Empresa júnior: o que é e como criar uma do zero

Empresa júnior é uma associação civil sem fins lucrativos formada e administrada por estudantes de graduação. Ela desenvolve projetos e presta...

Publicado em13/07/2026

Atualizado em27/07/2026

Tempo leitura19min 8s

PorErico Azevedo

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Empresa júnior: o que é e como criar uma do zero

Empresa júnior é uma associação civil sem fins lucrativos formada e administrada por estudantes de graduação. Ela desenvolve projetos e presta serviços relacionados aos cursos dos seus integrantes, proporcionando experiência prática e aproximação com o mercado.

Para criar uma empresa júnior, o grupo precisa obter a aprovação da instituição de ensino, elaborar o estatuto social, realizar a assembleia de fundação, registrar a associação em cartório, solicitar o CNPJ e organizar as obrigações contábeis, fiscais e municipais.

Este conteúdo integra o nosso guia completo de abertura de empresa, no qual explicamos as principais etapas para formalizar e manter uma pessoa jurídica regular.

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Neste artigo você vai entender

O que é uma empresa júnior?

Empresa júnior é uma associação civil sem fins lucrativos constituída e gerida por estudantes matriculados em cursos de graduação de uma instituição de ensino superior.

Embora utilize a palavra “empresa” no nome, ela não funciona como uma sociedade tradicional criada para gerar e distribuir lucros aos proprietários.

Os estudantes participam voluntariamente da entidade e utilizam os conhecimentos acadêmicos para executar projetos reais, atender clientes e desenvolver competências profissionais.

Entre os principais objetivos de uma empresa júnior estão:

  • aproximar os estudantes do mercado de trabalho;
  • aplicar conhecimentos acadêmicos em situações reais;
  • desenvolver liderança, gestão e capacidade comercial;
  • estimular o empreendedorismo;
  • ampliar a relação entre universidade, empresas e comunidade;
  • investir na capacitação dos seus integrantes.

As empresas juniores são regulamentadas pela Lei nº 13.267, de 6 de abril de 2016.

A legislação determina que a entidade tenha finalidade educacional, seja constituída como associação civil e desenvolva projetos relacionados ao conteúdo dos cursos de graduação aos quais está vinculada.

Empresa júnior pode gerar receita?

Sim. A empresa júnior pode cobrar pelos projetos e serviços prestados.

O dinheiro recebido, entretanto, pertence à associação e deve ser aplicado em suas finalidades institucionais, como:

  • capacitação dos estudantes;
  • participação em eventos;
  • aquisição de equipamentos;
  • contratação de sistemas;
  • serviços contábeis e jurídicos;
  • pagamento de tributos e despesas administrativas;
  • melhoria da estrutura da entidade.

Os valores não podem ser distribuídos aos membros como lucros, dividendos, bônus ou remuneração pelo trabalho realizado na empresa júnior.

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Como funciona uma empresa júnior?

A empresa júnior funciona como uma organização administrada por estudantes, com estatuto, diretoria, assembleias, projetos, clientes, contratos e movimentação financeira própria.

Sua estrutura pode contar com áreas como:

  • presidência e diretoria executiva;
  • gestão de projetos;
  • comercial e vendas;
  • marketing;
  • gestão de pessoas;
  • financeiro;
  • qualidade;
  • relações institucionais.

Os cargos e departamentos variam conforme o tamanho da organização, o número de estudantes e os serviços oferecidos.

Quem pode participar?

A gestão deve ser exercida por estudantes regularmente matriculados em cursos de graduação da instituição de ensino superior à qual a entidade está vinculada.

A empresa júnior pode reunir alunos de um único curso ou possuir uma equipe multidisciplinar, desde que os serviços estejam relacionados à formação acadêmica dos membros.

Podem participar, por exemplo, estudantes de:

  • Administração;
  • Ciências Contábeis;
  • Economia;
  • Engenharia;
  • Arquitetura;
  • Design;
  • Publicidade e Propaganda;
  • Tecnologia da Informação;
  • Relações Internacionais.

A Lei das Empresas Juniores não estabelece um número mínimo nacional único de integrantes. A própria universidade pode definir esse requisito em seu regulamento.

Empresa júnior precisa de professor orientador?

Os projetos devem contar com orientação e supervisão adequadas, conforme a natureza dos serviços realizados.

Além disso, muitas instituições de ensino exigem formalmente a indicação de um ou mais professores orientadores.

