Quanto um jogador de futebol paga de imposto? Veja a tributação como autônomo, Simples Nacional e Lucro Presumido.

Quanto um jogador de futebol paga de imposto? Veja a tributação como autônomo, Simples Nacional e Lucro Presumido.

Publicado em07/07/2026

Tempo leitura19min 49s

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Quanto um jogador de futebol paga de imposto depende da forma de contratação, da origem dos rendimentos e do regime tributário escolhido. O atleta pode receber salário como pessoa física, valores de direito de imagem, direito de arena, patrocínios, publicidade, premiações e contratos por meio de pessoa jurídica.

Na prática, muitos jogadores pagam mais imposto do que deveriam porque misturam salário, imagem, patrocínio e recebimentos de publicidade sem planejamento. Como pessoa física, a tributação pode chegar a 27,5% de IRPF. Como PJ, em alguns casos, a tributação pode começar em 6% no Simples Nacional, quando há enquadramento no Anexo III pelo Fator R.

Este conteúdo integra o cluster de regime tributário, onde explicamos como escolher entre Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real para pagar menos impostos dentro da lei.

Se você quer calcular impostos como jogador de futebol PJ, use a calculadora de impostos da contabilidade.com ou conheça nossa página de contabilidade para jogadores de futebol.

Resumo rápido

  • Jogador de futebol pode ter rendimentos como pessoa física e como pessoa jurídica.
  • Salário de atleta profissional costuma ser tributado na pessoa física.
  • Direito de imagem pode ser explorado por contrato civil, desde que não seja confundido com salário.
  • Como pessoa física, o IRPF pode chegar a 27,5%.
  • No Simples Nacional, algumas atividades podem começar em 6% no Anexo III, conforme Fator R.
  • No Lucro Presumido, a carga para serviços costuma ficar entre 13,33% e 16,33%, conforme ISS.
  • O CNAE 9319-1/99 inclui atividades de jogadores de futebol, vôlei e basquete.

Neste artigo você vai entender

Quanto um jogador de futebol paga de imposto?

Um jogador de futebol pode pagar impostos como pessoa física ou como pessoa jurídica, dependendo da natureza do rendimento. Salários pagos por clubes, valores de imagem, patrocínios, publicidade, premiações e receitas do exterior podem ter tratamentos fiscais diferentes.

Forma de atuaçãoTributação principalQuando costuma acontecer
Pessoa FísicaIRPF até 27,5%, INSS e retenções aplicáveisSalário, remuneração trabalhista, premiações e rendimentos recebidos no CPF.
MEINão aplicávelJogador de futebol não costuma se enquadrar como MEI para atuação profissional.
Simples Nacional – Anexo IIIA partir de 6%Quando a atividade permite e o Fator R é igual ou superior a 28%.
Simples Nacional – Anexo VA partir de 15,5%Quando a atividade está sujeita ao Fator R e a folha fica abaixo de 28%.
Lucro PresumidoEm geral, carga efetiva aproximada entre 13,33% e 16,33% para serviços, conforme ISSDireito de imagem, publicidade, patrocínios e contratos com faturamento maior.

A melhor escolha depende do contrato com o clube, da existência de direito de imagem, patrocínios, publicidade, remuneração no exterior, folha de pagamento, pró-labore, município e estrutura jurídica adotada.

Comparativo: jogador pessoa física x PJ

A principal diferença entre receber como pessoa física e como PJ está na natureza do rendimento. Nem todo valor recebido por jogador pode ser transformado em PJ. Salário e contrato especial de trabalho desportivo não são a mesma coisa que direito de imagem ou publicidade.

CritérioPessoa FísicaPessoa Jurídica
TributaçãoIRPF progressivo, INSS e retenções aplicáveisSimples Nacional ou Lucro Presumido, conforme atividade
Tipo de receitaSalário, premiações e rendimentos pessoaisImagem, publicidade, patrocínios, licenciamento e serviços contratados
Documento emitidoFolha, recibo ou informe de rendimentosNota fiscal pelo CNPJ
Risco fiscalMaior quando há omissão de receitasMaior quando a PJ é usada para mascarar salário
IndicaçãoRemuneração trabalhista e ganhos pessoaisExploração real de imagem, patrocínio, publicidade e contratos comerciais

Jogador pessoa física: salário, IRPF, INSS e direitos

O jogador que recebe salário, luvas, premiações ou valores trabalhistas como pessoa física precisa declarar os rendimentos conforme as regras aplicáveis.

