Impostos por Profissão: quanto cada profissional paga como autônomo, PJ, Simples Nacional e Lucro Presumido

Impostos por Profissão: quanto cada profissional paga como autônomo, PJ, Simples Nacional e Lucro Presumido

Publicado em07/07/2026

Tempo leitura17min 21s

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Impostos por profissão variam conforme a forma de atuação, o faturamento, o CNAE, o regime tributário e o tipo de serviço prestado. Um profissional pode pagar impostos como pessoa física, via Carnê-Leão, atuar como MEI quando permitido, abrir uma empresa no Simples Nacional ou optar pelo Lucro Presumido.

Na prática, a mesma profissão pode ter cargas tributárias muito diferentes dependendo do enquadramento. Um dentista, psicólogo, médico, advogado, corretor de imóveis, afiliado ou desenvolvedor pode pagar mais imposto como pessoa física do que como PJ, especialmente quando o faturamento cresce e não há planejamento tributário.

Este conteúdo faz parte do cluster de regime tributário da contabilidade.com e funciona como guia central para comparar pessoa física x PJ, Carnê-Leão, MEI, Simples Nacional, Lucro Presumido e os impactos da Reforma Tributária.

Se você quer calcular quanto pagaria como PJ, acesse a calculadora de impostos da contabilidade.com. Para comparar custos de contabilidade, veja também nossos planos e preços.

Neste artigo você vai entender

Resumo rápido: quanto cada profissional pode pagar de imposto

O imposto de um profissional depende principalmente de como ele recebe: como pessoa física, como MEI, como empresa no Simples Nacional ou como empresa no Lucro Presumido.

Modelo de atuaçãoComo funcionaTributação comumQuando costuma fazer sentido
Pessoa FísicaRecebe em CPF, emite recibos e recolhe impostos como autônomo.IRPF pela tabela progressiva, INSS e ISS municipal.Início de carreira ou faturamento baixo.
MEICNPJ simplificado, com guia fixa mensal.DAS-MEI fixo, conforme atividade.Atividades permitidas e faturamento dentro do limite.
Simples NacionalTributos unificados em uma guia mensal, o DAS.Alíquotas por anexo, a partir de 4% ou 6% em muitos casos.Prestadores de serviço, ME e EPP com faturamento dentro do limite.
Lucro PresumidoTributação sobre uma margem presumida de lucro.Em serviços, carga efetiva frequentemente analisada entre 13,33% e 16,33%, conforme ISS.Empresas com faturamento maior, baixa folha ou Simples pouco vantajoso.

A melhor escolha não depende apenas da profissão. Ela depende do faturamento, do município, da folha de pagamento, do pró-labore, do CNAE e da possibilidade de enquadramento no Fator R.

Tabela de impostos por profissão

A tabela abaixo resume possibilidades comuns de tributação para profissionais liberais, prestadores de serviço e profissionais digitais. Ela serve como ponto de partida, mas cada caso precisa ser validado com base no CNAE, faturamento e regras municipais.