O professor pode orientar tecnicamente os estudantes, avaliar a compatibilidade dos projetos com o curso e contribuir para a relação institucional. A administração da empresa júnior, porém, deve continuar sendo exercida pelos alunos.

Quais serviços podem ser prestados?

Os serviços precisam estar relacionados aos cursos e ao conteúdo acadêmico dos membros.

Dependendo da área de formação, a empresa júnior pode atuar com:

  • pesquisa de mercado;
  • planejamento empresarial;
  • consultoria em gestão;
  • mapeamento de processos;
  • marketing e comunicação;
  • desenvolvimento de sites e sistemas;
  • design e identidade visual;
  • projetos de engenharia;
  • planejamento financeiro;
  • estudos ambientais;
  • arquitetura e urbanismo;
  • tradução e revisão.

Nas atividades regulamentadas, é necessário verificar se o serviço exige responsável técnico, registro em conselho profissional, supervisão específica ou emissão de documentos técnicos.

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Como criar uma empresa júnior do zero?

O processo combina a aprovação acadêmica da instituição de ensino com a constituição jurídica da associação.

1. Consulte as regras da universidade

Antes de preparar os documentos, procure a coordenação do curso, o departamento responsável ou a pró-reitoria de extensão.

Verifique:

  • se existe um regulamento específico;
  • qual órgão aprova a criação da entidade;
  • quantos estudantes são exigidos;
  • se é necessário indicar um professor orientador;
  • quais documentos acadêmicos devem ser apresentados;
  • quais são as regras para utilizar o nome e a estrutura da instituição.

2. Reúna o grupo fundador

O grupo inicial deve definir quem participará da fundação e quem assumirá as primeiras funções administrativas.

Também é importante planejar a continuidade da organização após a formatura dos integrantes, pois a troca periódica de gestão faz parte da realidade das empresas juniores.

3. Defina o propósito e os serviços

O grupo deve definir:

  • as áreas de atuação;
  • os serviços que serão oferecidos;
  • os cursos envolvidos;
  • o público que será atendido;
  • a forma de supervisão dos projetos;
  • a estrutura inicial da diretoria;
  • os custos necessários para iniciar as atividades.

Para organizar essa fase, também vale responder às três perguntas essenciais antes de abrir um CNPJ.

4. Elabore o estatuto social

O estatuto é o principal documento jurídico da associação.

Ele deve estabelecer, entre outros pontos:

  • nome e sede da entidade;
  • finalidades institucionais;
  • critérios de admissão e desligamento dos membros;
  • direitos e deveres dos associados;
  • estrutura administrativa;
  • competências da diretoria;
  • regras para assembleias e eleições;
  • fontes de recursos;
  • forma de prestação de contas;
  • proibição de distribuir resultados;
  • destinação do patrimônio em caso de encerramento.

O estatuto da associação não deve ser confundido com o contrato social utilizado por sociedades empresárias.

5. Obtenha a aprovação institucional

A proposta deve ser submetida ao órgão indicado pela universidade.

A instituição pode solicitar alterações no estatuto, no plano acadêmico, nos serviços ou na forma de supervisão antes de reconhecer a empresa júnior.

6. Realize a assembleia de fundação

Na assembleia, os estudantes formalizam a criação da associação.

Normalmente são deliberados:

  • a fundação da empresa júnior;
  • a aprovação do estatuto;
  • a eleição da primeira diretoria;
  • a escolha do conselho fiscal, quando previsto;
  • a indicação dos representantes legais;
  • a autorização para realizar os registros.

As decisões devem constar na ata de fundação.

7. Registre a associação em cartório

Como a empresa júnior é uma associação civil, seus atos constitutivos são normalmente registrados no Cartório de Registro Civil de Pessoas Jurídicas.

O cartório pode solicitar o estatuto, a ata de fundação, a ata de eleição, a lista de presença, os documentos dos dirigentes e outros itens definidos localmente.

8. Solicite o CNPJ

Após o registro do ato constitutivo — ou de forma integrada ao procedimento adotado localmente — a associação deve solicitar sua inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica.

Para entender esse cadastro, consulte o artigo sobre o que é CNPJ e como solicitar o seu.

9. Providencie os registros municipais

Como a empresa júnior pode prestar serviços, geralmente é necessário verificar a inscrição municipal e a autorização para emissão de notas fiscais.

