Marketplace paga imposto? Entenda como funciona a tributação

Sim. Vendas realizadas em marketplace estão sujeitas à tributação normalmente. O fato de a venda acontecer por Mercado Livre, Shopee, Amazon,...

Publicado em05/08/2026

Atualizado em12/08/2026

Tempo leitura20min 10s

PorNathália Perin

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Marketplace paga imposto? Entenda como funciona a tributação

Sim. Vendas realizadas em marketplace estão sujeitas à tributação normalmente. O fato de a venda acontecer por Mercado Livre, Shopee, Amazon, Magalu ou outra plataforma não elimina os impostos da operação.

Para o vendedor, os tributos dependem principalmente do tipo de produto vendido, CNAE, faturamento e regime tributário da empresa. Já o marketplace possui sua própria tributação sobre as receitas obtidas com serviços, comissões e intermediação.

Outro ponto importante é que a comissão descontada pelo marketplace não significa, automaticamente, que o vendedor pagará imposto apenas sobre o valor líquido recebido. No Simples Nacional, por exemplo, a receita bruta considera o produto das vendas realizadas pela empresa, observadas as exclusões previstas na legislação.

Por isso, definir corretamente as atividades e o regime tributário já na abertura da empresa é importante para quem pretende vender profissionalmente pela internet.

Neste artigo, você vai entender como funciona a tributação de marketplace, quais impostos podem incidir, como tratar as comissões das plataformas e o que muda conforme o regime tributário.

Este conteúdo faz parte do nosso guia sobre marketplace: o que é, como funciona, vantagens, impostos e como vender.

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Neste artigo você vai entender

Marketplace paga imposto?

Sim. Existem tributos tanto na operação realizada pelo vendedor quanto na atividade desenvolvida pela plataforma.

Mas são duas relações diferentes.

Quando uma loja vende um produto por meio de um marketplace, existe:

  1. a venda da mercadoria realizada pelo lojista ao consumidor;
  2. o serviço de intermediação realizado pelo marketplace.

Cada operação possui tratamento fiscal próprio.

Imagine que uma loja venda um produto por R$ 200 dentro de uma plataforma.

O marketplace pode descontar sua comissão e repassar, por exemplo, R$ 170 ao vendedor.

Isso não significa que a venda realizada pela loja tenha sido de R$ 170. O produto foi vendido por R$ 200, enquanto os R$ 30 representam um custo relacionado à plataforma, conforme as condições do exemplo.

Quem paga o imposto: marketplace ou vendedor?

Os dois podem ter obrigações tributárias, mas por receitas diferentes.

ParteAtividadeBase econômica
VendedorVenda da mercadoriaReceita obtida com as vendas
MarketplaceIntermediação e outros serviçosReceitas próprias, como comissões e serviços cobrados

Portanto, a plataforma não deve ser confundida com o vendedor do produto quando atua apenas como intermediadora da operação.

Quais impostos quem vende em marketplace paga?

Os impostos dependem do regime tributário da empresa e das características das mercadorias comercializadas.

Entre os tributos que podem fazer parte da operação estão:

  • ICMS;
  • PIS;
  • Cofins;
  • IRPJ;
  • CSLL;
  • tributos reunidos no DAS, quando a empresa está no Simples Nacional;
  • e, durante a transição da Reforma Tributária, os novos tributos previstos no sistema de IBS e CBS conforme o cronograma legal.

A tributação também pode variar conforme:

  • produto comercializado;
  • NCM;
  • estado de origem;
  • estado do comprador;
  • substituição tributária;
  • monofasia;
  • regime tributário;
  • benefícios fiscais;
  • faturamento acumulado.

Por isso, duas lojas com o mesmo faturamento podem pagar valores diferentes de impostos.

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Marketplace paga imposto sobre o valor total ou líquido da venda?

Para o vendedor, é fundamental diferenciar valor da venda e valor líquido repassado pelo marketplace.

Imagine:

  • produto vendido: R$ 200;
  • comissão da plataforma: R$ 30;
  • valor repassado ao vendedor: R$ 170.

O vendedor não deve concluir automaticamente que sua receita foi de R$ 170 somente porque esse foi o valor depositado em sua conta.

No Simples Nacional, a legislação define receita bruta a partir do produto da venda de bens e serviços nas operações por conta própria, ressalvadas as exclusões previstas em lei, como vendas canceladas e descontos incondicionais.

Em outras palavras: a comissão cobrada pela plataforma não transforma, por si só, uma venda de R$ 200 em uma receita de R$ 170 para cálculo do Simples Nacional.

