Como calcular os impostos da Reforma Tributária: IBS, CBS e créditos na prática

Como calcular os impostos da Reforma Tributária: IBS, CBS e créditos na prática

Publicado em09/04/2026

Tempo leitura9min 45s

Copiar link

Uma das maiores dúvidas sobre a Reforma Tributária é simples: vou pagar mais ou menos imposto?

Com a criação do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), o cálculo dos tributos muda completamente — principalmente por causa do modelo de não cumulatividade e créditos tributários.

Neste guia, você vai entender como calcular os novos impostos da Reforma Tributária, como funcionam os créditos, o que muda na prática e como simular cenários a partir do seu regime tributário. Para uma visão mais ampla do tema, vale complementar a leitura com o pilar da Reforma Tributária 2026–2033.

O que muda no cálculo dos impostos com a Reforma Tributária

A principal mudança é a substituição de vários tributos por um modelo baseado no IVA (Imposto sobre Valor Agregado).

Na prática, isso significa que deixam de existir gradualmente:

  • PIS;
  • Cofins;
  • ICMS;
  • ISS;
  • IPI (parcialmente).

E entram dois novos tributos:

  • CBS (federal);
  • IBS (estadual + municipal).

Esse novo modelo elimina o chamado “imposto sobre imposto” e permite compensação de créditos ao longo da cadeia.

Para entender melhor a base dessa transição, vale ler também o que muda para empresas e como isso impacta seus impostos.

O que é o IVA dual (IBS + CBS)

O Brasil adotou um modelo chamado IVA dual, que divide o imposto sobre consumo em dois:

  • CBS: tributo federal;
  • IBS: tributo estadual e municipal.

Ambos seguem a lógica de:

  • não cumulatividade plena;
  • aproveitamento de créditos;
  • tributação sobre valor agregado.

Esse modelo aproxima o Brasil de sistemas adotados na Europa e em outros países.

Se a sua dúvida é mais conceitual, este é o melhor ponto para aprofundar a diferença entre IBS e CBS antes de entrar no cálculo.

Qual será a alíquota dos novos impostos

A alíquota de referência do novo sistema está estimada em torno de 27%.

No entanto:

  • profissionais liberais terão redução de 30%;
  • setores essenciais terão redução de 60%;
  • alguns itens terão isenção total.

Isso significa que o impacto varia muito de acordo com a atividade.

Além disso, antes da implementação integral do modelo, IBS e CBS entram em fase de testes. Por isso, vale acompanhar também o conteúdo sobre quando a Reforma Tributária começa a valer e como será a transição até 2033.

Como calcular os novos impostos na prática

O cálculo passa a seguir uma lógica simples:

Imposto a pagar = Débitos - Créditos

Onde:

  • Débito: imposto sobre as vendas;
  • Crédito: imposto pago nas compras.

Ou seja, você paga imposto apenas sobre o valor que realmente agregou.

Na prática, a empresa precisa olhar para três pontos ao mesmo tempo: faturamento, despesas que geram crédito e tipo de operação. É por isso que o cálculo deixa de ser apenas uma conta de alíquota e passa a depender da organização fiscal do negócio.

Como funcionam os créditos tributários

Esse é o ponto mais importante da reforma.

Toda vez que sua empresa compra algo com nota fiscal:

  • o imposto pago vira crédito;
  • esse crédito reduz o imposto a pagar;
  • isso evita bitributação.

Mas atenção: só gera crédito quem compra com nota fiscal válida.

Por isso, a emissão correta de nota fiscal passa a ser ainda mais estratégica.

Em serviços, esse cuidado também se conecta à classificação correta da operação. Por isso, pode valer revisar a tabela NBS por atividade, especialmente para quem emite NFS-e.

Passo a passo para simular o impacto

1. Identifique seu regime tributário

Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real.

2. Analise seu tipo de cliente

B2B (gera crédito) ou B2C (não gera crédito).

3. Verifique se há redução de alíquota

Alguns setores terão benefícios.

4. Levante suas despesas

São elas que geram crédito.

5. Simule cenários

Compare antes e depois da reforma.

Para empresas do Simples Nacional, essa análise deve considerar também anexos, DAS e potencial de crédito. Já para quem está no Lucro Presumido, o impacto tende a aparecer mais claramente na comparação entre débito e crédito por operação.

Quem paga mais ou menos imposto

A reforma não tem como objetivo aumentar impostos, mas redistribuir a carga.

Na prática:

  • empresas com muitas despesas → pagam menos;
  • empresas com poucas despesas → podem pagar mais;
  • B2B → tende a se beneficiar;
  • B2C → impacto depende mais da capacidade de repasse e do setor.

O resultado depende da estrutura do negócio.