Dependendo das atividades, também podem ser exigidos:

  • licenças municipais;
  • cadastro em conselho profissional;
  • responsável técnico;
  • licença sanitária;
  • licença ambiental;
  • vistoria de segurança.

Veja como funciona a inscrição municipal.

10. Abra a conta bancária e organize a contabilidade

A empresa júnior deve movimentar suas receitas e despesas em uma conta bancária pertencente à própria associação.

Não é recomendado utilizar contas pessoais dos estudantes para receber pagamentos de clientes ou pagar despesas da entidade.

Antes de iniciar os projetos, também é necessário definir a emissão de notas fiscais, o registro das receitas e despesas, a aprovação de pagamentos e a prestação de contas.

Depois da formalização, utilize o conteúdo sobre o que fazer depois de obter o CNPJ como checklist de regularização.

Quais documentos são necessários?

A lista pode variar conforme a universidade, o cartório, o município e as atividades desenvolvidas.

EtapaDocumentos mais comuns
Aprovação acadêmicaProposta de criação, plano acadêmico, relação de alunos e indicação do orientador
ConstituiçãoEstatuto, ata de fundação, ata de eleição e lista de presença
Registro em cartórioAtos constitutivos, requerimento e documentos dos dirigentes
CNPJAto registrado, dados cadastrais, endereço e identificação do responsável
PrefeituraComprovante de endereço, informações sobre as atividades e documentos municipais
Conta bancáriaCNPJ, estatuto registrado, ata da diretoria e documentos dos representantes

Confira também a lista completa de documentos para abrir uma pessoa jurídica.

Empresa júnior é registrada em cartório ou na Junta Comercial?

A empresa júnior é normalmente registrada no Cartório de Registro Civil de Pessoas Jurídicas, e não na Junta Comercial.

Isso acontece porque sua natureza jurídica é de associação civil sem fins lucrativos, e não de sociedade empresária.

O procedimento pode estar integrado à Redesim e apresentar diferenças conforme o estado e o município.

Antes do registro, também pode ser necessária uma consulta de viabilidade do nome e do endereço.

Empresa júnior precisa de CNPJ?

Sim. A empresa júnior formalizada precisa ter CNPJ.

O cadastro é necessário para:

  • identificar juridicamente a associação;
  • abrir conta bancária;
  • celebrar contratos;
  • emitir notas fiscais;
  • receber pagamentos;
  • contratar fornecedores;
  • realizar inscrições municipais;
  • entregar obrigações fiscais e contábeis.

O CNPJ não transforma a associação em uma empresa com finalidade lucrativa. O cadastro também é utilizado para identificar associações, fundações e outras entidades.

Trocar de contador

Empresa júnior paga impostos e precisa de contador?

O fato de ser uma associação sem fins lucrativos não significa que a empresa júnior esteja automaticamente isenta de todos os tributos e obrigações.

O tratamento depende das receitas, dos serviços prestados, da legislação municipal e do cumprimento dos requisitos aplicáveis às entidades sem fins lucrativos.

Podem existir obrigações relacionadas a:

  • ISS sobre os serviços;
  • retenções em notas fiscais;
  • pagamentos realizados a terceiros;
  • contribuições previdenciárias;
  • declarações federais e municipais;
  • escrituração contábil.

A empresa júnior não deve ser tratada automaticamente como uma Microempresa comum nem enquadrada no Simples Nacional sem uma análise da sua natureza jurídica.

Empresa júnior precisa de contador?

Sim. A contabilidade é importante para registrar receitas e despesas, controlar o patrimônio, elaborar demonstrações contábeis, prestar contas e manter o CNPJ regular.

O acompanhamento também ajuda a comprovar que os resultados não foram distribuídos entre os membros.

Como as diretorias mudam com frequência, a manutenção de documentos, acessos e registros contábeis reduz o risco de os novos gestores assumirem pendências desconhecidas.

Quanto custa criar uma empresa júnior?

Não existe um valor único para criar uma empresa júnior. Os custos variam conforme o cartório, o município, as atividades e o apoio oferecido pela instituição de ensino.

Entre as despesas possíveis estão:

  • registro do estatuto e das atas;
  • autenticações e reconhecimento de firmas;
  • assessoria jurídica;
  • serviço contábil;
  • certificado digital;
  • inscrição municipal;
  • licenças;
  • registro em conselho profissional;
  • sistemas de gestão e emissão de notas;
  • conta bancária e estrutura administrativa.

