Impostos por profissão variam conforme a forma de atuação, o faturamento, o CNAE, o regime tributário e o tipo de serviço prestado. Um profissional pode pagar impostos como pessoa física, via Carnê-Leão, atuar como MEI quando permitido, abrir uma empresa no Simples Nacional ou optar pelo Lucro Presumido.
Na prática, a mesma profissão pode ter cargas tributárias muito diferentes dependendo do enquadramento. Um dentista, psicólogo, médico, advogado, corretor de imóveis, afiliado ou desenvolvedor pode pagar mais imposto como pessoa física do que como PJ, especialmente quando o faturamento cresce e não há planejamento tributário.
Este conteúdo faz parte do cluster de regime tributário da contabilidade.com e funciona como guia central para comparar pessoa física x PJ, Carnê-Leão, MEI, Simples Nacional, Lucro Presumido e os impactos da Reforma Tributária.
Se você quer calcular quanto pagaria como PJ, acesse a calculadora de impostos da contabilidade.com. Para comparar custos de contabilidade, veja também nossos planos e preços.
Neste artigo você vai entender
- Resumo rápido: quanto cada profissional pode pagar de imposto
- Tabela de impostos por profissão
- Como comparar imposto por profissão
- Pessoa física: Carnê-Leão, IRPF, INSS e ISS
- MEI: quando pode e quando não pode
- Simples Nacional: anexos, Fator R e alíquotas
- Lucro Presumido: quando comparar com o Simples
- Pessoa física ou PJ: quando abrir CNPJ vale a pena?
- O que muda com a Reforma Tributária?
- Como simular impostos por profissão
- FAQ – dúvidas frequentes
Resumo rápido: quanto cada profissional pode pagar de imposto
O imposto de um profissional depende principalmente de como ele recebe: como pessoa física, como MEI, como empresa no Simples Nacional ou como empresa no Lucro Presumido.
| Modelo de atuação | Como funciona | Tributação comum | Quando costuma fazer sentido |
|---|---|---|---|
| Pessoa Física | Recebe em CPF, emite recibos e recolhe impostos como autônomo. | IRPF pela tabela progressiva, INSS e ISS municipal. | Início de carreira ou faturamento baixo. |
| MEI | CNPJ simplificado, com guia fixa mensal. | DAS-MEI fixo, conforme atividade. | Atividades permitidas e faturamento dentro do limite. |
| Simples Nacional | Tributos unificados em uma guia mensal, o DAS. | Alíquotas por anexo, a partir de 4% ou 6% em muitos casos. | Prestadores de serviço, ME e EPP com faturamento dentro do limite. |
| Lucro Presumido | Tributação sobre uma margem presumida de lucro. | Em serviços, carga efetiva frequentemente analisada entre 13,33% e 16,33%, conforme ISS. | Empresas com faturamento maior, baixa folha ou Simples pouco vantajoso. |
A melhor escolha não depende apenas da profissão. Ela depende do faturamento, do município, da folha de pagamento, do pró-labore, do CNAE e da possibilidade de enquadramento no Fator R.
Tabela de impostos por profissão
A tabela abaixo resume possibilidades comuns de tributação para profissionais liberais, prestadores de serviço e profissionais digitais. Ela serve como ponto de partida, mas cada caso precisa ser validado com base no CNAE, faturamento e regras municipais.
