Quanto uma holding familiar paga de imposto? Veja a tributação como autônomo, Simples Nacional e Lucro Presumido.

Quanto uma holding familiar paga de imposto? Veja a tributação como autônomo, Simples Nacional e Lucro Presumido.

Publicado em07/07/2026

Tempo leitura17min 4s

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Quanto uma holding familiar paga de imposto depende do tipo de patrimônio, da origem das receitas e do regime tributário escolhido. Em geral, a holding familiar é criada para organizar bens, imóveis, participações societárias e regras de sucessão entre familiares.

Diferente de uma empresa prestadora de serviços comum, a holding familiar normalmente não pode ser MEI nem optar pelo Simples Nacional. Quando há participação em outras empresas, a Lei Complementar 123/2006 impede a opção pelo Simples para pessoa jurídica que participe do capital de outra pessoa jurídica. Já o CNAE 6462-0/00 compreende holdings de instituições não financeiras que detêm o controle de capital de grupos empresariais.

Este conteúdo integra o cluster de regime tributário, onde explicamos como escolher entre Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real para pagar impostos corretamente.

Se você quer estruturar uma holding com apoio especializado, conheça a página de contabilidade para holding familiar.

Resumo rápido

  • Holding familiar não pode ser MEI.
  • Em regra, holding familiar não pode optar pelo Simples Nacional.
  • O regime mais usado costuma ser o Lucro Presumido.
  • Receitas de aluguel podem ter carga aproximada entre 11% e 14,53%, conforme o caso.
  • Na pessoa física, aluguéis podem chegar a 27,5% de IRPF.
  • O objetivo da holding familiar não é apenas pagar menos imposto, mas organizar patrimônio, sucessão e governança familiar.

Neste artigo você vai entender

Quanto uma holding familiar paga de imposto?

Uma holding familiar pode ter diferentes tipos de receita: aluguel de imóveis próprios, distribuição de lucros de empresas investidas, juros sobre capital próprio, venda de bens, ganho de capital ou prestação de serviços administrativos para empresas do grupo.

Forma de atuaçãoTributação principalQuando costuma acontecer
Pessoa FísicaIRPF sobre aluguéis, ganho de capital e rendimentosQuando os bens ficam diretamente no CPF dos familiares.
MEINão aplicávelHolding familiar não pode ser MEI.
Simples NacionalEm regra, não aplicávelHoldings costumam ter impedimento para optar pelo Simples.
Lucro PresumidoTributação conforme presunção de lucro e tipo de receitaRegime mais comum para holdings familiares e patrimoniais.
Lucro RealIRPJ e CSLL sobre lucro efetivoEstruturas maiores, complexas ou com custos relevantes.

Por isso, não existe uma alíquota única para holding familiar. O cálculo depende do tipo de patrimônio, da receita, do município, do contrato social, do regime tributário e da contabilidade.

Comparativo: pessoa física x holding familiar

A principal diferença entre manter bens na pessoa física e criar uma holding familiar está na organização patrimonial e sucessória.

CritérioPessoa FísicaHolding Familiar
PatrimônioBens ficam diretamente no CPFBens ficam centralizados no CNPJ
AluguéisPodem ser tributados pela tabela progressiva do IRPFPodem ser tributados pelo Lucro Presumido ou Lucro Real
SucessãoPode depender de inventário e partilha direta dos bensPode ser planejada por quotas e regras societárias
Governança familiarMais limitadaPermite regras de administração, doação, usufruto e sucessão
IndicaçãoPatrimônio simples ou poucos bensFamílias com imóveis, empresas, participações ou planejamento sucessório

Patrimônio na pessoa física: IRPF, aluguéis e ganho de capital

Quando os bens ficam na pessoa física, os rendimentos são tributados diretamente no CPF dos titulares.

