Erros de precificação: 15 falhas que fazem empresas perderem dinheiro

Os erros de precificação acontecem quando a empresa define seus preços sem considerar corretamente custos, despesas, impostos, margem de lucro e...

Publicado em27/07/2026

Atualizado em27/07/2026

Tempo leitura15min 4s

PorNathália Perin

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Erros de precificação: 15 falhas que fazem empresas perderem dinheiro

Os erros de precificação acontecem quando a empresa define seus preços sem considerar corretamente custos, despesas, impostos, margem de lucro e valor percebido pelo cliente. O resultado pode ser um negócio que vende bastante, mas trabalha com margens reduzidas ou até acumula prejuízos.

Entre as falhas mais comuns estão copiar o preço da concorrência, esquecer tributos e taxas, conceder descontos sem cálculo e não revisar os valores quando os custos aumentam.

Este conteúdo faz parte do guia completo sobre como precificar produtos e serviços, no qual explicamos como estruturar preços capazes de cobrir os gastos e gerar lucro.

Para consultar outros conceitos sobre gestão, finanças e contabilidade empresarial, acesse também o Guia da Contabilidade.

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Neste artigo você vai entender

Como os erros de precificação prejudicam a empresa?

Um preço incorreto afeta diretamente a margem, o fluxo de caixa e a capacidade de crescimento. Quando o valor cobrado não cobre todos os gastos, cada venda pode aumentar o faturamento sem melhorar o resultado.

Os principais impactos são:

  • redução da margem de lucro;
  • dificuldade para pagar despesas fixas;
  • falta de dinheiro para repor estoque ou investir;
  • dependência de um volume muito alto de vendas;
  • necessidade frequente de capital de giro;
  • dificuldade para reajustar preços no futuro;
  • risco de prejuízo mesmo com faturamento elevado.

Esse cenário explica por que uma empresa pode faturar muito e lucrar pouco.

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Quais são os 15 principais erros de precificação?

1. Não calcular todos os custos do produto ou serviço

Considerar apenas a matéria-prima ou o valor pago ao fornecedor é um dos erros mais frequentes.

O cálculo também pode precisar incluir embalagem, frete de aquisição, ferramentas, materiais de consumo, mão de obra e outros gastos relacionados à entrega.

Quando parte desses valores é esquecida, a empresa acredita que possui uma margem maior do que realmente tem.

2. Confundir custos fixos e variáveis

Os custos variáveis aumentam conforme as vendas, enquanto os gastos fixos continuam existindo mesmo quando a empresa não vende.

Se essa diferença não estiver clara, o rateio pode ser feito de maneira incorreta e o preço não conseguirá sustentar a estrutura do negócio.

Veja como separar corretamente os custos fixos e variáveis.

3. Esquecer os impostos

Os tributos incidentes sobre a nota fiscal ou a venda reduzem o valor que permanece disponível para a empresa.

A alíquota pode variar conforme o regime tributário, o faturamento, a atividade e o município. Usar um percentual genérico pode distorcer o preço.

A precificação deve considerar o imposto efetivamente aplicável à operação.

4. Ignorar taxas, comissões e intermediários

Taxas de cartão, marketplaces, plataformas, aplicativos de entrega, comissões comerciais e meios de pagamento reduzem a margem de cada venda.

Mesmo percentuais aparentemente pequenos podem representar uma perda relevante quando o volume de vendas aumenta.

5. Copiar o preço da concorrência

Os preços do mercado servem como referência, mas não devem substituir os cálculos da empresa.

O concorrente pode ter:

  • custos menores;
  • outro regime tributário;
  • mais volume de vendas;
  • estrutura mais enxuta;
  • fornecedores diferentes;
  • qualidade ou escopo inferiores;
  • uma estratégia temporária de aquisição.

Copiar valores sem conhecer essa estrutura pode iniciar uma guerra de preços.

6. Definir a margem de lucro no “chute”

Escolher uma margem de 20%, 30% ou 50% sem avaliar a atividade, os custos e as metas financeiras pode gerar um preço inviável.

A margem precisa ser suficiente para remunerar o risco, formar reservas, financiar investimentos e sustentar o crescimento.

Entenda como calcular a margem de lucro.

7. Somar a margem diretamente ao custo

Acrescentar 20% ao custo não significa necessariamente obter uma margem de 20% sobre o preço de venda.

Se um produto custa R$ 100 e é vendido por R$ 120, o ganho de R$ 20 representa aproximadamente 16,67% do preço final, e não 20%.