Os principais tributos e retenções são:

  • IRPF: segue a tabela progressiva do Imposto de Renda e pode chegar a 27,5%;
  • INSS: contribuição previdenciária sobre remuneração, respeitado o teto aplicável;
  • IR retido na fonte: pode ocorrer quando o pagamento é feito por clube, empresa ou entidade esportiva;
  • Receitas do exterior: podem exigir apuração específica, conforme residência fiscal e tratados aplicáveis.

O ponto de atenção é que a carreira do jogador pode envolver diferentes fontes de renda. Salário, imagem, publicidade, patrocínio, premiações e investimentos devem ser separados corretamente para evitar autuações.

Direito de imagem, patrocínio e contratos publicitários

O direito de imagem é uma das principais particularidades da tributação de jogadores de futebol. A legislação esportiva permite que o uso da imagem do atleta seja cedido ou explorado por contrato de natureza civil, desde que esse contrato tenha direitos, deveres e condições diferentes do contrato especial de trabalho desportivo.

Na prática, isso significa que o jogador pode ter uma empresa para explorar sua imagem, firmar contratos publicitários, patrocínios, licenciamento de marca pessoal, campanhas comerciais e ações de marketing.

O cuidado é evitar que a PJ seja usada apenas para substituir salário. Quando o contrato de imagem não tem substância econômica, não possui entrega real ou é confundido com remuneração trabalhista, pode haver risco de questionamento fiscal e trabalhista.

Jogador de futebol pode ser MEI?

Em regra, jogador de futebol profissional não deve ser enquadrado como MEI para exploração regular da atividade esportiva, direito de imagem ou contratos comerciais.

A atividade profissional de atleta, publicidade, licenciamento de imagem e contratos com clubes ou marcas exige análise de CNAE, regime tributário, emissão de notas e contratos. Por isso, o caminho mais adequado costuma ser abrir uma Microempresa, como SLU ou LTDA, no Simples Nacional ou no Lucro Presumido, conforme o caso.

Para consultar atividades permitidas, veja a Tabela completa dos CNAES do MEI.

Jogador de futebol no Simples Nacional: Anexo III, Anexo V e Fator R

A empresa do jogador pode optar pelo Simples Nacional quando a atividade for permitida, a receita estiver dentro do limite do regime e não houver impedimentos legais. O limite geral do Simples Nacional para empresas de pequeno porte é de R$ 4,8 milhões por ano.

A tributação pode variar conforme o CNAE e a natureza da receita. Algumas atividades ligadas a esporte, imagem, publicidade, agenciamento ou serviços criativos podem exigir análise entre Anexo III e Anexo V, conforme o Fator R.

No Anexo III, a alíquota inicial é de 6%. No Anexo V, a alíquota inicial é de 15,5%. A definição depende do Fator R.

O Fator R compara a folha de pagamento dos últimos 12 meses com o faturamento bruto do mesmo período. Se a folha representar pelo menos 28% do faturamento, a empresa pode ser tributada pelo Anexo III. Se ficar abaixo disso, tende a cair no Anexo V.

Fator R = folha de pagamento dos últimos 12 meses ÷ faturamento bruto dos últimos 12 meses
EnquadramentoAlíquota inicialQuando se aplica
Anexo III6%Fator R igual ou superior a 28%.
Anexo V15,5%Fator R inferior a 28%.

Para aprofundar, veja a Tabela do Simples Nacional, o guia do Anexo III, o conteúdo sobre Anexo V e o guia de Fator R.

Simulação de impostos para jogador de futebol no Simples Nacional

A tabela abaixo mostra uma simulação didática considerando empresas na primeira faixa do Simples Nacional e comparando o Anexo III com o Anexo V.

Faturamento mensalPró-labore mínimo para Fator R de 28%DAS no Anexo VDAS no Anexo IIIEconomia estimada no DAS
R$ 5.000R$ 1.400R$ 775R$ 300R$ 475
R$ 10.000R$ 2.800R$ 1.550R$ 600R$ 950
R$ 20.000R$ 5.600R$ 3.100R$ 1.200R$ 1.900
R$ 30.000R$ 8.400R$ 4.650R$ 1.800R$ 2.850

Esses valores consideram apenas o DAS. Para atingir o Fator R por meio de pró-labore, também é necessário considerar INSS e eventual Imposto de Renda na pessoa física.

Além disso, jogadores devem separar corretamente receitas de salário, imagem, patrocínio, publicidade, premiação e direitos recebidos do exterior.

Por isso, a economia real deve ser simulada considerando todos os custos. Use a calculadora de impostos da contabilidade.com para comparar cenários.