A comissão do marketplace pode ser descontada dos impostos?

Depende do regime tributário.

No Simples Nacional, a comissão paga ao marketplace não funciona, de forma geral, como uma dedução automática da receita bruta sobre a qual o DAS é calculado.

Já no Lucro Real, a Receita Federal possui entendimento admitindo, observados os requisitos legais e a documentação adequada, o tratamento de determinadas comissões pagas a marketplaces como despesas operacionais necessárias à atividade.

Por isso, a forma como essa despesa interfere na tributação muda conforme o regime.

Essa diferença mostra por que olhar apenas a alíquota nominal não é suficiente para decidir qual modelo tributário é mais econômico.

Como funciona a tributação de marketplace no Simples Nacional?

Muitas pequenas empresas que vendem em marketplaces são optantes pelo Simples Nacional.

Para atividades de comércio, a tributação normalmente segue as regras destinadas ao comércio dentro do regime.

O DAS reúne diferentes tributos em uma única guia, enquanto a alíquota efetiva varia de acordo com a receita acumulada da empresa e as regras aplicáveis.

Um ponto especialmente importante para vendedores é:

o faturamento não deve ser confundido com o valor líquido recebido depois das taxas da plataforma.

Portanto, se uma empresa vende R$ 50 mil em produtos e recebe R$ 43 mil após comissões, tarifas e outros custos do marketplace, não deve simplesmente declarar R$ 43 mil como faturamento sem analisar o tratamento tributário correto.

Veja nosso guia completo do Simples Nacional.

Como funciona o imposto para MEI que vende em marketplace?

O MEI possui uma sistemática simplificada de tributação por meio do DAS mensal, desde que exerça atividade permitida e cumpra todas as regras do regime.

Porém, vender em diferentes plataformas não cria limites separados.

O faturamento considerado para fins do MEI corresponde ao total da atividade empresarial.

Por exemplo, se o empreendedor vende:

  • R$ 30 mil no Mercado Livre;
  • R$ 20 mil na Shopee;
  • R$ 15 mil na Amazon;

deve considerar o conjunto dessas receitas para acompanhar o limite do regime.

Não existe um limite para cada marketplace.

Confira nosso guia MEI pode vender em marketplace? Entenda as regras e limites.

Como funciona a tributação de marketplace no Lucro Presumido?

No Lucro Presumido, os tributos federais são calculados conforme regras próprias do regime e percentuais de presunção aplicáveis à atividade.

Além de IRPJ e CSLL, a empresa deve avaliar PIS, Cofins e os tributos incidentes sobre a circulação das mercadorias.

Nesse regime, também é importante diferenciar corretamente:

  • receita de vendas;
  • comissões;
  • fretes;
  • tarifas financeiras;
  • cancelamentos;
  • devoluções.

A conciliação entre os relatórios do marketplace, documentos fiscais e valores recebidos é essencial.

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Como funciona a tributação de marketplace no Lucro Real?

No Lucro Real, a tributação do IRPJ e da CSLL está relacionada ao resultado fiscal apurado pela empresa.

Nesse cenário, determinadas despesas operacionais podem produzir efeitos na apuração tributária quando atendem aos requisitos legais.

A Receita Federal já reconheceu que a comissão paga a marketplace domiciliado no Brasil pela intermediação das vendas pode, em determinadas condições, ser considerada despesa operacional necessária e usual à atividade de e-commerce.

Para isso, é necessário manter documentação adequada que demonstre a operação, o serviço de intermediação e o beneficiário da comissão.

Isso não significa que qualquer tarifa cobrada por qualquer plataforma possa ser automaticamente deduzida. Cada despesa precisa ser analisada conforme sua natureza e documentação.

Como o próprio marketplace paga imposto?

O próprio marketplace também é uma empresa e possui suas obrigações fiscais.

Quando atua apenas como intermediador, sua receita não deve ser confundida com o valor total das mercadorias vendidas por terceiros dentro da plataforma.

Entre as receitas próprias de um marketplace podem estar:

  • comissões;
  • tarifas de intermediação;
  • publicidade;
  • serviços logísticos;
  • assinaturas;
  • serviços financeiros;
  • outros serviços oferecidos aos vendedores.

A tributação dessas receitas depende da atividade e do regime tributário da própria plataforma.

Portanto, não é correto dizer simplesmente que “o marketplace paga o imposto da venda”.

O vendedor continua tendo obrigações sobre sua operação, enquanto a plataforma possui tributação sobre suas próprias atividades.

Marketplace retém imposto do vendedor?

