Como precificar serviços na Reforma Tributária: custos, impostos e margem de lucro

Como precificar serviços na Reforma Tributária: custos, impostos e margem de lucro

Publicado em21/07/2026

Tempo leitura33min 43s

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Saber como precificar serviços na Reforma Tributária será essencial para evitar perda de margem, cobranças incorretas e decisões baseadas apenas na alíquota nominal do IBS e da CBS.

Com o novo modelo tributário, não será suficiente somar os custos do serviço, aplicar uma margem de lucro e acrescentar um percentual de impostos. A empresa também precisará considerar os créditos tributários gerados pelas despesas, seu regime tributário, o perfil dos clientes e o momento da transição.

Para empresas prestadoras de serviços, esse cuidado é ainda mais importante. Em muitos negócios, a maior despesa é a folha de pagamento, que não gera créditos de IBS e CBS da mesma forma que uma compra tributada realizada de outro fornecedor.

Neste artigo, você entenderá como calcular o preço dos serviços com IBS e CBS, quais custos devem entrar na conta, como os créditos tributários afetam a margem e como comparar diferentes cenários de precificação.

Para compreender todas as etapas do novo sistema, consulte o guia completo da Reforma Tributária de 2026 a 2033 .

Você verá neste artigo

O que muda na precificação de serviços com a Reforma Tributária?

A Reforma Tributária substitui gradualmente tributos como PIS, Cofins, ICMS e ISS pela CBS e pelo IBS.

A CBS será o tributo federal sobre bens e serviços. O IBS será administrado por estados e municípios.

Para entender as funções de cada tributo, consulte o artigo sobre qual é a diferença entre IBS e CBS .

No novo modelo, a precificação deverá considerar não apenas o imposto incidente sobre a venda, mas também os créditos gerados pelos custos e pelas despesas da empresa.

Isso significa que duas empresas com o mesmo faturamento e a mesma alíquota nominal poderão ter cargas tributárias efetivas diferentes.

A diferença estará na quantidade de despesas capazes de gerar créditos de IBS e CBS.

Na prática, o preço será influenciado por cinco elementos principais:

  1. custos diretos da prestação do serviço;
  2. custos fixos e despesas operacionais;
  3. margem de lucro desejada;
  4. IBS e CBS incidentes sobre a operação;
  5. créditos tributários aproveitáveis pela empresa.

Por que será necessário recalcular o preço dos serviços?

Muitas empresas definem seus preços aplicando um percentual sobre o custo ou observando apenas o valor praticado pelos concorrentes.

Esse modelo pode se tornar insuficiente durante a transição da Reforma Tributária.

A empresa precisará recalcular seus preços porque:

  • os tributos atuais serão substituídos gradualmente;
  • o IBS e a CBS possuem uma nova lógica de apuração;
  • algumas despesas gerarão créditos tributários;
  • outras despesas relevantes não gerarão créditos;
  • o regime tributário poderá afetar o valor destacado na nota;
  • clientes empresariais poderão considerar o crédito recebido na decisão de compra;
  • o split payment poderá alterar o valor efetivamente disponível no caixa;
  • a transição manterá tributos antigos e novos funcionando simultaneamente em alguns períodos.

Apenas aumentar o preço pelo percentual estimado do IBS e da CBS pode provocar uma cobrança excessiva.

Por outro lado, manter o preço atual sem simular a nova carga pode reduzir a margem de lucro.

Para conhecer os impactos específicos no setor, leia o artigo sobre Reforma Tributária para prestadores de serviços .

Qual a diferença entre imposto por dentro e imposto por fora?

No cálculo chamado de imposto por dentro, o tributo integra a própria base de cálculo e já está incorporado ao valor cobrado do cliente.

No modelo por fora, o tributo é calculado sobre o valor líquido da operação e adicionado ao total do documento fiscal.

ModeloComo funcionaExemplo simplificado
Imposto por dentroO tributo está incluído no preço final informado ao clientePreço total apresentado: R$ 10.000
Imposto por foraO valor líquido do serviço é apresentado e o tributo é acrescentadoServiço de R$ 10.000 mais IBS e CBS

A utilização do cálculo por fora não significa que a empresa poderá simplesmente acrescentar qualquer percentual ao preço.

