A comparação entre Simples Nacional e Lucro Real costuma aparecer quando a empresa está crescendo, quando a margem de lucro fica apertada ou quando a operação passa a ter muitos custos e insumos (o que pode abrir espaço para créditos de PIS/COFINS no Lucro Real).
Em resumo: o Simples Nacional é o regime mais comum para pequenas empresas pela simplicidade (guia única – DAS) e por ser voltado para faturamentos menores. Já o Lucro Real costuma fazer sentido quando o imposto precisa refletir a realidade do lucro (margem baixa ou prejuízo) ou quando o negócio tem estrutura para cumprir as obrigações e se beneficiar de créditos fiscais.
Para entender o Simples Nacional com profundidade (anexos, Fator R, limites e DAS), comece pelo nosso artigo principal: Simples Nacional: guia completo (Anexos, Fator R, Limites e DAS).
Índice do conteúdo
- O que é Simples Nacional e o que é Lucro Real
- Quando o Simples Nacional faz sentido
- Quando o Lucro Real faz sentido (e pode ser melhor)
- Tabela comparativa: Simples x Lucro Real
- Sinais de que pode ser hora de mudar de regime
- Como decidir com segurança (checklist prático)
- FAQ: dúvidas frequentes
- Conclusão
O que é Simples Nacional e o que é Lucro Real
O que é Simples Nacional
O Simples Nacional é um regime tributário voltado para ME e EPP (e também inclui o MEI no SIMEI), com limite geral de faturamento anual de R$ 4,8 milhões. A grande característica do Simples é a unificação de tributos em uma guia mensal, o DAS, com alíquotas progressivas conforme atividade (CNAE/anexo) e faturamento.
Se você quer entender “mão na massa” como funciona (o que entra no DAS, anexos, PGDAS-D e exemplos), leia também: O que é Simples Nacional e como funciona na prática (guia 2026).
O que é Lucro Real
O Lucro Real é um regime em que o cálculo de impostos como IRPJ e CSLL se baseia no lucro efetivo apurado pela contabilidade (com ajustes fiscais previstos em lei). Em outras palavras: se a empresa lucra pouco, a base de cálculo tende a ser menor; se a empresa tem prejuízo, pode haver ausência de IRPJ/CSLL naquele período (respeitando as regras de apuração).
Além disso, no Lucro Real pode existir espaço para aproveitamento de créditos (especialmente de PIS/COFINS, conforme regras do regime), o que pode ser relevante em operações com muitos custos e insumos.
Quando o Simples Nacional faz sentido
O Simples Nacional costuma fazer sentido quando a empresa busca simplificação e está dentro do limite do regime, com uma operação que não exige uma estrutura fiscal tão pesada quanto o Lucro Real.
- Faturamento até R$ 4,8 milhões/ano e atividade permitida no Simples;
- Preferência por guia única (DAS) e menos burocracia no recolhimento;
- Margens de lucro razoáveis (porque a tributação gira, em grande parte, sobre o faturamento);
- Negócios em fase inicial ou em crescimento, que querem foco em execução com gestão simplificada;
- Empresas em que a carga efetiva do Simples fica competitiva conforme o anexo e a faixa.
Para decidir com segurança, vale entender quando o Simples compensa e quando pode deixar de ser vantajoso: Simples Nacional vale a pena? Quando compensa e quando não (guia prático 2026). E, se você quer uma visão de prós e contras por cenário, complemente com: Simples Nacional 2026: vantagens e desvantagens.
Para prestadores de serviço, entender Anexo III x Anexo V e o impacto do Fator R é um divisor de águas na carga tributária. Se esse é o seu caso, aprofunde em: Fator R no Simples: como calcular e pagar menos e em Anexos do Simples Nacional: o que cada anexo cobre.
Quando o Lucro Real faz sentido (e pode ser melhor que o Simples)
O Lucro Real costuma fazer sentido quando você precisa que a tributação acompanhe a realidade econômica do negócio e quando há potencial de redução de carga pela apuração detalhada e pelo uso de créditos (especialmente em operações com muitos custos/insumos).
1) Margens de lucro baixas ou períodos de prejuízo
Se a sua margem é apertada (ou se o negócio tem períodos de prejuízo), o Lucro Real tende a ser mais “aderente” porque IRPJ/CSLL incidem sobre o lucro efetivo. Isso pode evitar a sensação de “pagar imposto mesmo sem ganhar”, algo que pode acontecer no Simples por ser baseado principalmente na receita.
2) Operações com muitos custos e insumos
Indústria, comércio e empresas com alto custo de operação (matéria-prima, energia, frete, armazenamento, tecnologia e outras despesas relevantes) podem encontrar no Lucro Real um cenário melhor quando o aproveitamento de créditos e a apuração detalhada reduzem a carga final.
3) Empresa crescendo e perto de estourar limites do Simples
Se sua empresa está se aproximando do teto do Simples, o ideal é simular cenários com antecedência para evitar mudanças “no susto”. Esse planejamento passa por entender limites, sublimites e desenquadramento. Para isso, complemente com: Limite e sublimites do Simples Nacional: regras e exemplos e com Desenquadramento do Simples: causas, prazos e como regularizar.
4) Obrigatoriedade por porte/atividade
Existem situações em que o Lucro Real pode ser obrigatório, especialmente para empresas de grande porte ou determinadas atividades. De modo geral, empresas com receita bruta anual acima de R$ 78 milhões entram no radar do Lucro Real (além de setores específicos).