| Profissão | Pode ser MEI? | CNAE comum | Pessoa Física | Simples Nacional | Lucro Presumido | Guia completo |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Dentista | Não | 8630-5/04 | IRPF, Carnê-Leão, INSS e ISS | Anexo III ou V, conforme Fator R | Deve ser comparado quando o Simples cai no Anexo V | Quanto um dentista paga de imposto |
| Psicólogo | Não | 8650-0/03 | IRPF, Carnê-Leão, INSS e ISS | Anexo III ou V, conforme Fator R | Pode ser alternativa em alguns cenários | Quanto um psicólogo paga de imposto |
| Médico | Não | 8630-5/03 ou CNAE relacionado à atividade médica | IRPF, Carnê-Leão, INSS e ISS | Anexo III ou V, conforme Fator R | Muito comum em clínicas e profissionais com faturamento maior | Quanto um médico paga de imposto |
| Advogado | Não | 6911-7/01 | IRPF, Carnê-Leão, INSS e ISS | Anexo IV, com regras específicas | Pode ser comparado conforme faturamento e estrutura | Quanto um advogado paga de imposto |
| Corretor de imóveis | Em geral, não é o enquadramento mais indicado para atuação profissional recorrente | 6821-8/01 | IRPF, Carnê-Leão, INSS e ISS | Normalmente analisado no Simples Nacional | Pode ser comparado em faturamentos maiores | Quanto um corretor de imóveis paga de imposto |
| Afiliado digital | Depende da atividade, mas costuma exigir análise cuidadosa | 7319-0/02, 7319-0/03 ou outro CNAE conforme atuação | IRPF e Carnê-Leão, quando recebe como pessoa física | Pode variar conforme CNAE e anexo | Pode ser comparado conforme margem e faturamento | Quanto um afiliado paga de imposto |
| Desenvolvedor | Geralmente não é o melhor caminho para atuação PJ de tecnologia | 6201-5/01, 6202-3/00 ou CNAE relacionado | IRPF e Carnê-Leão, se receber como autônomo | Anexo III ou V, conforme atividade e Fator R | Pode ser competitivo para empresas de TI | Quanto um desenvolvedor paga de imposto |
| Consultor | Depende da atividade permitida | 7020-4/00 ou CNAE específico da consultoria | IRPF e Carnê-Leão, se receber como pessoa física | Anexo III ou V, conforme atividade e Fator R | Pode ser comparado quando o Simples fica caro | Quanto um consultor paga de imposto |
Para entender como o CNAE influencia impostos, anexos e enquadramento, veja também o guia o que é CNAE.
Como comparar imposto por profissão
Para comparar impostos por profissão, não basta olhar a alíquota inicial. É preciso entender a forma de atuação e o regime tributário aplicável.
Os principais critérios são:
- faturamento mensal: quanto maior a receita, maior tende a ser a diferença entre PF e PJ;
- profissão regulamentada: pode impedir MEI e exigir conselho profissional;
- CNAE: define atividade, anexos, vedações e obrigações;
- emissão de recibos ou notas: impacta apuração e cruzamento de informações fiscais;
- Fator R: pode reduzir o imposto no Simples Nacional para algumas atividades;
- ISS municipal: varia conforme cidade e tipo de serviço;
- pró-labore: influencia INSS, IRPF e, em alguns casos, o Fator R;
- regime tributário: Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real.
Para comparar regimes na prática, veja também o conteúdo sobre impostos de PJ: Simples x Lucro Presumido.
Pessoa física: Carnê-Leão, IRPF, INSS e ISS
Profissionais autônomos que recebem de pessoas físicas ou do exterior podem precisar recolher imposto mensalmente pelo Carnê-Leão. Esse modelo é comum para dentistas, psicólogos, médicos, terapeutas, consultores e outros profissionais que atendem diretamente clientes ou pacientes.
Como pessoa física, os principais tributos e obrigações são:
- IRPF: calculado pela tabela progressiva do Imposto de Renda;
- Carnê-Leão: recolhimento mensal obrigatório em rendimentos recebidos de pessoa física ou do exterior;
- INSS: contribuição como autônomo ou contribuinte individual;
- ISS: imposto municipal sobre prestação de serviços, conforme regras da prefeitura;
- Livro-caixa: registro de receitas e despesas dedutíveis da atividade profissional.
Atuar como pessoa física pode fazer sentido no início, quando o faturamento ainda é baixo. Porém, quando a receita cresce, a tributação pode ficar pesada e abrir CNPJ passa a ser uma alternativa importante.