É necessário observar:

  • a alíquota aplicável à atividade;
  • eventuais reduções previstas para o serviço;
  • o regime tributário da empresa;
  • os créditos tributários aproveitáveis;
  • as regras vigentes em cada ano da transição;
  • as condições comerciais do contrato.

O que deve entrar no preço de um serviço?

O preço precisa pagar todos os custos da prestação, cobrir as despesas da empresa, suportar os tributos e preservar uma margem de lucro.

Uma estrutura básica de precificação deve considerar:

ComponenteO que inclui
Custos diretosHoras de trabalho, profissionais alocados, materiais, deslocamentos e terceiros diretamente envolvidos
Custos indiretosGestão, suporte, administração, estrutura e atividades necessárias para manter a operação
Despesas fixasAluguel, internet, softwares, contabilidade, energia e serviços administrativos
Despesas variáveisComissões, taxas de recebimento, deslocamentos e custos vinculados ao contrato
TributosTributos do regime atual e, durante a transição, IBS, CBS e tributos remanescentes
Créditos tributáriosIBS e CBS relacionados às aquisições elegíveis da atividade
Margem de lucroResultado que a empresa deseja obter após cobrir custos, despesas e tributos
Reserva de riscoInadimplência, retrabalho, oscilações de custos e imprevistos operacionais

Quais custos devem ser considerados na precificação?

Custos diretos

Os custos diretos são aqueles ligados à execução de um serviço específico.

Podem incluir:

  • horas dos profissionais envolvidos;
  • pagamento de prestadores terceirizados;
  • materiais utilizados no projeto;
  • licenças contratadas exclusivamente para o cliente;
  • deslocamentos e hospedagens;
  • equipamentos utilizados na execução;
  • comissões relacionadas à venda.

Custos e despesas indiretas

Os custos indiretos mantêm a empresa funcionando, mas não pertencem exclusivamente a um único contrato.

Entre eles estão:

  • aluguel do escritório;
  • internet e energia;
  • contabilidade;
  • sistemas de gestão;
  • marketing institucional;
  • equipe administrativa;
  • honorários jurídicos;
  • seguros;
  • equipamentos compartilhados.

Esses valores devem ser rateados entre os serviços, clientes, horas produtivas ou centros de resultado.

Como os créditos de IBS e CBS afetam o preço dos serviços?

No regime regular, o IBS e a CBS seguem a lógica da não cumulatividade.

Em termos simplificados, a empresa calcula os tributos sobre suas vendas e desconta os créditos relacionados às aquisições elegíveis.

A fórmula básica da apuração pode ser representada da seguinte forma:

IBS e CBS a pagar = débitos sobre as vendas − créditos sobre as aquisições

Quanto maior o volume de despesas tributadas e elegíveis, maior poderá ser o valor dos créditos aproveitados.

Entretanto, ter uma despesa não significa automaticamente possuir um crédito.

O aproveitamento depende das regras legais, da vinculação com a atividade, da documentação fiscal e das condições exigidas para a apropriação.

Despesas que podem gerar créditos

Dependendo da operação e do cumprimento das exigências, podem ser relevantes:

  • softwares e assinaturas empresariais;
  • serviços de tecnologia e computação em nuvem;
  • serviços contábeis;
  • consultorias contratadas;
  • serviços de marketing;
  • energia elétrica;
  • equipamentos e computadores;
  • serviços terceirizados;
  • outras aquisições vinculadas à atividade.

Despesas que não geram créditos da mesma forma

Entre os principais pontos de atenção estão:

  • salários de funcionários;
  • pró-labore dos sócios;
  • encargos incidentes sobre a folha;
  • despesas de uso ou consumo pessoal;
  • aquisições sem documentação fiscal adequada;
  • gastos sem relação com a atividade econômica;
  • contratações de fornecedores que não gerem crédito, salvo hipóteses específicas previstas na legislação.

Esse é um dos maiores desafios para o setor de serviços. A folha costuma representar uma parcela elevada dos custos, mas não gera o mesmo crédito de uma aquisição tributada.

Para entender a apuração em detalhes, consulte o artigo sobre como calcular IBS, CBS e créditos tributários .

Quais são os principais cenários de créditos na precificação?

A empresa deve testar mais de um cenário antes de definir seu preço.