Empresas com operação mais enxuta, pouca despesa creditável e forte concentração em serviços podem sentir um efeito diferente de negócios com cadeia de compras mais estruturada. Por isso, a discussão sobre quem será mais impactado pela Reforma Tributária é tão importante quanto o cálculo em si.

FAQ - Perguntas frequentes sobre impostos da Reforma Tributária

1. A reforma aumenta impostos?

Não necessariamente. A reforma redistribui a carga tributária. O efeito depende da atividade, da estrutura de custos, da possibilidade de aproveitar créditos e do tipo de cliente atendido.

2. O que é IBS e CBS?

São os dois novos tributos sobre o consumo criados pela Reforma Tributária. A CBS será federal, e o IBS terá competência estadual e municipal.

3. Como funciona o crédito tributário?

A empresa pode descontar do imposto devido o valor do tributo pago em compras que gerem crédito. Isso reduz o imposto final a pagar e evita o efeito cascata.

4. Todas as empresas serão impactadas?

Sim, mas de formas diferentes. O impacto varia conforme o regime tributário, o setor, a composição das despesas e o perfil dos clientes.

5. Empresas do Simples Nacional também precisam se preocupar?

Sim. Embora o Simples Nacional continue existindo, a lógica de IBS e CBS passa a influenciar o ambiente tributário e a competitividade do regime, especialmente para prestadores de serviços.

6. Lucro Presumido e Lucro Real serão mais afetados?

Em muitos casos, sim, porque nesses regimes a análise de créditos, formação de preço e organização das despesas tende a ficar ainda mais relevante.

7. Como saber se minha empresa gera muito ou pouco crédito?

O ideal é levantar suas despesas com documentação fiscal válida, analisar quais insumos entram na operação e simular cenários comparando débito e crédito ao longo da cadeia.

8. A emissão de nota fiscal passa a ser mais importante?

Sim. A nota fiscal correta é peça central para o aproveitamento dos créditos e para a consistência da apuração no novo modelo.

9. Existe uma alíquota única para todos?

Não. Embora exista uma alíquota de referência estimada em torno de 27%, o efeito real varia conforme reduções setoriais, benefícios e estrutura da operação.

10. Por onde começar a me preparar?

O primeiro passo é entender seu regime tributário, revisar a emissão de notas, levantar despesas que geram crédito e acompanhar o pilar da Reforma Tributária 2026–2033.

Conclusão

A Reforma Tributária muda completamente a lógica de cálculo de impostos no Brasil.

O foco deixa de ser apenas pagar tributo e passa a ser gerenciar crédito tributário, estruturar a operação com mais inteligência e entender como o seu modelo de negócio reage ao novo sistema.

Quem entender isso primeiro terá vantagem competitiva. Por isso, além deste conteúdo, vale acompanhar o pilar da Reforma Tributária 2026–2033 e os conteúdos complementares sobre IBS e CBS e o impacto da reforma para empresas.

Se você quer entender como isso impacta seu negócio, fale com a contabilidade.com.

Erico Azevedo

Escrito por:

Erico Azevedo

Empreendedor serial e CEO da Contabilidade.com, plataforma contábil completa para CNPJs. Também é sócio-fundador do Contbank, primeira solução de BPO e Gestão Financeira Simplificada com Inteligência Artificial e Open Finance. Em 2018, fundou a Wabbi Software, primeira plataforma contábil em nuvem do Brasil, posteriormente vendida à ContaAzul, onde se tornou sócio e acionista. Além da carreira empreendedora, é pesquisador, com Doutorado em Engenharia Elétrica pela UNICAMP e Doutorado em Psicologia pela PUC/SP. Autor de diversos livros e pesquisas sobre campos informacionais e intuição, é fundador da Associação Oriont, dedicada ao estudo da consciência. Editor e coautor do livro científico “Information Fields Theory and Applications: Quantum Communication in Physics and Biology” (Springer Nature, 2025) e autor de “Intuição: do mistério à maestria”, obra que conecta ciência, percepção e autoconhecimento. Com muita experiência na interseção entre tecnologia, finanças, psicologia e inovação, Erico Azevedo é referência em liderança, empreendedorismo e inovação organizacional no Brasil e no exterior.

Avalie este artigo

0.0

Compartilhe
Copiar link

FIQUE LIGADOAssine nossa newsletter com conteúdo exclusivo.

Informe seu e-mail e teste grátis!

Novo app de contabilidade disponível para iOS e Android

Sua tranquilidade nossas responsabilidade, projetamos sempre com inovação nossos produtos digitais e com as melhores tecnologias do mercado.

Ficou com alguma dúvida?

Preencha as informações ao lado que logo entraremos em contato com você.