Jogador de futebol no Lucro Presumido

O Lucro Presumido pode ser uma alternativa para jogadores de futebol quando o Simples Nacional não é vantajoso ou quando o faturamento ultrapassa o limite do Simples Nacional.

Esse regime costuma ser usado em estruturas de direito de imagem, publicidade, patrocínios e contratos comerciais, especialmente quando há faturamento maior ou maior previsibilidade tributária.

Nesse regime, a empresa paga tributos como IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e ISS. Para serviços, uma referência de carga no Lucro Presumido costuma ficar entre 13,33% e 16,33%, considerando tributos federais e ISS, mas o cálculo deve ser feito caso a caso.

Para entender melhor, leia o guia de Lucro Presumido.

Simples Nacional ou Lucro Presumido para jogador?

A escolha entre Simples Nacional e Lucro Presumido depende principalmente do faturamento, do tipo de receita, do CNAE, do Fator R, do município, da folha de pagamento e dos contratos de imagem ou publicidade.

CenárioSimples NacionalLucro Presumido
Jogador com faturamento menor e Fator R favorávelTende a ser vantajoso pelo Anexo III.Normalmente precisa ser comparado, mas pode perder para o Anexo III.
Jogador sem Fator RPode cair no Anexo V, com alíquota inicial de 15,5%.Pode ser competitivo em alguns cenários.
Atleta com alto faturamento de imagemPode ultrapassar o limite do Simples.Costuma ser mais usado para estruturas maiores.
Contratos com clubes e marcasExige cuidado com CNAE, nota fiscal e natureza da receita.Pode ser mais previsível em alguns casos.
Receitas do exteriorExige análise específica.Também exige análise de câmbio, contrato e tributação internacional.

Para comparar com mais precisão, veja o conteúdo sobre impostos de PJ: Simples x Lucro Presumido.

Qual CNAE usar para jogador de futebol?

O CNAE deve refletir a atividade real exercida pela empresa do jogador. A atuação esportiva, o direito de imagem, a publicidade, o licenciamento de marca pessoal e o agenciamento têm naturezas diferentes.

CNAEAtividadeQuando pode fazer sentido
9319-1/99Outras atividades esportivas não especificadas anteriormenteAtividades de atletas esportivos por conta própria, incluindo jogadores de futebol, vôlei e basquete.
7319-0/03Marketing diretoCampanhas de divulgação, ações comerciais e publicidade para marcas.
7319-0/04Consultoria em publicidadeQuando há estratégia de imagem, publicidade ou campanhas comerciais.
7490-1/05Agenciamento de profissionais para atividades esportivas, culturais e artísticasAtividade de agente, empresário ou agenciamento de jogadores, não do atleta em si.
9001-9/99Artes cênicas, espetáculos e atividades complementares não especificadas anteriormenteAtividades de imagem pública, campanhas, eventos e aparições, conforme o caso.

A escolha do CNAE deve ser validada antes da abertura, porque ela impacta emissão de nota fiscal, tributação, anexos do Simples Nacional, exigências municipais e compatibilidade com a atividade exercida.

Para entender mais sobre classificação de atividades, veja o conteúdo sobre Tabela NBS por atividade.

O que muda para jogadores com a Reforma Tributária?

A Reforma Tributária muda gradualmente a tributação sobre consumo no Brasil, com a criação de novos tributos como CBS e IBS durante o período de transição.

Para jogadores de futebol, o impacto deve ser acompanhado principalmente em contratos de imagem, publicidade, patrocínio, licenciamento, eventos, prestação de serviços, emissão de notas fiscais e operações com empresas do exterior.

Durante a transição, regimes como Simples Nacional e Lucro Presumido continuam exigindo análise individual. Por isso, jogadores devem revisar o enquadramento tributário com frequência, principalmente quando houver aumento de faturamento, mudança de clube, novos patrocinadores, contratos internacionais ou exploração de marca pessoal.

Para entender o contexto geral, veja o artigo sobre Reforma Tributária 2026 a 2033, o conteúdo sobre IBS e CBS e o guia sobre Reforma Tributária para profissionais PJ.

Vale a pena abrir CNPJ para jogador de futebol?

Em muitos casos, vale a pena abrir CNPJ para jogador de futebol quando há receitas de direito de imagem, patrocínios, publicidade, licenciamento de marca pessoal, contratos comerciais, eventos ou recebimentos fora do salário.

Com CNPJ, o jogador pode emitir nota fiscal, separar receitas pessoais e empresariais, organizar contratos de imagem, estruturar patrocínios, planejar a tributação e profissionalizar a gestão financeira da carreira.