Os principais cenários são:

CenárioCaracterísticasPossível impacto
Sem créditos relevantesEmpresa com custos concentrados em salários, pró-labore e mão de obraMaior diferença entre o débito sobre as vendas e os créditos disponíveis
Créditos reduzidosEmpresa possui alguns softwares, equipamentos e serviços terceirizados tributadosParte do débito é compensada, mas a carga efetiva ainda pode ser elevada
Créditos elevadosOperação com muitos fornecedores, tecnologia, infraestrutura e terceirizaçõesMaior redução do valor líquido de IBS e CBS a pagar
Simples NacionalTributação segue a sistemática própria do regime, conforme a opção da empresaCrédito transferido e aproveitado pode ser diferente do regime regular
Alíquota reduzidaAtividade enquadrada em tratamento favorecido previsto na legislaçãoMenor débito sobre a venda, observadas as regras do setor
Transição tributáriaConvivência gradual entre tributos antigos e novosNecessidade de calcular os dois sistemas e evitar dupla contagem

A precificação não deve utilizar apenas um cenário otimista.

O ideal é projetar pelo menos:

  • um cenário sem aproveitamento de créditos;
  • um cenário conservador de créditos;
  • um cenário esperado com base nas despesas atuais;
  • um cenário com aumento dos custos;
  • um cenário correspondente ao regime tributário alternativo.

Como precificar serviços na Reforma Tributária?

O cálculo pode ser organizado em oito etapas.

1. Calcule o custo direto do serviço

Some todos os gastos diretamente relacionados à execução.

Para um serviço de consultoria, por exemplo, considere:

  • horas dos profissionais;
  • terceirizações;
  • deslocamentos;
  • softwares exclusivos;
  • materiais;
  • comissões.

2. Rateie os custos fixos

Calcule quanto da estrutura mensal deve ser suportado por aquele serviço.

O rateio pode utilizar:

  • horas produtivas;
  • quantidade de clientes;
  • receita esperada;
  • complexidade do projeto;
  • equipe utilizada.

3. Inclua as despesas variáveis

Acrescente taxas de recebimento, comissões, deslocamentos variáveis e outros gastos ligados à venda.

4. Defina a margem de lucro

Determine quanto a empresa precisa ganhar após cobrir custos, despesas e tributos.

A margem não deve ser confundida com a simples aplicação de um percentual sobre o custo.

5. Identifique os débitos de IBS e CBS

Calcule os novos tributos sobre o valor da operação utilizando a alíquota aplicável à atividade e ao período.

6. Calcule os créditos aproveitáveis

Levante as aquisições que poderão gerar crédito e separe os valores relacionados ao serviço ou ao período de apuração.

7. Calcule a carga tributária efetiva

Subtraia os créditos dos débitos gerados sobre as vendas.

Uma forma simplificada de visualizar é:

Carga efetiva = tributo sobre a venda − créditos aproveitáveis

8. Compare o preço com o mercado

O preço calculado precisa ser sustentável para a empresa e aceitável para o cliente.

Caso o valor fique muito acima do mercado, será necessário revisar custos, produtividade, escopo, margem e estrutura operacional.

Qual fórmula pode ser usada para calcular o preço do serviço?

Não existe uma fórmula única capaz de representar todos os negócios.

Para uma simulação inicial, pode ser utilizada a seguinte estrutura:

Preço líquido do serviço = custos diretos + rateio das despesas + margem de lucro + reserva de risco

Depois:

Preço total ao cliente = preço líquido do serviço + tributos destacados na operação

Na apuração da empresa:

Tributo líquido a pagar = débito de IBS e CBS − créditos permitidos

Os créditos reduzem o imposto líquido da empresa, mas não devem ser tratados como uma redução automática do valor cobrado em cada nota.

A empresa precisa calcular sua apuração completa e decidir como os créditos influenciarão sua estratégia comercial.

Exemplo de precificação de serviços sem créditos de IBS e CBS

Considere uma empresa de consultoria com os seguintes valores para um projeto:

ComponenteValor
Mão de obra diretaR$ 5.000
Rateio dos custos fixosR$ 1.500
Despesas variáveisR$ 500
Margem e reservaR$ 3.000
Preço líquido do serviçoR$ 10.000

Para fins exclusivamente didáticos, considere uma alíquota conjunta hipotética de IBS e CBS de 28%.

O débito sobre a venda seria:

R$ 10.000 × 28% = R$ 2.800

Como a empresa não possui créditos aproveitáveis nesse cenário, o tributo líquido também seria de R$ 2.800.