Não existe uma resposta única para todas as operações e todos os tributos.

É importante diferenciar:

  • comissão da plataforma;
  • tarifa financeira;
  • frete;
  • retenção tributária;
  • valor bloqueado temporariamente;
  • antecipação de recebíveis;
  • repasse líquido.

Nem todo valor descontado pelo marketplace é imposto.

Muitas vezes, o que o vendedor enxerga no extrato como desconto corresponde a uma tarifa comercial da própria plataforma.

Além disso, a Reforma Tributária criou regras específicas de responsabilidade para plataformas digitais em determinadas hipóteses envolvendo IBS e CBS.

Por isso, o tema de retenção precisa ser analisado considerando o tributo, a operação e o momento da transição para o novo sistema.

Veja o conteúdo específico sobre quando marketplace retém imposto e como funciona.

Quem vende em marketplace precisa emitir nota fiscal?

O lojista é responsável por observar as obrigações fiscais relacionadas à venda da mercadoria.

A plataforma atuar como intermediadora não elimina a necessidade de documentar fiscalmente a operação quando houver obrigatoriedade.

Para empresas de comércio, a NF-e é um dos principais documentos fiscais utilizados para registrar vendas de mercadorias.

A nota fiscal deve refletir corretamente informações como:

  • produto vendido;
  • valor da operação;
  • NCM;
  • CFOP;
  • tributação aplicável;
  • dados do destinatário;
  • demais informações exigidas para aquela operação.

Veja como emitir nota fiscal para marketplace sem erros.

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Exemplo de tributação de uma venda em marketplace

Imagine uma empresa que vende um produto por R$ 1.000.

Considere, apenas para ilustrar a diferença entre faturamento e repasse:

  • valor da venda: R$ 1.000;
  • comissão do marketplace: R$ 150;
  • outras tarifas: R$ 30;
  • valor líquido recebido: R$ 820.

O fato de a empresa receber R$ 820 não significa automaticamente que sua receita bruta tributável seja de R$ 820.

Existem três informações diferentes:

  1. R$ 1.000: valor da venda ao cliente;
  2. R$ 180: custos e tarifas considerados neste exemplo;
  3. R$ 820: valor financeiro líquido repassado.

O impacto desses custos nos impostos dependerá do regime tributário e das regras aplicáveis.

É justamente por isso que extrato bancário não substitui controle de faturamento e escrituração contábil.

O marketplace informa as vendas ao Fisco?

Vendas realizadas por meios eletrônicos deixam diversos registros digitais.

A operação pode envolver informações presentes em:

  • documentos fiscais;
  • meios de pagamento;
  • extratos financeiros;
  • registros dos intermediadores;
  • declarações fiscais e contábeis;
  • dados cadastrais do vendedor.

Por isso, vender em marketplace não deve ser interpretado como uma forma de realizar vendas “fora” da estrutura fiscal.

Se a atividade é profissional e recorrente, manter o CNPJ corretamente registrado e a escrituração organizada reduz riscos de divergências.

O que muda na tributação de marketplaces com a Reforma Tributária?

A Reforma Tributária do consumo modifica gradualmente a tributação brasileira e também traz regras relevantes para operações intermediadas por plataformas digitais.

A legislação que regulamenta IBS e CBS prevê hipóteses específicas em que plataformas digitais podem ser responsáveis pelo pagamento desses tributos relativos a operações realizadas por seu intermédio.

Isso não significa que, a partir de agora, todo marketplace simplesmente passe a pagar todos os impostos no lugar de todos os vendedores.

A responsabilidade depende das condições previstas na legislação.

Além disso, documentos fiscais eletrônicos já estão sendo adaptados para receber informações relacionadas ao novo sistema tributário.

Durante o período de transição, empresas que vendem online precisam acompanhar:

  • mudanças nos documentos fiscais;
  • IBS;
  • CBS;
  • novas regras de apuração;
  • responsabilidade das plataformas;
  • integração entre pagamentos e documentos fiscais.

A existência das novas regras torna ainda mais importante não tratar a tributação de marketplace apenas como “o marketplace desconta uma taxa e deposita o restante”.

Como pagar corretamente os impostos das vendas em marketplace?

A primeira etapa é estruturar corretamente a empresa.

Alguns pontos precisam ser analisados:

  1. Escolher corretamente os CNAEs: eles devem representar os produtos e atividades realmente exercidos.
  2. Definir o regime tributário: Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real devem ser comparados conforme a realidade do negócio.
  3. Emitir os documentos fiscais: as vendas precisam ser registradas corretamente.
  4. Conciliar os marketplaces: faturamento, taxas, devoluções e repasses precisam ser separados.
  5. Controlar devoluções e cancelamentos: essas operações possuem reflexos fiscais e financeiros.
  6. Não confundir repasse com faturamento: o líquido depositado pela plataforma não necessariamente corresponde à receita tributável.