ProfissãoPode ser MEI?CNAE comumPessoa FísicaSimples NacionalLucro PresumidoGuia completo
DentistaNão8630-5/04IRPF, Carnê-Leão, INSS e ISSAnexo III ou V, conforme Fator RDeve ser comparado quando o Simples cai no Anexo VQuanto um dentista paga de imposto
PsicólogoNão8650-0/03IRPF, Carnê-Leão, INSS e ISSAnexo III ou V, conforme Fator RPode ser alternativa em alguns cenáriosQuanto um psicólogo paga de imposto
MédicoNão8630-5/03 ou CNAE relacionado à atividade médicaIRPF, Carnê-Leão, INSS e ISSAnexo III ou V, conforme Fator RMuito comum em clínicas e profissionais com faturamento maiorQuanto um médico paga de imposto
AdvogadoNão6911-7/01IRPF, Carnê-Leão, INSS e ISSAnexo IV, com regras específicasPode ser comparado conforme faturamento e estruturaQuanto um advogado paga de imposto
Corretor de imóveisEm geral, não é o enquadramento mais indicado para atuação profissional recorrente6821-8/01IRPF, Carnê-Leão, INSS e ISSNormalmente analisado no Simples NacionalPode ser comparado em faturamentos maioresQuanto um corretor de imóveis paga de imposto
Afiliado digitalDepende da atividade, mas costuma exigir análise cuidadosa7319-0/02, 7319-0/03 ou outro CNAE conforme atuaçãoIRPF e Carnê-Leão, quando recebe como pessoa físicaPode variar conforme CNAE e anexoPode ser comparado conforme margem e faturamentoQuanto um afiliado paga de imposto
DesenvolvedorGeralmente não é o melhor caminho para atuação PJ de tecnologia6201-5/01, 6202-3/00 ou CNAE relacionadoIRPF e Carnê-Leão, se receber como autônomoAnexo III ou V, conforme atividade e Fator RPode ser competitivo para empresas de TIQuanto um desenvolvedor paga de imposto
ConsultorDepende da atividade permitida7020-4/00 ou CNAE específico da consultoriaIRPF e Carnê-Leão, se receber como pessoa físicaAnexo III ou V, conforme atividade e Fator RPode ser comparado quando o Simples fica caroQuanto um consultor paga de imposto

Para entender como o CNAE influencia impostos, anexos e enquadramento, veja também o guia o que é CNAE.

Como comparar imposto por profissão

Para comparar impostos por profissão, não basta olhar a alíquota inicial. É preciso entender a forma de atuação e o regime tributário aplicável.

Os principais critérios são:

  • faturamento mensal: quanto maior a receita, maior tende a ser a diferença entre PF e PJ;
  • profissão regulamentada: pode impedir MEI e exigir conselho profissional;
  • CNAE: define atividade, anexos, vedações e obrigações;
  • emissão de recibos ou notas: impacta apuração e cruzamento de informações fiscais;
  • Fator R: pode reduzir o imposto no Simples Nacional para algumas atividades;
  • ISS municipal: varia conforme cidade e tipo de serviço;
  • pró-labore: influencia INSS, IRPF e, em alguns casos, o Fator R;
  • regime tributário: Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real.

Para comparar regimes na prática, veja também o conteúdo sobre impostos de PJ: Simples x Lucro Presumido.

Pessoa física: Carnê-Leão, IRPF, INSS e ISS

Profissionais autônomos que recebem de pessoas físicas ou do exterior podem precisar recolher imposto mensalmente pelo Carnê-Leão. Esse modelo é comum para dentistas, psicólogos, médicos, terapeutas, consultores e outros profissionais que atendem diretamente clientes ou pacientes.

Como pessoa física, os principais tributos e obrigações são:

  • IRPF: calculado pela tabela progressiva do Imposto de Renda;
  • Carnê-Leão: recolhimento mensal obrigatório em rendimentos recebidos de pessoa física ou do exterior;
  • INSS: contribuição como autônomo ou contribuinte individual;
  • ISS: imposto municipal sobre prestação de serviços, conforme regras da prefeitura;
  • Livro-caixa: registro de receitas e despesas dedutíveis da atividade profissional.

Atuar como pessoa física pode fazer sentido no início, quando o faturamento ainda é baixo. Porém, quando a receita cresce, a tributação pode ficar pesada e abrir CNPJ passa a ser uma alternativa importante.

MEI: quando pode e quando não pode

O MEI é o regime mais simples para formalização, mas não serve para todas as profissões. Ele tem limite de faturamento, permite contratação de apenas um funcionário e só aceita atividades autorizadas na lista oficial.

Profissões regulamentadas, que exigem formação superior ou registro em conselho de classe, normalmente não podem ser MEI. É o caso de dentistas, médicos, psicólogos, advogados, engenheiros e arquitetos.

Quando a profissão não pode ser MEI, o caminho costuma ser abrir uma Microempresa em formato como SLU ou LTDA e escolher entre Simples Nacional e Lucro Presumido.

Para conferir as atividades permitidas, consulte a tabela de CNAEs do MEI.