Para formar o valor corretamente, pode ser necessário utilizar o markup ou uma fórmula que considere despesas e margem sobre a venda.

8. Não calcular a margem de contribuição

A margem de contribuição mostra quanto sobra do preço depois dos custos e das despesas variáveis.

Esse valor precisa ajudar a pagar as despesas fixas e, depois disso, formar o lucro.

Sem esse indicador, a empresa pode manter produtos ou contratos que aumentam o faturamento, mas quase não contribuem para o resultado.

Veja como calcular a margem de contribuição.

9. Conceder descontos sem avaliar o impacto

Todo desconto reduz diretamente a margem da venda. Uma redução de 10% no preço pode diminuir o lucro em percentual muito maior quando os custos permanecem iguais.

Antes de negociar, a empresa deve conhecer seu preço mínimo e vincular o desconto a uma contrapartida, como:

  • pagamento antecipado;
  • maior volume;
  • contrato recorrente;
  • redução do escopo;
  • prazo de entrega mais flexível.

Consulte o artigo Cliente pediu desconto. E agora?.

10. Ignorar o valor percebido pelo cliente

O preço não depende apenas dos gastos. Experiência, especialização, agilidade, confiança, conveniência e redução de riscos também influenciam quanto o cliente está disposto a pagar.

Uma empresa pode cobrar menos do que deveria quando analisa apenas o custo e não reconhece o valor gerado pela solução.

Entenda a diferença entre preço e valor.

11. Não incluir a mão de obra ou o tempo do profissional

Esse erro é comum em empresas de serviços e entre profissionais PJ.

Reuniões, preparação, atendimento, deslocamento, execução, correções e tarefas administrativas consomem horas que precisam ser remuneradas.

O cálculo deve considerar as horas realmente produtivas, e não todo o tempo disponível no mês.

Veja quanto cobrar pelos seus serviços.

12. Não revisar os preços quando os custos mudam

Insumos, impostos, aluguel, fornecedores e ferramentas podem aumentar ao longo do tempo.

Se a empresa mantém o mesmo preço, a margem vai sendo reduzida gradualmente até que o produto ou serviço deixe de ser rentável.

Estabeleça uma rotina de revisão mensal, trimestral, semestral ou anual, conforme a volatilidade dos custos.

Quando o reajuste for necessário, veja como aumentar preços sem perder clientes.

13. Usar o mesmo percentual em todos os produtos e serviços

Cada oferta pode apresentar custos, demanda, concorrência, riscos e necessidade de suporte diferentes.

Aplicar o mesmo percentual de margem ou desconto a todo o portfólio pode gerar preços excessivos para alguns itens e insuficientes para outros.

O ideal é analisar a rentabilidade de cada produto, serviço, contrato ou categoria.

14. Misturar dinheiro pessoal e empresarial

Quando o empreendedor retira valores da empresa sem controle, torna-se difícil saber se o preço está gerando lucro ou apenas financiando despesas pessoais.

Pró-labore, distribuição de lucros e reembolsos devem ser organizados separadamente das contas do negócio.

A mistura prejudica a análise de custos, margem e fluxo de caixa.

15. Não acompanhar os resultados depois de definir o preço

Precificação não é um cálculo realizado apenas uma vez.

Depois de definir os valores, a empresa precisa acompanhar:

  • faturamento;
  • quantidade de vendas;
  • ticket médio;
  • margem de contribuição;
  • lucro bruto e líquido;
  • ponto de equilíbrio;
  • cancelamentos e devoluções;
  • descontos concedidos;
  • rentabilidade por produto ou serviço.

Sem esse acompanhamento, os erros permanecem escondidos e podem ser percebidos somente quando o caixa já está comprometido.

Como identificar que o preço está errado?

Alguns sinais indicam que a empresa precisa revisar sua política de preços:

  • as vendas aumentam, mas o lucro não cresce;
  • o dinheiro nunca é suficiente para pagar as contas;
  • há necessidade constante de capital de giro;
  • os clientes aceitam o preço imediatamente, sem objeções;
  • a empresa perde todas as negociações por preço;
  • os descontos eliminam quase todo o resultado;
  • os custos aumentaram e os valores não foram reajustados;
  • não existe clareza sobre quanto sobra em cada venda;
  • alguns produtos vendem muito, mas não contribuem para o lucro;
  • a empresa está abaixo do ponto de equilíbrio.

Também é importante avaliar a diferença entre faturamento e lucro. A entrada de dinheiro não significa automaticamente que o negócio é rentável.

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Como corrigir os preços sem prejudicar as vendas?