Tabela comparativa: Simples Nacional x Lucro Real
| Critério | Simples Nacional | Lucro Real | Na prática: o que isso muda |
|---|---|---|---|
| Para quem é | ME/EPP (e MEI no SIMEI), com atividade permitida | Empresas com estrutura contábil robusta; obrigatório em alguns casos | Simples simplifica a rotina; Lucro Real exige controles detalhados |
| Limite de faturamento | Até R$ 4,8 milhões/ano | Usado/obrigatório em cenários de maior porte (referência comum: R$ 78 milhões/ano) | Ao crescer, é essencial planejar o “próximo regime” com antecedência |
| Como calcula IRPJ/CSLL | Inclusos no DAS, conforme anexo e faixa | Sobre o lucro efetivo (lucro contábil ajustado) | Margem baixa ou prejuízo pode tornar o Lucro Real mais coerente |
| Base principal de cobrança | Receita (faturamento), com alíquota progressiva | Resultado (lucro), com apuração e ajustes | No Simples, faturamento sobe e imposto tende a subir; no Real, depende do lucro |
| Créditos fiscais | Regime simplificado (créditos não são o foco) | Possibilidade de aproveitar créditos (ex.: PIS/COFINS, conforme regras) | Operações com muitos insumos podem reduzir carga no Lucro Real |
| Burocracia e obrigações | Menos burocracia e guia única (DAS) | Mais obrigações acessórias e controles fiscais/contábeis | Lucro Real exige disciplina operacional; Simples costuma ser mais prático |
| Quando tende a ser melhor | Margens razoáveis, operação simples, foco em crescimento com simplicidade | Margens apertadas/prejuízo, muitos custos/insumos, ou obrigação legal | Sem simulação, não dá para afirmar qual “paga menos” |
Sinais de que pode ser hora de mudar de regime
Alguns sinais práticos indicam que vale colocar a comparação Simples x Lucro Real (e outros regimes) na mesa:
- Queda de margem (você fatura, mas o lucro efetivo cai);
- Aumento de custos (insumos, fretes, energia, tecnologia, aluguéis);
- Crescimento acelerado com risco de estourar o teto do Simples;
- Necessidade de controle contábil robusto para evitar distorções e riscos;
- Impeditivos ou risco de exclusão no Simples (atividade, débitos, estrutura societária, etc.).
Se você quer entender esses impeditivos e evitar problemas, complemente com: Quem deveria evitar o Simples Nacional em 2026.
Como decidir com segurança (checklist prático)
Antes de trocar de regime, o caminho mais seguro é fazer uma simulação orientada por contador com base em dados reais. Use este checklist:
- 1) CNAE e atividade real: confirmar se a atividade é permitida no Simples e como ela é tratada na prática (para evitar pagar imposto no anexo errado). Para esse ponto, vale consultar: CNAE no Simples Nacional: permitidos e vedações.
- 2) Faturamento e tendência: olhar últimos 12 meses (RBT12) e projeção para 6–12 meses.
- 3) Margem de lucro: comparar lucro efetivo versus carga no Simples (por anexo/faixa).
- 4) Mapa de custos/insumos: identificar se há potencial de crédito e se a operação “tem material” para Lucro Real.
- 5) Capacidade de cumprir obrigações: Lucro Real exige processo, rotina e controles.
Se você está focando em Simples agora e quer evitar erros básicos no dia a dia, vale também revisar a apuração e emissão correta do DAS: PGDAS-D: passo a passo e DAS do Simples: como emitir e evitar erros.
FAQ: dúvidas frequentes sobre Simples Nacional e Lucro Real
1) Qual é o limite de faturamento do Simples Nacional?
O limite geral do Simples Nacional é de R$ 4,8 milhões por ano para ME/EPP (além do MEI no SIMEI, com limite próprio).
2) Quando o Lucro Real vira obrigatório?
Em termos gerais, o Lucro Real entra como obrigatoriedade em empresas de maior porte (referência comum: R$ 78 milhões/ano) e em algumas atividades específicas. O ideal é validar o enquadramento com contador conforme o seu setor.
3) Se eu tiver prejuízo no Lucro Real, pago IRPJ e CSLL?
Como o cálculo é baseado no lucro efetivo, em cenário de prejuízo pode não haver IRPJ/CSLL naquele período, respeitadas as regras de apuração e escrituração.
4) Lucro Real sempre compensa quando tenho muitos custos?
Não necessariamente. Ele pode fazer sentido quando os custos/insumos e a estrutura permitem aproveitar créditos e quando a apuração detalhada realmente reduz a carga final. Sem simulação, é apenas hipótese.
5) O Simples Nacional sempre é o melhor para pequenas empresas?
Na maioria dos casos ele é o caminho mais simples, mas nem sempre é o mais econômico. Depende do anexo, faturamento, Fator R (quando aplicável) e margem. Para aprofundar, veja: quando compensa e quando não (guia prático 2026).
Conclusão
O Simples Nacional costuma ser a escolha mais natural para pequenas empresas que buscam simplicidade e estão dentro do limite do regime, especialmente quando a margem é saudável e a carga efetiva fica competitiva. Já o Lucro Real tende a fazer sentido quando a empresa precisa pagar impostos de forma mais aderente ao lucro efetivo (margem baixa ou prejuízo), quando há muitos custos/insumos e potencial de créditos, ou quando a lei exige esse enquadramento.
Antes de tomar qualquer decisão, o ideal é comparar números reais do seu negócio (CNAE, faturamento, margem e custos). E, para revisar o Simples por completo antes de migrar, retome nosso artigo principal: Simples Nacional: guia completo (Anexos, Fator R, Limites e DAS).
Quer simular Simples x Lucro Real no seu caso?
Acesse nossa Calculadora de Impostos. A escolha correta depende de CNAE, faturamento, margem, custos/insumos e capacidade de cumprir obrigações. Para decidir com segurança e evitar pagar imposto a mais, fale com um especialista da contabilidade.com.