DescriçãoValor
Preço líquido do serviçoR$ 10.000
IBS e CBS hipotéticosR$ 2.800
Total da operaçãoR$ 12.800
Créditos disponíveisR$ 0
Tributo líquido a pagarR$ 2.800

Esse cenário é mais próximo de empresas que concentram seus custos em salários, pró-labore e mão de obra própria.

Exemplo de precificação de serviços com créditos de IBS e CBS

Agora considere a mesma empresa e o mesmo preço líquido de R$ 10.000.

Entretanto, a empresa possui R$ 3.000 em aquisições tributadas e elegíveis para crédito.

Utilizando a mesma alíquota hipotética de 28%, os créditos seriam:

R$ 3.000 × 28% = R$ 840

O cálculo da apuração seria:

R$ 2.800 de débitos − R$ 840 de créditos = R$ 1.960 de tributo líquido

DescriçãoValor
Preço líquido do serviçoR$ 10.000
IBS e CBS destacadosR$ 2.800
Total da operaçãoR$ 12.800
Créditos aproveitáveisR$ 840
Tributo líquido a pagarR$ 1.960

O valor destacado na nota continua sendo R$ 2.800 no exemplo. A diferença aparece na apuração tributária da empresa.

Por isso, a empresa não deve confundir:

  • o imposto destacado para o cliente;
  • o crédito aproveitado na apuração;
  • o imposto líquido efetivamente recolhido;
  • a margem obtida no serviço.

Comparação entre os cenários de créditos tributários

Veja como os créditos podem alterar a carga efetiva no mesmo serviço.

CenárioDébito sobre a vendaCréditosTributo líquidoPercentual efetivo sobre R$ 10.000
Sem créditosR$ 2.800R$ 0R$ 2.80028%
Créditos sobre R$ 1.000R$ 2.800R$ 280R$ 2.52025,2%
Créditos sobre R$ 3.000R$ 2.800R$ 840R$ 1.96019,6%
Créditos sobre R$ 5.000R$ 2.800R$ 1.400R$ 1.40014%

Os valores são exemplos didáticos e não representam a alíquota definitiva de uma atividade.

A comparação mostra por que a alíquota nominal não deve ser utilizada isoladamente para definir o preço.

Uma empresa com muitos créditos pode suportar uma carga efetiva menor do que outra empresa com a mesma alíquota e o mesmo faturamento.

Como precificar serviços no Simples Nacional após a Reforma Tributária?

O Simples Nacional continuará existindo.

Entretanto, a empresa deverá observar como o IBS e a CBS serão recolhidos e qual crédito poderá ser transferido ao cliente.

De maneira geral, a empresa poderá enfrentar dois cenários:

IBS e CBS dentro da sistemática do Simples Nacional

Nesse cenário, a empresa mantém a apuração simplificada.

O crédito transferido ao cliente seguirá as regras correspondentes ao valor efetivamente recolhido no regime.

A empresa deve considerar:

  • a alíquota efetiva do Simples Nacional;
  • a faixa de faturamento;
  • o anexo da atividade;
  • o Fator R, quando aplicável;
  • o valor de crédito transferido ao cliente;
  • o perfil B2B ou B2C da operação.

IBS e CBS pelo regime regular

Conforme a opção permitida pela legislação, a empresa poderá apurar IBS e CBS pelo regime regular, mantendo os demais tributos no Simples Nacional.

Essa alternativa pode ampliar os créditos transferidos aos clientes, mas também aumenta a complexidade da apuração e exige uma análise mais detalhada dos créditos da própria empresa.

A opção não deve ser tomada apenas porque o cliente deseja receber mais crédito.

É necessário avaliar:

  • o aumento da carga tributária;
  • os créditos disponíveis;
  • a margem do serviço;
  • o impacto no preço;
  • a estrutura administrativa;
  • o perfil dos clientes.

Entenda as regras no artigo sobre como fica o Simples Nacional na Reforma Tributária .

Veja também se vale a pena continuar no Simples Nacional após a Reforma Tributária .

Como fica a precificação no regime regular do IBS e da CBS?

Empresas submetidas ao regime regular deverão controlar separadamente:

  • débitos gerados nas vendas;
  • créditos gerados nas aquisições;
  • documentos fiscais dos fornecedores;
  • pagamento dos tributos nas operações anteriores;
  • créditos apropriados por período;
  • saldo de créditos acumulados;
  • impacto dos créditos no custo efetivo.