Para entender a primeira etapa, veja como escolher o CNAE para vender em marketplace.

Se ainda não possui empresa, confira também como abrir uma empresa para vender em marketplace.

FAQ - Perguntas Frequentes sobre Impostos em Marketplace

1) Marketplace paga imposto?
Sim. Tanto o vendedor quanto a plataforma podem possuir obrigações tributárias, mas relacionadas às atividades e receitas de cada um.

2) Quem vende no Mercado Livre paga imposto?
Sim. O fato de vender pelo Mercado Livre não elimina a tributação da atividade comercial. Os impostos dependem do regime tributário, produtos e características da operação.

3) Quem vende na Shopee paga imposto?
Sim. As vendas realizadas pela Shopee integram a atividade empresarial do vendedor e devem ser consideradas no faturamento conforme as regras tributárias aplicáveis.

4) Quem vende na Amazon paga imposto?
Sim. Assim como em outros marketplaces, o vendedor precisa observar as obrigações tributárias e fiscais relacionadas às suas vendas.

5) O imposto é calculado sobre o valor que o marketplace deposita?
Não necessariamente. O valor líquido recebido depois de comissões e tarifas não deve ser automaticamente tratado como receita tributável. O cálculo depende do regime e das regras aplicáveis.

6) A comissão do marketplace reduz o DAS do Simples Nacional?
De forma geral, a comissão não representa uma dedução automática da receita bruta usada no cálculo do Simples Nacional.

7) A comissão pode ser deduzida no Lucro Real?
Em determinadas condições, a Receita Federal admite comissões pagas a marketplaces como despesas operacionais, desde que atendidos os requisitos legais e documentais.

8) Marketplace retém imposto?
Pode haver hipóteses específicas de responsabilidade ou retenção, mas nem todo desconto realizado pela plataforma é imposto. Comissões, fretes e tarifas precisam ser separados de retenções tributárias.

9) Preciso emitir nota fiscal para vender em marketplace?
O vendedor deve observar as regras fiscais aplicáveis à sua empresa e à operação. A intermediação da plataforma não elimina as obrigações fiscais da venda.

10) MEI paga imposto sobre vendas em marketplace?
O MEI recolhe seu DAS conforme as regras próprias do regime e deve contabilizar corretamente o faturamento obtido em todos os canais de vendas.

11) Posso declarar apenas o valor que recebo do marketplace?
Não é recomendável usar simplesmente o valor líquido depositado como faturamento. É necessário separar vendas, comissões, tarifas, cancelamentos e demais movimentações.

12) Marketplace e loja virtual têm tributação diferente?
O simples fato de usar um canal diferente não define sozinho a tributação. O tratamento depende da empresa, produtos, regime tributário e características das operações.

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Vender em marketplace não muda a necessidade de organizar os impostos

Mercado Livre, Shopee, Amazon e outras plataformas facilitam o acesso aos consumidores, mas não eliminam as obrigações tributárias de quem vende profissionalmente.

O erro mais comum é olhar apenas para o valor depositado pela plataforma e tratá-lo como faturamento.

Para uma operação organizada, é necessário separar:

  • valor vendido;
  • comissão;
  • frete;
  • tarifas;
  • devoluções;
  • cancelamentos;
  • impostos;
  • valor efetivamente recebido.

Essa organização permite conhecer a margem real do negócio e evita erros fiscais à medida que as vendas crescem.

Se você ainda está estruturando sua operação, veja nosso guia completo para começar a vender em marketplaces.

E antes de definir os preços, consulte também quanto custa vender em marketplace e quais despesas precisam entrar na conta.

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Nathália Perin

Escrito por:

Nathália Perin

Atua ativamente na governança e nos projetos da Oriont, ONG que foca no desenvolvimento humano e consciência no Brasil e no mundo. Autora do livro Gestão de Equipes de Alto Desempenho, pela editora Unisinos e Caminhos Iniciáticos pela Oriont Book. Aborda estratégias de liderança, desenvolvimento de times de alta performance e metodologias para engajamento no ambiente de trabalho mesclando os conceitos de gestão do conhecimento e o desenvolvimento humano. Possui histórico de publicações de livros, traduções e apresentações de trabalhos voltados à psicologia clínica, gestão e comportamento organizacional.

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