Os principais pontos de atenção são:

  • Aluguéis: podem ser tributados pela tabela progressiva do IRPF, chegando a 27,5%;
  • Carnê-Leão: pode ser obrigatório quando há recebimento de aluguel de pessoa física;
  • Venda de imóveis: pode gerar ganho de capital, com alíquotas que variam conforme a legislação aplicável;
  • Sucessão: a transferência dos bens pode depender de inventário, doação, ITCMD e custos jurídicos;
  • Gestão familiar: pode ser mais difícil definir regras de administração, entrada de herdeiros e distribuição de receitas.

Por isso, quando existe patrimônio relevante, imóveis alugados ou empresas familiares, a holding pode ser avaliada como uma ferramenta de organização e planejamento.

Holding familiar pode ser MEI?

Não. Holding familiar não pode ser MEI.

O MEI é voltado a atividades permitidas em lista específica, com estrutura simplificada e limite de faturamento. A atividade de holding, administração patrimonial, participação societária e organização de bens familiares não se enquadra como atividade permitida ao Microempreendedor Individual.

Para consultar atividades permitidas, veja a Tabela completa dos CNAES do MEI.

Holding familiar pode ser Simples Nacional?

Em regra, não. A holding familiar costuma ter impedimento para optar pelo Simples Nacional, principalmente quando participa de outras empresas ou exerce atividade patrimonial incompatível com o regime.

A Lei Complementar 123/2006 veda o Simples para pessoa jurídica que participe do capital de outra pessoa jurídica. Como muitas holdings familiares são criadas para controlar participações, empresas do grupo ou patrimônio societário, o enquadramento no Simples tende a ser inviável.

Por isso, o caminho mais comum é analisar Lucro Presumido e Lucro Real.

Para entender melhor as regras gerais, veja a Tabela do Simples Nacional.

Holding familiar no Lucro Presumido

O Lucro Presumido costuma ser o regime mais utilizado por holdings familiares e patrimoniais. Nesse regime, a Receita Federal presume uma margem de lucro sobre a receita bruta, e os tributos são calculados a partir dessa base.

A tributação varia conforme o tipo de receita da holding.

Tipo de receitaBase de presunção comumTributação aproximada
Locação de imóveis próprios32% para IRPJ e CSLLEm geral, cerca de 11% a 14,53%, conforme adicional de IRPJ
Administração de bens próprios32% para IRPJ e CSLLVaria conforme receita, ISS e estrutura
Compra e venda de imóveis próprios8% para IRPJ e 12% para CSLLPode ter carga menor, conforme a operação
Participações societáriasDepende da natureza da receitaDeve ser analisada caso a caso

No Lucro Presumido, a holding familiar pode pagar IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Em algumas atividades, também pode haver ISS, dependendo da natureza da receita e das regras do município.

Para entender melhor, leia o guia de Lucro Presumido.

Holding familiar no Lucro Real

O Lucro Real é um regime em que IRPJ e CSLL incidem sobre o lucro efetivamente apurado pela contabilidade. Ele pode ser obrigatório para algumas empresas ou escolhido quando faz sentido do ponto de vista tributário.

Esse regime pode ser avaliado quando a holding familiar possui:

  • patrimônio muito elevado;
  • muitas empresas investidas;
  • receitas financeiras relevantes;
  • custos e despesas dedutíveis importantes;
  • operações frequentes de compra e venda de bens ou participações;
  • estrutura societária mais complexa.

No Lucro Real, as alíquotas nominais de IRPJ e CSLL podem somar 34% sobre o lucro, considerando IRPJ de 15%, adicional de IRPJ de 10% sobre a parcela excedente e CSLL de 9%. Além disso, PIS e COFINS costumam seguir o regime não cumulativo.

Apesar de ser mais complexo, o Lucro Real pode ser adequado quando a margem efetiva é menor do que a margem presumida ou quando a estrutura exige controle contábil mais detalhado.

Simulação de impostos para holding familiar

A tabela abaixo mostra uma simulação didática para uma holding familiar com receita mensal de aluguel de imóveis próprios, considerando carga aproximada entre 11,33% e 14,53% no Lucro Presumido.