A empresa também deverá considerar que o crédito poderá depender do cumprimento das condições legais de apropriação.

Portanto, uma compra prevista para gerar crédito não deve ser considerada definitivamente no preço antes de a empresa verificar:

  • se a operação está documentada corretamente;
  • se a aquisição está ligada à atividade econômica;
  • se não existe vedação legal;
  • se as condições para apropriação foram cumpridas;
  • se o fornecedor emitiu o documento correto.

Para comparar o Simples Nacional com outros modelos, consulte o guia sobre regime tributário .

O preço do serviço muda para clientes pessoa física e pessoa jurídica?

A estrutura de custos da empresa é a mesma, mas a estratégia comercial pode mudar conforme o perfil do cliente.

Cliente pessoa física

O consumidor final normalmente não aproveita créditos de IBS e CBS.

Para esse cliente, o principal fator é o valor total que será pago.

Um aumento no preço final pode afetar diretamente a decisão de compra.

Cliente pessoa jurídica

Uma empresa submetida ao regime regular poderá avaliar o crédito gerado pela contratação.

Nesse caso, o custo econômico pode ser diferente do valor total da nota.

Considere um serviço com:

  • valor líquido de R$ 10.000;
  • R$ 2.800 de IBS e CBS no exemplo;
  • total da nota de R$ 12.800.

Caso o cliente tenha direito ao crédito integral de R$ 2.800, o custo econômico da contratação pode se aproximar do valor líquido de R$ 10.000.

Já um cliente que não aproveita créditos considera o desembolso total de R$ 12.800.

Por isso, uma única tabela comercial pode não ser suficiente para explicar a proposta de valor a públicos diferentes.

Qual o impacto da Reforma Tributária nos serviços intensivos em mão de obra?

Empresas intensivas em mão de obra merecem atenção especial na precificação.

Isso ocorre porque salários, pró-labore e encargos trabalhistas não geram os mesmos créditos de IBS e CBS que uma aquisição tributada de um fornecedor.

Podem estar nessa situação:

  • consultorias;
  • agências;
  • escritórios profissionais;
  • empresas de tecnologia;
  • clínicas;
  • empresas de treinamento;
  • serviços administrativos;
  • negócios baseados em conhecimento.

Quanto maior a participação da folha no custo total, menor tende a ser o volume proporcional de despesas creditáveis.

Isso não significa que toda empresa de serviços pagará necessariamente mais impostos.

O impacto dependerá:

  • da atividade exercida;
  • do tratamento tributário aplicável;
  • do regime escolhido;
  • do faturamento;
  • da folha de pagamento;
  • dos fornecedores contratados;
  • do perfil dos clientes;
  • dos créditos efetivamente disponíveis.

Como proteger a margem de lucro após a Reforma Tributária?

Proteger a margem não significa simplesmente repassar todos os tributos ao cliente.

A empresa precisa combinar controle de custos, eficiência, análise tributária e estratégia comercial.

Algumas medidas importantes são:

  1. calcular o custo real de cada serviço;
  2. separar horas produtivas e improdutivas;
  3. identificar corretamente as despesas creditáveis;
  4. exigir documentos fiscais adequados dos fornecedores;
  5. comparar os regimes tributários;
  6. revisar contratos de longo prazo;
  7. prever reajustes relacionados à mudança tributária;
  8. acompanhar a margem por cliente e serviço;
  9. considerar o impacto do split payment no caixa;
  10. atualizar as simulações durante a transição.

Um contrato lucrativo no modelo atual pode perder rentabilidade caso os tributos mudem e o preço permaneça congelado.

Da mesma forma, um contrato aparentemente mais caro pode continuar competitivo para um cliente empresarial que aproveite os créditos tributários.

O split payment deve entrar na precificação?

O split payment não altera necessariamente o custo nominal do serviço, mas pode afetar o fluxo de caixa da empresa.

Nesse sistema, a parcela correspondente ao tributo poderá ser separada no momento da liquidação financeira da operação.

Isso significa que parte do valor pago pelo cliente pode não entrar livremente na conta da empresa.

A precificação e o planejamento financeiro precisam considerar:

  • quanto será efetivamente recebido no caixa;
  • quando os créditos serão reconhecidos;
  • o prazo médio de recebimento dos clientes;
  • o prazo de pagamento dos fornecedores;
  • a necessidade de capital de giro;
  • eventuais diferenças e ajustes na apuração.

