
2029 a 2032
Transição progressiva de ICMS e ISS para IBS.
2033
Extinção total de ICMS e ISS e vigência integral do novo modelo.
Se você quer ir além da linha do tempo deste artigo, o melhor ponto de apoio continua sendo o pilar da Reforma Tributária 2026–2033.
Como vão funcionar as novas notas fiscais?
A partir de 2026, as notas fiscais eletrônicas precisarão destacar separadamente:
- Valor da CBS
- Valor do IBS
- Tipo de operação
- Tratamento tributário
- Forma de crédito
Isso exigirá atualização de sistemas, parametrizações fiscais e maior atenção ao preenchimento de documentos.
Em serviços, esse cuidado se conecta diretamente à escolha correta da classificação. Por isso, vale revisar a tabela NBS por atividade, já que a descrição e o enquadramento da operação ganham ainda mais importância com o novo modelo.
Se sua empresa é do Simples Nacional, também é importante acompanhar como essas mudanças vão impactar o regime e a lógica de créditos.
Quais empresas devem se preparar?
Praticamente todas:
- Comércio
- Indústria
- Prestadores de serviço
- Empresas do Simples Nacional
- Lucro Presumido
- Lucro Real
Mesmo sendo ano de testes, 2026 já exige emissão correta de documentos fiscais, atenção aos novos campos e preparo para o funcionamento de créditos.
Em alguns casos, a discussão sobre enquadramento empresarial também pode ganhar peso, especialmente para negócios menores que acompanham temas como Super MEI de R$ 140 mil e possíveis efeitos dessa proposta no futuro.
Obrigações a partir de 2026
- Emissão de NF-e, NFC-e, CT-e e NFS-e com destaque de IBS e CBS
- Entrega de declarações específicas (DeRE)
- Novos leiautes fiscais
- Possível inscrição no CNPJ para PF contribuinte
Erros podem gerar glosa de créditos, autuações e impacto no caixa.
Dependendo da estrutura da empresa, também pode ser necessário revisar documentos societários. Nessa linha, vale consultar o que é contrato social, como fazer e como consultar.
Como se preparar para IBS e CBS?
- Revisar parametrização fiscal do ERP
- Atualizar cadastro de produtos e serviços
- Treinar equipe financeira
- Entender como funcionará a lógica de créditos
- Contar com contabilidade especializada
Para aprofundar esse ponto, o conteúdo sobre como calcular os impostos da Reforma Tributária, IBS, CBS e créditos na prática ajuda bastante a transformar teoria em aplicação real.
Sempre que possível, consulte um contador para evitar riscos fiscais.
FAQ - Perguntas Frequentes sobre IBS e CBS
1) IBS e CBS aumentam os impostos?
Em 2026, não necessariamente. O período inicial é de testes e transição. O impacto real vai depender da regulamentação final, da atividade da empresa, da estrutura de custos e da forma como os créditos serão aproveitados.
2) IBS e CBS começam a valer em 2026 mesmo?
Sim. A partir de 01/01/2026, IBS e CBS entram em fase de testes. Isso não significa substituição total imediata dos tributos atuais, mas já exige adaptação de sistemas e documentos fiscais.
3) O Simples Nacional acaba com a Reforma Tributária?
Não. O Simples Nacional continua existindo. Ainda assim, o regime passa a conviver com a nova lógica de IBS e CBS, o que torna importante acompanhar como isso afeta créditos, precificação e competitividade.
4) O que é IVA dual?
É um modelo em que dois tributos diferentes — um federal e outro estadual/municipal — compartilham a mesma lógica de incidência sobre o consumo. No Brasil, esse modelo será representado por CBS e IBS.
5) Preciso mudar meu regime tributário por causa do IBS e CBS?
Nem sempre. Mas em muitos casos será necessário simular cenários entre Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real, principalmente para empresas de serviços e negócios com margens apertadas.
6) O que muda nas notas fiscais com a Reforma Tributária?
As notas fiscais passarão a destacar IBS e CBS separadamente, além de exigir maior cuidado com o tratamento tributário da operação, a parametrização do sistema e a consistência das informações fiscais.
7) Empresas do Lucro Presumido serão impactadas?
Sim. Mesmo sem mudança em IRPJ e CSLL, a nova lógica de tributação sobre consumo pode afetar preço, margem, formação de créditos e organização operacional.
8) Prestadores de serviço precisam se preocupar desde já?
Sim. Prestadores de serviço tendem a sentir bastante os efeitos da Reforma, especialmente pela relevância atual do ISS e pela necessidade de descrever corretamente a atividade na nota fiscal.
10) Contrato social tem relação com a Reforma Tributária?
Indiretamente, sim. Embora a Reforma não altere o contrato social por si só, muitas empresas vão aproveitar a transição para revisar enquadramento, objeto social, estrutura de operação e forma de tributação.
11) Por onde começar para me preparar?
O melhor caminho é revisar a parametrização fiscal, entender o seu regime tributário atual, atualizar cadastros, acompanhar a emissão correta das notas fiscais e buscar apoio técnico para avaliar riscos e oportunidades.
Conclusão
A Reforma Tributária marca o início de uma nova fase na tributação brasileira. IBS e CBS prometem simplificar o sistema, mas exigirão adaptação técnica, atualização de sistemas e acompanhamento constante.
Empresas que se anteciparem terão mais clareza, menos risco fiscal e melhores condições para atravessar a transição até 2033. Para continuar aprofundando o tema, vale acompanhar também os conteúdos sobre o impacto da Reforma Tributária nas empresas, cálculo de IBS, CBS e créditos e, como base central do cluster, o pilar da Reforma Tributária 2026–2033.
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