Receita mensal de aluguelTributação aproximada mínimaTributação aproximada máximaComparação com pessoa física
R$ 5.000R$ 566,50R$ 726,50No CPF, pode chegar a 27,5% conforme a tabela do IRPF.
R$ 10.000R$ 1.133,00R$ 1.453,00A diferença pode ser relevante em receitas recorrentes.
R$ 20.000R$ 2.266,00R$ 2.906,00O cálculo deve considerar custos de manutenção da holding.
R$ 30.000R$ 3.399,00R$ 4.359,00É necessário simular também ganho de capital e sucessão.

Esses valores são apenas uma referência. A tributação real depende do tipo de receita, da atividade registrada, do município, da existência de ISS, do adicional de IRPJ e da escrituração contábil.

Use a calculadora de impostos da contabilidade.com para comparar cenários.

Lucro Presumido ou Lucro Real para holding familiar?

A escolha entre Lucro Presumido e Lucro Real depende do patrimônio, das receitas, das despesas, da estrutura familiar e dos objetivos da holding.

CenárioLucro PresumidoLucro Real
Holding com imóveis alugadosCostuma ser o regime mais usadoDeve ser comparado se houver despesas relevantes
Holding com participações societáriasPode ser usado, conforme receitasPode fazer sentido em estruturas maiores
Família com patrimônio simplesGeralmente é mais simples de administrarPode ser complexo demais
Grupo familiar com várias empresasDeve ser analisado com cuidadoPode oferecer controle contábil mais robusto
Operações frequentes de compra e vendaPode ser vantajoso em alguns cenáriosPode ser necessário comparar margem real

Para comparar com mais precisão, veja o conteúdo sobre impostos de PJ: Simples x Lucro Presumido.

O que muda para holdings com a Reforma Tributária?

A Reforma Tributária muda gradualmente a tributação sobre consumo no Brasil, com a criação da CBS e do IBS durante o período de transição.

Para holdings familiares, o impacto depende da natureza das receitas. Uma holding que apenas organiza participações societárias pode ter efeitos diferentes de uma holding que recebe aluguéis, administra bens, presta serviços ao grupo ou realiza operações imobiliárias.

Durante a transição, será importante acompanhar:

  • como CBS e IBS afetarão receitas de locação, administração e serviços;
  • como ficarão créditos tributários em operações entre empresas do grupo;
  • se haverá impacto na emissão de notas fiscais;
  • como o regime tributário escolhido interage com as novas regras;
  • se a estrutura familiar precisará ser revisada.

Para entender o contexto geral, veja o artigo sobre Reforma Tributária 2026 a 2033, o conteúdo sobre IBS e CBS e o guia sobre o que muda para empresas com a Reforma Tributária.

Vale a pena abrir CNPJ para holding familiar?

Em muitos casos, vale a pena abrir CNPJ para holding familiar quando existe patrimônio relevante, imóveis alugados, empresas familiares, participações societárias ou intenção de organizar a sucessão.

Com uma holding, é possível centralizar bens, definir regras de administração, organizar a entrada de herdeiros, planejar doações de quotas, separar patrimônio pessoal e empresarial e melhorar a governança familiar.

Entre os CNAEs que podem aparecer em estruturas de holding familiar, estão:

  • 6462-0/00 – Holdings de instituições não financeiras;
  • 6463-8/00 – Outras sociedades de participação, exceto holdings;
  • 6810-2/02 – Aluguel de imóveis próprios;
  • 6810-2/01 – Compra e venda de imóveis próprios;
  • 6822-6/00 – Gestão e administração da propriedade imobiliária.

A escolha do CNAE deve ser feita conforme a atividade real da empresa. Uma holding familiar de participações não deve ser tratada da mesma forma que uma holding patrimonial focada em imóveis.

Para abrir ou estruturar sua empresa, veja o guia de abertura de empresa, o conteúdo sobre contrato social, consulte os planos e preços ou fale com a contabilidade.com para holding familiar.