MEI: quando pode e quando não pode
O MEI é o regime mais simples para formalização, mas não serve para todas as profissões. Ele tem limite de faturamento, permite contratação de apenas um funcionário e só aceita atividades autorizadas na lista oficial.
Profissões regulamentadas, que exigem formação superior ou registro em conselho de classe, normalmente não podem ser MEI. É o caso de dentistas, médicos, psicólogos, advogados, engenheiros e arquitetos.
Quando a profissão não pode ser MEI, o caminho costuma ser abrir uma Microempresa em formato como SLU ou LTDA e escolher entre Simples Nacional e Lucro Presumido.
Para conferir as atividades permitidas, consulte a tabela de CNAEs do MEI.
Simples Nacional: anexos, Fator R e alíquotas
O Simples Nacional é um regime tributário que reúne tributos em uma única guia mensal, o DAS. Para prestadores de serviço, a tributação pode variar bastante conforme o CNAE e o anexo aplicável.
Em muitas profissões de serviços, a dúvida principal é se a empresa será tributada pelo Anexo III ou pelo Anexo V.
| Anexo | Alíquota inicial | Quando aparece |
|---|---|---|
| Anexo III | 6% | Serviços enquadrados diretamente ou atividades que atingem o Fator R. |
| Anexo V | 15,5% | Atividades intelectuais e técnicas que não atingem o Fator R. |
O Fator R compara a folha de pagamento dos últimos 12 meses com o faturamento bruto do mesmo período. Se a folha representar pelo menos 28% do faturamento, algumas atividades podem sair do Anexo V e ir para o Anexo III.
Fator R = folha de pagamento dos últimos 12 meses ÷ faturamento bruto dos últimos 12 meses
Para aprofundar, veja a Tabela do Simples Nacional, o guia do Anexo III, o conteúdo sobre Anexo V e o artigo sobre Fator R.
Lucro Presumido: quando comparar com o Simples
O Lucro Presumido é um regime em que o governo presume uma margem de lucro para calcular IRPJ e CSLL. Além disso, a empresa paga PIS, COFINS e ISS, quando se trata de prestação de serviços.
Para muitos prestadores de serviço, uma referência comum de carga efetiva no Lucro Presumido fica entre 13,33% e 16,33%, dependendo do ISS municipal. Ainda assim, o cálculo precisa ser feito caso a caso.
O Lucro Presumido deve ser comparado quando:
- o Simples Nacional cai no Anexo V;
- a empresa não consegue atingir o Fator R;
- o faturamento cresce;
- a margem de lucro é alta;
- há baixa folha de pagamento;
- a empresa quer comparar carga tributária com mais precisão.
Para entender alíquotas, cálculo e regras, leia o guia sobre Lucro Presumido.
Pessoa física ou PJ: quando abrir CNPJ vale a pena?
Abrir CNPJ costuma valer a pena quando o profissional passa a ter faturamento recorrente, precisa emitir nota fiscal, recebe de empresas, quer reduzir impostos legalmente ou deseja separar a vida financeira pessoal da profissional.
A decisão entre pessoa física e PJ deve considerar:
- quanto você fatura por mês;
- se recebe de pessoas físicas ou empresas;
- se precisa emitir nota fiscal;
- se sua profissão pode ser MEI;
- qual CNAE representa melhor sua atividade;
- se o Simples Nacional ou Lucro Presumido reduz sua carga tributária;
- quanto custará manter a contabilidade mensal.
Para entender o processo de formalização, veja o guia de abertura de empresa.
O que muda com a Reforma Tributária?
A Reforma Tributária muda gradualmente a tributação sobre consumo no Brasil, com a criação de CBS e IBS e a substituição progressiva de tributos como PIS, COFINS e ISS.
Para profissionais liberais e prestadores de serviço, o principal cuidado será acompanhar como as novas regras afetarão notas fiscais, regimes tributários, créditos e carga efetiva ao longo da transição.