Uma empresa pode manter a margem no papel e enfrentar falta de caixa caso não considere o momento em que cada valor será recebido ou recolhido.

Como precificar serviços durante a transição da Reforma Tributária?

A substituição dos tributos não ocorrerá de uma única vez.

Durante a transição, a empresa poderá conviver com tributos antigos e novos em percentuais diferentes.

Em 2026, o IBS e a CBS estão na fase de testes, com os percentuais de 0,1% e 0,9%, respectivamente, e tratamento específico para quem cumpre as obrigações acessórias.

Nos anos seguintes, a CBS substituirá gradualmente PIS e Cofins, enquanto o IBS assumirá progressivamente o espaço do ICMS e do ISS.

Veja o cronograma no conteúdo IBS e CBS começam a valer em 2026 .

Durante essa fase, a empresa deve:

  • criar simulações por ano;
  • não utilizar a alíquota final em todos os períodos;
  • separar os tributos antigos e novos;
  • acompanhar alterações nos documentos fiscais;
  • revisar contratos com vigência longa;
  • atualizar o preço conforme os percentuais da transição.

A classificação do serviço pode alterar a precificação?

Sim. A classificação correta ajuda a determinar o tratamento tributário aplicável à operação.

Uma descrição incorreta pode provocar:

  • aplicação de alíquota inadequada;
  • perda de tratamento favorecido;
  • erros na emissão da nota fiscal;
  • problemas no crédito do cliente;
  • divergências entre CNAE, contrato e serviço prestado.

Para conferir a classificação, consulte a tabela NBS por atividade .

Veja também a tabela de correlação entre ISS e NBS .

Passo a passo para revisar o preço dos serviços

1. Liste todos os serviços vendidos

Separe os serviços por atividade, cliente, duração, equipe envolvida e forma de cobrança.

2. Calcule o custo de cada serviço

Não utilize apenas uma média geral da empresa. Alguns serviços consomem mais horas, tecnologia ou suporte.

3. Identifique o perfil dos clientes

Separe clientes pessoa física, empresas do Simples Nacional e empresas do regime regular.

4. Mapeie os fornecedores

Verifique quais fornecedores emitem documentos capazes de sustentar créditos de IBS e CBS.

5. Separe despesas creditáveis e não creditáveis

Crie controles próprios para não estimar créditos que não poderão ser aproveitados.

6. Simule diferentes regimes tributários

Compare o Simples Nacional com as alternativas aplicáveis à empresa.

7. Calcule diferentes cenários de créditos

Utilize um cenário conservador, um esperado e um otimista.

8. Revise a margem por serviço

Serviços diferentes não precisam possuir a mesma margem.

9. Atualize os contratos

Inclua regras de reajuste, alteração tributária, retenções e forma de destaque dos tributos.

10. Acompanhe os resultados reais

Compare a simulação com os débitos, créditos, recebimentos e margens efetivamente apurados.

Quais erros de precificação devem ser evitados?

Entre os principais erros estão:

  • acrescentar a alíquota estimada integral ao preço sem calcular créditos;
  • considerar que toda despesa gera crédito;
  • incluir salários e pró-labore como créditos de IBS e CBS;
  • ignorar o regime tributário da empresa;
  • não diferenciar clientes PF e PJ;
  • utilizar a alíquota final durante todos os anos da transição;
  • confundir o imposto destacado com o imposto líquido a pagar;
  • não considerar o split payment no fluxo de caixa;
  • manter contratos de longo prazo sem cláusula de revisão tributária;
  • utilizar uma margem sobre custos incompletos;
  • não atualizar a classificação dos serviços;
  • comparar preços apenas pelo valor total da nota.

FAQ - Perguntas Frequentes sobre Precificação de Serviços na Reforma Tributária

1) Como precificar serviços na Reforma Tributária?

Calcule os custos diretos, rateie as despesas fixas, inclua a margem de lucro, identifique o IBS e a CBS incidentes e estime os créditos tributários que poderão ser aproveitados.

2) Posso apenas acrescentar IBS e CBS ao preço atual?

Não é recomendável. O cálculo também precisa considerar créditos, regime tributário, possíveis reduções, perfil do cliente e o período da transição.

3) IBS e CBS serão calculados por fora?