Simples Nacional: anexos, Fator R e alíquotas

O Simples Nacional é um regime tributário que reúne tributos em uma única guia mensal, o DAS. Para prestadores de serviço, a tributação pode variar bastante conforme o CNAE e o anexo aplicável.

Em muitas profissões de serviços, a dúvida principal é se a empresa será tributada pelo Anexo III ou pelo Anexo V.

AnexoAlíquota inicialQuando aparece
Anexo III6%Serviços enquadrados diretamente ou atividades que atingem o Fator R.
Anexo V15,5%Atividades intelectuais e técnicas que não atingem o Fator R.

O Fator R compara a folha de pagamento dos últimos 12 meses com o faturamento bruto do mesmo período. Se a folha representar pelo menos 28% do faturamento, algumas atividades podem sair do Anexo V e ir para o Anexo III.

Fator R = folha de pagamento dos últimos 12 meses ÷ faturamento bruto dos últimos 12 meses

Para aprofundar, veja a Tabela do Simples Nacional, o guia do Anexo III, o conteúdo sobre Anexo V e o artigo sobre Fator R.

Lucro Presumido: quando comparar com o Simples

O Lucro Presumido é um regime em que o governo presume uma margem de lucro para calcular IRPJ e CSLL. Além disso, a empresa paga PIS, COFINS e ISS, quando se trata de prestação de serviços.

Para muitos prestadores de serviço, uma referência comum de carga efetiva no Lucro Presumido fica entre 13,33% e 16,33%, dependendo do ISS municipal. Ainda assim, o cálculo precisa ser feito caso a caso.

O Lucro Presumido deve ser comparado quando:

  • o Simples Nacional cai no Anexo V;
  • a empresa não consegue atingir o Fator R;
  • o faturamento cresce;
  • a margem de lucro é alta;
  • há baixa folha de pagamento;
  • a empresa quer comparar carga tributária com mais precisão.

Para entender alíquotas, cálculo e regras, leia o guia sobre Lucro Presumido.

Pessoa física ou PJ: quando abrir CNPJ vale a pena?

Abrir CNPJ costuma valer a pena quando o profissional passa a ter faturamento recorrente, precisa emitir nota fiscal, recebe de empresas, quer reduzir impostos legalmente ou deseja separar a vida financeira pessoal da profissional.

A decisão entre pessoa física e PJ deve considerar:

  • quanto você fatura por mês;
  • se recebe de pessoas físicas ou empresas;
  • se precisa emitir nota fiscal;
  • se sua profissão pode ser MEI;
  • qual CNAE representa melhor sua atividade;
  • se o Simples Nacional ou Lucro Presumido reduz sua carga tributária;
  • quanto custará manter a contabilidade mensal.

Para entender o processo de formalização, veja o guia de abertura de empresa.

O que muda com a Reforma Tributária?

A Reforma Tributária muda gradualmente a tributação sobre consumo no Brasil, com a criação de CBS e IBS e a substituição progressiva de tributos como PIS, COFINS e ISS.

Para profissionais liberais e prestadores de serviço, o principal cuidado será acompanhar como as novas regras afetarão notas fiscais, regimes tributários, créditos e carga efetiva ao longo da transição.

O Simples Nacional e o MEI permanecem como regimes favorecidos, mas empresas poderão precisar avaliar, conforme o caso, se faz sentido recolher CBS e IBS dentro ou fora da guia única.

Para entender as mudanças de forma completa, veja o guia sobre Reforma Tributária.

Como simular impostos por profissão

A melhor forma de comparar imposto por profissão é simular cenários com dados reais. Para isso, você precisa informar:

  • profissão ou atividade exercida;
  • faturamento médio mensal;
  • se atua como pessoa física ou já possui CNPJ;
  • cidade de atuação, por causa do ISS;
  • existência de funcionários ou pró-labore;
  • necessidade de emitir nota fiscal;
  • regime tributário atual, se já houver empresa aberta.

Com essas informações, é possível comparar pessoa física, Simples Nacional, Lucro Presumido e outros cenários. Para começar, use a calculadora de impostos da contabilidade.com.