O Simples Nacional e o MEI permanecem como regimes favorecidos, mas empresas poderão precisar avaliar, conforme o caso, se faz sentido recolher CBS e IBS dentro ou fora da guia única.
Para entender as mudanças de forma completa, veja o guia sobre Reforma Tributária.
Como simular impostos por profissão
A melhor forma de comparar imposto por profissão é simular cenários com dados reais. Para isso, você precisa informar:
- profissão ou atividade exercida;
- faturamento médio mensal;
- se atua como pessoa física ou já possui CNPJ;
- cidade de atuação, por causa do ISS;
- existência de funcionários ou pró-labore;
- necessidade de emitir nota fiscal;
- regime tributário atual, se já houver empresa aberta.
Com essas informações, é possível comparar pessoa física, Simples Nacional, Lucro Presumido e outros cenários. Para começar, use a calculadora de impostos da contabilidade.com.
Se você já decidiu abrir CNPJ ou trocar de contabilidade, consulte também os planos e preços da contabilidade.com.
Guias por profissão
Para aprofundar, veja os guias completos por profissão:
- Quanto um dentista paga de imposto
- Quanto um psicólogo paga de imposto
- Quanto um médico paga de imposto
- Quanto um corretor de imóveis paga de imposto
- Quanto um advogado paga de imposto
- Quanto um afiliado paga de imposto
- Quanto um desenvolvedor paga de imposto
FAQ – dúvidas frequentes sobre impostos por profissão
1. Quanto um profissional paga de imposto?
Depende da profissão, forma de atuação, faturamento e regime tributário. Como pessoa física, pode pagar IRPF, INSS e ISS. Como PJ, pode optar pelo Simples Nacional ou Lucro Presumido, conforme o caso.
2. Pessoa física ou PJ: qual paga menos imposto?
Em muitos casos, a PJ paga menos imposto quando há faturamento recorrente e o regime tributário é bem escolhido. Porém, a comparação precisa considerar contabilidade, pró-labore, INSS, ISS e emissão de notas fiscais.
3. Profissional liberal pode ser MEI?
Depende da atividade. Profissões regulamentadas, como médico, dentista, psicólogo, advogado, engenheiro e arquiteto, normalmente não podem ser MEI.
4. O que é Carnê-Leão?
Carnê-Leão é o recolhimento mensal de Imposto de Renda para pessoas físicas que recebem rendimentos de outras pessoas físicas ou do exterior.
5. O que é Fator R?
Fator R é a relação entre folha de pagamento e faturamento. Quando a folha representa pelo menos 28% do faturamento, algumas empresas podem ser tributadas pelo Anexo III em vez do Anexo V.
6. Quando o Lucro Presumido vale a pena?
Pode valer a pena quando o Simples Nacional fica caro, especialmente em atividades no Anexo V, empresas com baixa folha, boa margem ou faturamento mais alto.
7. A Reforma Tributária muda os impostos dos profissionais?
Sim, principalmente na tributação sobre consumo, notas fiscais e transição para CBS e IBS. O impacto dependerá do regime tributário e da atividade exercida.
8. Como calcular imposto por profissão?
O cálculo depende do faturamento, CNAE, município, forma de atuação, regime tributário e folha de pagamento. O ideal é simular os cenários antes de abrir CNPJ ou trocar de regime.
Conclusão
Entender impostos por profissão é essencial para decidir se vale a pena continuar como pessoa física, abrir CNPJ, optar pelo Simples Nacional ou comparar com o Lucro Presumido.
A escolha correta pode reduzir a carga tributária, melhorar a emissão de notas fiscais, organizar o pró-labore e dar mais segurança para o crescimento profissional.
Antes de decidir, compare sua realidade: profissão, faturamento, CNAE, cidade, recibos, notas fiscais, Fator R e regime tributário.
Para simular seu cenário, acesse a calculadora de impostos. Para abrir CNPJ ou contar com apoio contábil, veja os planos e preços da contabilidade.com ou consulte um contador.