A nova sistemática prevê o destaque dos tributos na operação. Entretanto, a forma de apresentar o preço comercial e as condições do contrato devem ser analisadas com cuidado.

4) Todos os custos geram créditos de IBS e CBS?

Não. O crédito depende da natureza da aquisição, de sua relação com a atividade, da documentação fiscal e do cumprimento das condições legais.

5) Salários geram créditos de IBS e CBS?

Não. Salários e encargos trabalhistas não correspondem a aquisições tributadas pelo IBS e pela CBS e não geram créditos da mesma forma que serviços ou bens adquiridos de fornecedores.

6) Pró-labore gera crédito tributário?

Não. O pró-labore é uma remuneração paga ao sócio pelo trabalho realizado e não gera crédito de IBS e CBS como uma aquisição tributada.

7) Empresas do Simples Nacional terão créditos?

O tratamento depende da forma de recolhimento adotada. O crédito transferido ao cliente e o crédito aproveitado pela própria empresa podem ser diferentes daqueles do regime regular.

8) A empresa com mais créditos pode cobrar menos?

Os créditos podem reduzir a carga tributária líquida e criar espaço para uma estratégia comercial mais competitiva. Entretanto, a decisão também depende dos custos, da margem e do mercado.

9) O cliente PJ pode aproveitar o IBS e a CBS da nota?

Quando estiver no regime que permita o crédito e cumprir as condições legais, o cliente poderá utilizar os valores na própria apuração. O tratamento depende do regime do fornecedor, do cliente e da operação.

10) O preço deve ser diferente para cliente PF e PJ?

Não existe uma obrigação geral de possuir preços diferentes. Entretanto, a percepção econômica muda porque a pessoa física normalmente não aproveita créditos, enquanto determinadas empresas podem aproveitá-los.

Conclusão: precificar serviços exigirá analisar custos, créditos e margem

A Reforma Tributária torna a precificação de serviços mais dependente de dados reais da empresa.

Não será suficiente observar apenas a alíquota nominal do IBS e da CBS.

A empresa deverá calcular os custos diretos, ratear as despesas, definir a margem, identificar os débitos sobre as vendas e estimar os créditos permitidos.

Empresas com poucos créditos e muitos custos de mão de obra podem enfrentar um cenário diferente de negócios que contratam fornecedores, tecnologia e serviços tributados.

O Simples Nacional também precisa ser analisado com cuidado, principalmente quando a empresa atende clientes que valorizam o aproveitamento de créditos.

Antes de alterar seus preços, faça simulações conservadoras, revise os contratos e acompanhe as regras aplicáveis a cada ano da transição.

Sempre que possível, consulte um contador para calcular o impacto no regime tributário, nos créditos e na margem do negócio.

Este conteúdo faz parte do Guia da Contabilidade e do cluster sobre a Reforma Tributária de 2026 a 2033 .

Precisa revisar a tributação e a precificação dos serviços da sua empresa? Fale com nosso time de especialistas .

Fontes oficiais: Lei Complementar nº 214/2025 · Receita Federal — Entenda a Reforma Tributária do Consumo · Receita Federal — Orientações da Reforma Tributária para 2026 · Comitê Gestor do IBS — Destaque de IBS e CBS nos documentos fiscais .

Erico Azevedo

Escrito por:

Erico Azevedo

Empreendedor serial e CEO da Contabilidade.com, plataforma contábil completa para CNPJs. Também é sócio-fundador do Contbank, primeira solução de BPO e Gestão Financeira Simplificada com Inteligência Artificial e Open Finance. Em 2018, fundou a Wabbi Software, primeira plataforma contábil em nuvem do Brasil, posteriormente vendida à ContaAzul, onde se tornou sócio e acionista. Além da carreira empreendedora, é pesquisador, com Doutorado em Engenharia Elétrica pela UNICAMP e Doutorado em Psicologia pela PUC/SP. Autor de diversos livros e pesquisas sobre campos informacionais e intuição, é fundador da Associação Oriont, dedicada ao estudo da consciência. Editor e coautor do livro científico “Information Fields Theory and Applications: Quantum Communication in Physics and Biology” (Springer Nature, 2025) e autor de “Intuição: do mistério à maestria”, obra que conecta ciência, percepção e autoconhecimento. Com muita experiência na interseção entre tecnologia, finanças, psicologia e inovação, Erico Azevedo é referência em liderança, empreendedorismo e inovação organizacional no Brasil e no exterior.

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