Mas é fundamental separar o que é salário do que é exploração real de imagem. A PJ não deve ser usada para mascarar vínculo de trabalho, remuneração salarial ou pagamentos sem substância comercial.

Para abrir ou estruturar sua empresa, veja o guia de abertura de empresa, o conteúdo sobre contrato social, consulte os planos e preços ou fale com a contabilidade.com para jogadores de futebol.

FAQ – Perguntas Frequentes sobre Impostos para Jogadores de Futebol

1. Quanto um jogador de futebol paga de imposto?
Depende da origem da receita. Salário e rendimentos pessoais podem ser tributados pelo IRPF, que chega a 27,5%. Receitas de imagem, publicidade e patrocínio podem ser estruturadas por PJ, com Simples Nacional ou Lucro Presumido, conforme o caso.

2. Jogador de futebol pode ser MEI?
Em regra, não é o caminho adequado para jogador profissional, direito de imagem ou contratos comerciais. O mais comum é abrir uma Microempresa, como SLU ou LTDA, quando há receitas empresariais.

3. Jogador de futebol paga 6% no Simples Nacional?
Pode pagar a partir de 6% quando a empresa se enquadra no Anexo III ou quando cumpre o Fator R, desde que a atividade seja permitida e a receita esteja dentro do limite do Simples.

4. Jogador de futebol é Anexo III ou Anexo V?
Depende do CNAE e do Fator R. Algumas atividades podem ser tributadas pelo Anexo III ou pelo Anexo V, conforme folha de pagamento e faturamento.

5. Direito de imagem pode ser pago para PJ?
Pode, desde que exista contrato real de exploração de imagem, com natureza civil, objeto definido e sem confusão com salário ou contrato de trabalho.

6. Lucro Presumido vale a pena para jogador de futebol?
Pode valer a pena quando o Simples Nacional fica caro, quando o atleta ultrapassa o limite do Simples ou quando há faturamento elevado com imagem, publicidade e patrocínios.

7. Qual CNAE usar para jogador de futebol?
Um CNAE possível é 9319-1/99, para outras atividades esportivas não especificadas anteriormente. Também podem existir CNAEs de publicidade, imagem ou agenciamento, conforme a atividade real.

8. O que muda para jogadores com a Reforma Tributária?
A Reforma Tributária altera gradualmente a tributação sobre consumo, com CBS e IBS. Jogadores devem acompanhar impactos sobre contratos de imagem, publicidade, patrocínio, licenciamento, emissão de notas e serviços prestados por PJ.

Conclusão

Saber quanto um jogador de futebol paga de imposto exige separar salário, direito de imagem, publicidade, patrocínio, premiações e receitas internacionais.

Para muitos atletas, abrir CNPJ pode fazer sentido quando há exploração real de imagem, contratos comerciais, patrocínios e emissão de notas fiscais. Mas a estrutura precisa ser feita corretamente para evitar confusão entre remuneração trabalhista e receita empresarial.

A decisão depende de faturamento, CNAE, tipo de contrato, Fator R, ISS, regime tributário, clube, patrocinadores, receitas do exterior e planejamento financeiro da carreira.

Precisa calcular quanto pagaria como jogador PJ? Use a calculadora de impostos, consulte os planos e preços ou fale com a contabilidade.com para jogadores de futebol.

Erico Azevedo

Escrito por:

Erico Azevedo

Empreendedor serial e CEO da Contabilidade.com, plataforma contábil completa para CNPJs. Também é sócio-fundador do Contbank, primeira solução de BPO e Gestão Financeira Simplificada com Inteligência Artificial e Open Finance. Em 2018, fundou a Wabbi Software, primeira plataforma contábil em nuvem do Brasil, posteriormente vendida à ContaAzul, onde se tornou sócio e acionista. Além da carreira empreendedora, é pesquisador, com Doutorado em Engenharia Elétrica pela UNICAMP e Doutorado em Psicologia pela PUC/SP. Autor de diversos livros e pesquisas sobre campos informacionais e intuição, é fundador da Associação Oriont, dedicada ao estudo da consciência. Editor e coautor do livro científico “Information Fields Theory and Applications: Quantum Communication in Physics and Biology” (Springer Nature, 2025) e autor de “Intuição: do mistério à maestria”, obra que conecta ciência, percepção e autoconhecimento. Com muita experiência na interseção entre tecnologia, finanças, psicologia e inovação, Erico Azevedo é referência em liderança, empreendedorismo e inovação organizacional no Brasil e no exterior.

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