Mapeie todos os gastos

Reúna custos diretos, despesas variáveis, impostos, taxas, comissões e a parcela dos gastos fixos que precisa ser coberta pelas vendas.

Calcule a margem atual

Descubra quanto sobra de cada produto ou serviço e compare o resultado com as metas da empresa.

Identifique as ofertas menos rentáveis

Priorize a correção de produtos, serviços e contratos que possuem margem negativa ou insuficiente.

Revise fornecedores e condições comerciais

Negociar preços, prazos e quantidades pode reduzir custos sem alterar imediatamente o valor cobrado do cliente.

Antes de contratar um novo fornecedor, utilize a ferramenta da Contabilidade.com para consultar gratuitamente o CNPJ da empresa e conferir sua situação cadastral e atividades registradas.

Faça reajustes de forma estruturada

Explique o motivo da mudança, comunique com antecedência e demonstre os benefícios mantidos ou adicionados à entrega.

Crie opções de oferta

Planos básicos, intermediários e premium permitem atender diferentes orçamentos sem reduzir o preço da mesma entrega.

Acompanhe o resultado após a alteração

Verifique se o novo preço melhorou a margem, o lucro, o ticket médio e a capacidade de pagamento da empresa.

FAQ – Perguntas frequentes sobre erros de precificação

1) Quais são os erros de precificação mais comuns?

Não calcular todos os custos, esquecer impostos, copiar concorrentes, conceder descontos sem análise e não revisar os preços.

2) Como saber se meu preço está errado?

Um sinal importante é quando a empresa vende, mas não consegue formar lucro, pagar despesas ou manter dinheiro em caixa.

3) Posso usar o preço do concorrente como referência?

Sim, mas apenas como referência de mercado. O preço final precisa considerar a estrutura de custos, os impostos e o posicionamento da sua empresa.

4) Esquecer os impostos pode gerar prejuízo?

Sim. Os tributos reduzem o valor líquido da venda e precisam ser considerados na formação do preço.

5) Dar desconto é um erro de precificação?

Não necessariamente. O erro está em conceder desconto sem conhecer a margem e sem receber uma contrapartida.

6) Com que frequência devo revisar os preços?

Sempre que houver mudanças relevantes nos custos, impostos, fornecedores ou mercado. Também é indicado estabelecer revisões periódicas.

7) Preço baixo aumenta as vendas?

Pode aumentar o volume, mas também reduzir a margem, atrair clientes sensíveis a preço e comprometer a percepção de valor.

8) Como corrigir um preço que está muito baixo?

Recalcule os custos, defina a margem necessária, faça o reajuste de maneira gradual quando possível e comunique o valor da entrega com clareza.

9) A margem de contribuição ajuda na precificação?

Sim. Ela mostra quanto sobra de cada venda para pagar os gastos fixos e formar o lucro da empresa.

10) Um preço alto significa margem alta?

Não. Um produto pode ter preço elevado e também apresentar custos, impostos e despesas altos, resultando em margem pequena.

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Conclusão: precificar errado faz a empresa trabalhar mais e ganhar menos

Os erros de precificação não afetam apenas o preço apresentado ao cliente. Eles reduzem margens, prejudicam o caixa e dificultam o crescimento da empresa.

Sua empresa está vendendo bastante, mas o lucro continua pequeno? Nesse cenário, reveja custos, impostos, taxas, descontos e o tempo necessário para cada entrega.

O preço precisa ser suficiente para cobrir todos os gastos, remunerar o trabalho, financiar a estrutura e gerar um resultado sustentável.

Para organizar o processo desde o início, veja o conteúdo sobre formação de preço e o passo a passo de como calcular o preço de venda.

Também é recomendável acompanhar periodicamente o lucro e verificar se a empresa é realmente lucrativa.

Precisa entender quanto sobra das vendas depois dos custos e impostos? Fale com o time da Contabilidade.com pelo WhatsApp.

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Nathália Perin

Escrito por:

Nathália Perin

Nathália Perin atua ativamente na governança e nos projetos da Oriont, ONG que foca no desenvolvimento humano e consciência no Brasil e no mundo. Autora do livro Gestão de Equipes de Alto Desempenho, pela editora Unisinos e Caminhos Iniciáticos pela Oriont Book. Aborda estratégias de liderança, desenvolvimento de times de alta performance e metodologias para engajamento no ambiente de trabalho mesclando os conceitos de gestão do conhecimento e o desenvolvimento humano. Possui histórico de publicações de livros, traduções e apresentações de trabalhos voltados à psicologia clínica, gestão e comportamento organizacional.

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