FAQ – Perguntas Frequentes sobre Impostos para Holding Familiar

1. Quanto uma holding familiar paga de imposto?
Depende das receitas e do regime tributário. Para aluguéis no Lucro Presumido, a carga costuma ficar em torno de 11% a 14,53%, conforme adicional de IRPJ e estrutura.

2. Holding familiar pode ser MEI?
Não. Holding familiar não pode ser MEI porque a atividade não está entre as permitidas para Microempreendedor Individual.

3. Holding familiar pode ser Simples Nacional?
Em regra, não. Holdings familiares costumam ter impedimento para optar pelo Simples Nacional, especialmente quando participam de outras empresas ou administram patrimônio.

4. Qual regime tributário é melhor para holding familiar?
O Lucro Presumido costuma ser o mais usado, mas o Lucro Real pode ser avaliado em estruturas maiores, com custos relevantes, receitas financeiras ou operações complexas.

5. Holding familiar paga menos imposto que pessoa física?
Pode pagar menos em alguns cenários, principalmente quando há aluguéis tributados no CPF pela tabela progressiva do IRPF. Mas a decisão deve considerar custos de abertura, contabilidade, ITBI, ITCMD, ganho de capital e objetivo sucessório.

6. Qual CNAE usar para holding familiar?
Depende da atividade. O CNAE 6462-0/00 é comum para holdings de instituições não financeiras. Se houver imóveis, aluguéis ou gestão imobiliária, outros CNAEs podem ser necessários.

7. Holding familiar evita inventário?
A holding familiar pode ajudar no planejamento sucessório, especialmente por meio de quotas, doação, usufruto e regras societárias. Porém, a estrutura deve ser feita com apoio contábil e jurídico para evitar riscos.

8. O que muda para holdings familiares com a Reforma Tributária?
A Reforma Tributária cria CBS e IBS e pode afetar receitas de locação, administração, prestação de serviços, operações imobiliárias e emissão de notas. O impacto depende da atividade real da holding.

Conclusão

Saber quanto uma holding familiar paga de imposto exige analisar o patrimônio, as receitas, o regime tributário e os objetivos da família.

A holding familiar não é MEI e, em regra, não pode optar pelo Simples Nacional. Na maioria dos casos, o Lucro Presumido é o regime mais usado, especialmente quando há imóveis alugados ou estrutura patrimonial familiar. Já o Lucro Real pode ser avaliado em estruturas maiores ou mais complexas.

Mais do que reduzir imposto, a holding familiar pode ajudar na organização patrimonial, na sucessão, na governança entre familiares e na proteção da continuidade dos bens e empresas do grupo.

Precisa estruturar uma holding familiar? Conheça a contabilidade.com para holding familiar, consulte os planos e preços ou fale com um especialista pelo WhatsApp.

Erico Azevedo

Escrito por:

Erico Azevedo

Empreendedor serial e CEO da Contabilidade.com, plataforma contábil completa para CNPJs. Também é sócio-fundador do Contbank, primeira solução de BPO e Gestão Financeira Simplificada com Inteligência Artificial e Open Finance. Em 2018, fundou a Wabbi Software, primeira plataforma contábil em nuvem do Brasil, posteriormente vendida à ContaAzul, onde se tornou sócio e acionista. Além da carreira empreendedora, é pesquisador, com Doutorado em Engenharia Elétrica pela UNICAMP e Doutorado em Psicologia pela PUC/SP. Autor de diversos livros e pesquisas sobre campos informacionais e intuição, é fundador da Associação Oriont, dedicada ao estudo da consciência. Editor e coautor do livro científico “Information Fields Theory and Applications: Quantum Communication in Physics and Biology” (Springer Nature, 2025) e autor de “Intuição: do mistério à maestria”, obra que conecta ciência, percepção e autoconhecimento. Com muita experiência na interseção entre tecnologia, finanças, psicologia e inovação, Erico Azevedo é referência em liderança, empreendedorismo e inovação organizacional no Brasil e no exterior.

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