Se você já decidiu abrir CNPJ ou trocar de contabilidade, consulte também os planos e preços da contabilidade.com.

Guias por profissão

Para aprofundar, veja os guias completos por profissão:

FAQ – dúvidas frequentes sobre impostos por profissão

1. Quanto um profissional paga de imposto?
Depende da profissão, forma de atuação, faturamento e regime tributário. Como pessoa física, pode pagar IRPF, INSS e ISS. Como PJ, pode optar pelo Simples Nacional ou Lucro Presumido, conforme o caso.

2. Pessoa física ou PJ: qual paga menos imposto?
Em muitos casos, a PJ paga menos imposto quando há faturamento recorrente e o regime tributário é bem escolhido. Porém, a comparação precisa considerar contabilidade, pró-labore, INSS, ISS e emissão de notas fiscais.

3. Profissional liberal pode ser MEI?
Depende da atividade. Profissões regulamentadas, como médico, dentista, psicólogo, advogado, engenheiro e arquiteto, normalmente não podem ser MEI.

4. O que é Carnê-Leão?
Carnê-Leão é o recolhimento mensal de Imposto de Renda para pessoas físicas que recebem rendimentos de outras pessoas físicas ou do exterior.

5. O que é Fator R?
Fator R é a relação entre folha de pagamento e faturamento. Quando a folha representa pelo menos 28% do faturamento, algumas empresas podem ser tributadas pelo Anexo III em vez do Anexo V.

6. Quando o Lucro Presumido vale a pena?
Pode valer a pena quando o Simples Nacional fica caro, especialmente em atividades no Anexo V, empresas com baixa folha, boa margem ou faturamento mais alto.

7. A Reforma Tributária muda os impostos dos profissionais?
Sim, principalmente na tributação sobre consumo, notas fiscais e transição para CBS e IBS. O impacto dependerá do regime tributário e da atividade exercida.

8. Como calcular imposto por profissão?
O cálculo depende do faturamento, CNAE, município, forma de atuação, regime tributário e folha de pagamento. O ideal é simular os cenários antes de abrir CNPJ ou trocar de regime.

Conclusão

Entender impostos por profissão é essencial para decidir se vale a pena continuar como pessoa física, abrir CNPJ, optar pelo Simples Nacional ou comparar com o Lucro Presumido.

A escolha correta pode reduzir a carga tributária, melhorar a emissão de notas fiscais, organizar o pró-labore e dar mais segurança para o crescimento profissional.

Antes de decidir, compare sua realidade: profissão, faturamento, CNAE, cidade, recibos, notas fiscais, Fator R e regime tributário.

Para simular seu cenário, acesse a calculadora de impostos. Para abrir CNPJ ou contar com apoio contábil, veja os planos e preços da contabilidade.com ou consulte um contador.

Erico Azevedo

Escrito por:

Erico Azevedo

Empreendedor serial e CEO da Contabilidade.com, plataforma contábil completa para CNPJs. Também é sócio-fundador do Contbank, primeira solução de BPO e Gestão Financeira Simplificada com Inteligência Artificial e Open Finance. Em 2018, fundou a Wabbi Software, primeira plataforma contábil em nuvem do Brasil, posteriormente vendida à ContaAzul, onde se tornou sócio e acionista. Além da carreira empreendedora, é pesquisador, com Doutorado em Engenharia Elétrica pela UNICAMP e Doutorado em Psicologia pela PUC/SP. Autor de diversos livros e pesquisas sobre campos informacionais e intuição, é fundador da Associação Oriont, dedicada ao estudo da consciência. Editor e coautor do livro científico “Information Fields Theory and Applications: Quantum Communication in Physics and Biology” (Springer Nature, 2025) e autor de “Intuição: do mistério à maestria”, obra que conecta ciência, percepção e autoconhecimento. Com muita experiência na interseção entre tecnologia, finanças, psicologia e inovação, Erico Azevedo é referência em liderança, empreendedorismo e inovação organizacional no Brasil e no exterior.

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