Algumas instituições cedem espaço físico, equipamentos e apoio técnico, o que pode reduzir o investimento inicial.

Para conhecer os principais grupos de despesas, veja quanto custa abrir e manter um CNPJ.

Erros comuns ao criar uma empresa júnior

Começar a prestar serviços antes da formalização

Atender clientes sem CNPJ, contrato, nota fiscal e conta bancária própria pode expor os estudantes e a instituição de ensino.

Copiar o estatuto de outra associação

O documento precisa ser adaptado aos cursos, à estrutura interna e às regras da universidade.

Usar a conta bancária de um estudante

A prática mistura o patrimônio pessoal com os recursos da associação e dificulta a prestação de contas.

Ignorar atividades regulamentadas

Alguns serviços dependem de supervisão, habilitação profissional, conselho de classe ou responsável técnico.

Confundir receita com lucro distribuível

A empresa júnior pode gerar receita e superávit, mas não pode dividir os valores entre os integrantes.

Não planejar a troca de diretoria

Documentos, contratos, senhas, certificados e controles financeiros precisam ser transferidos formalmente para os novos gestores.

Presumir que não existem impostos

A expressão “sem fins lucrativos” não elimina automaticamente tributos, retenções e obrigações acessórias.

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Perguntas frequentes sobre empresa júnior

1) O que é uma empresa júnior?

É uma associação civil sem fins lucrativos criada e administrada por estudantes de graduação para desenvolver projetos relacionados aos cursos e proporcionar experiência profissional.

2) Empresa júnior precisa de CNPJ?

Sim. O CNPJ é necessário para identificar a associação, abrir conta bancária, celebrar contratos, emitir notas e cumprir obrigações.

3) Quantas pessoas são necessárias para criar uma empresa júnior?

A legislação federal não estabelece um número mínimo único. A instituição de ensino pode definir uma quantidade mínima em seu regulamento.

4) Empresa júnior precisa estar vinculada a uma universidade?

Sim. A empresa júnior deve funcionar perante uma instituição de ensino superior e estar vinculada a cursos de graduação.

5) Os integrantes podem receber salário?

Não pelo trabalho realizado como membros da empresa júnior. A participação estudantil é voluntária e não pode haver distribuição de lucros ou resultados.

6) Empresa júnior pode cobrar pelos serviços?

Sim. Os recursos devem ser utilizados para manter a entidade e investir em suas finalidades educacionais.

7) Empresa júnior é registrada na Junta Comercial?

Em regra, não. Como associação civil, ela é normalmente registrada no Cartório de Registro Civil de Pessoas Jurídicas.

8) Empresa júnior pode emitir nota fiscal?

Sim, desde que possua CNPJ, inscrição municipal e autorização do município para emitir a nota correspondente ao serviço.

9) Empresa júnior paga impostos?

Pode pagar. A incidência depende da atividade, da receita, das regras municipais e do cumprimento das condições aplicáveis às associações sem fins lucrativos.

10) Empresa júnior precisa de contador?

Sim. A contabilidade é necessária para registrar as operações, prestar contas, entregar obrigações e manter a associação regular.

Conclusão: como criar uma empresa júnior regular?

Criar uma empresa júnior exige mais do que reunir estudantes e começar a prestar serviços.

O grupo precisa consultar as regras da instituição de ensino, definir os projetos, preparar o estatuto, realizar a assembleia de fundação, registrar a associação em cartório e solicitar o CNPJ.

Depois da formalização, será necessário organizar a inscrição municipal, a emissão de notas fiscais, a conta bancária, a contabilidade e a troca periódica de diretoria.

Precisa organizar o registro e as obrigações da associação? Consulte um contador.

Para receber orientação sobre a formalização, fale com o time da contabilidade.com pelo WhatsApp.

Veja também o Guia da Contabilidade para entender outras etapas relacionadas ao CNPJ, registros e obrigações de pessoas jurídicas.

Falar com especialistas
Erico Azevedo

Escrito por:

Erico Azevedo

Erico Azevedo é fundador da Contabilidade.com e da BPO Suite. Engenheiro e empresário contábil, com mestrado e doutorado pela Unicamp, foi cofundador da Wabbi Software, posteriormente incorporada à Contaazul e adquirida pelo grupo norueguês Visma em um dos maiores negócios da história do SaaS brasileiro. Hoje, dedica-se a construir soluções de contabilidade digital e BPO financeiro para empresários contábeis, micro, pequenas e médias empresas.

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