Quanto um arquiteto paga de imposto?

Quanto um arquiteto paga de imposto?

Publicado em29/06/2026

Tempo leitura16min 42s

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Quanto um arquiteto paga de imposto depende da forma de atuação: pessoa física, pessoa jurídica no Simples Nacional ou empresa no Lucro Presumido. Como autônomo, o arquiteto pode pagar IRPF pela tabela progressiva, INSS e ISS. Como PJ, a tributação pode começar em 6% no Simples Nacional quando há enquadramento no Anexo III pelo Fator R.

Na prática, muitos arquitetos pagam mais imposto do que deveriam porque continuam atuando como pessoa física, não analisam corretamente o regime tributário ou abrem CNPJ sem considerar CNAE, pró-labore, Fator R, ISS municipal e comparação com Lucro Presumido.

Se você atua com projetos arquitetônicos, interiores, urbanismo, paisagismo ou consultoria em arquitetura, conheça também a página de contabilidade para arquitetos da contabilidade.com.

Este conteúdo também faz parte do cluster de Reforma Tributária, que explica as mudanças previstas para empresas, prestadores de serviços e profissionais PJ entre 2026 e 2033.

Resumo rápido

  • Arquiteto não pode ser MEI.
  • Como pessoa física, pode pagar IRPF, INSS e ISS.
  • Como PJ no Simples Nacional, pode ser tributado pelo Anexo III ou Anexo V.
  • No Anexo III, a alíquota inicial é de 6% quando o Fator R é igual ou superior a 28%.
  • No Anexo V, a alíquota inicial é de 15,5% quando o Fator R fica abaixo de 28%.
  • Em alguns cenários, o Lucro Presumido pode ser mais vantajoso.

Neste artigo você vai entender

Quanto um arquiteto paga de imposto?

Um arquiteto pode pagar impostos como pessoa física ou como pessoa jurídica. A diferença entre os modelos pode ser grande, principalmente quando há faturamento recorrente, contratos com empresas, emissão de notas fiscais ou prestação de serviços para construtoras, escritórios, incorporadoras e clientes corporativos.

Forma de atuaçãoTributação principalQuando costuma acontecer
Pessoa FísicaIRPF até 27,5%, INSS e ISS municipalArquiteto autônomo que recebe diretamente de clientes.
MEINão aplicávelArquiteto não pode ser MEI.
Simples Nacional – Anexo IIIA partir de 6%Quando o Fator R é igual ou superior a 28%.
Simples Nacional – Anexo VA partir de 15,5%Quando o Fator R é inferior a 28%.
Lucro PresumidoEm geral, carga efetiva aproximada entre 13,33% e 16,33% para serviços, conforme ISSQuando o Simples fica caro, há baixa folha ou faturamento maior.

A melhor escolha depende do faturamento, do pró-labore, da folha de pagamento, do município, do tipo de serviço prestado e da estrutura do escritório.

Comparativo: arquiteto pessoa física x PJ

A principal diferença entre atuar como pessoa física e atuar como PJ está na forma de apuração dos impostos e na possibilidade de organizar melhor a emissão de notas, os contratos e a rotina financeira.

CritérioPessoa FísicaPessoa Jurídica
TributaçãoIRPF progressivo, INSS e ISSSimples Nacional ou Lucro Presumido
Documento emitidoRecibo ou nota municipal, conforme regras locaisNota fiscal pelo CNPJ
Dedução de despesasLivro-caixa, quando bem organizadoControle contábil e planejamento tributário
Risco de pagar imposto altoMaior quando o faturamento cresceMenor quando o regime é bem escolhido
IndicaçãoAtuação inicial, projetos pontuais ou baixa receitaReceita recorrente, contratos, emissão de notas e prestação para empresas

Arquiteto pessoa física: Carnê-Leão, IRPF, INSS e ISS

O arquiteto autônomo que recebe de clientes como pessoa física precisa declarar seus rendimentos e recolher impostos conforme as regras aplicáveis.

Os principais tributos são:

  • IRPF: segue a tabela progressiva do Imposto de Renda e pode chegar a 27,5%;
  • Carnê-Leão: recolhimento mensal obrigatório para rendimentos recebidos de pessoa física;
  • INSS: contribuição como contribuinte individual, normalmente de 20% sobre a remuneração, respeitado o teto previdenciário;
  • ISS: imposto municipal sobre serviços, conforme regras da cidade.

O arquiteto pessoa física também pode usar livro-caixa para registrar receitas e despesas dedutíveis ligadas à atividade profissional, como aluguel, energia, internet, softwares, materiais, contratação de terceiros e outras despesas necessárias.

O ponto de atenção é que, conforme o faturamento cresce, a tributação como pessoa física pode ficar mais pesada do que a tributação como PJ. Por isso, vale simular os dois cenários antes de decidir.

Arquiteto pode ser MEI?

Não. Arquiteto não pode ser MEI porque a arquitetura é uma profissão regulamentada, exige formação técnica ou superior específica e registro profissional no CAU.

Por isso, quando o arquiteto decide atuar como PJ, o caminho costuma ser abrir uma Microempresa em formatos como SLU ou LTDA, com enquadramento no Simples Nacional ou no Lucro Presumido.

Para entender melhor quais atividades podem ou não ser enquadradas como Microempreendedor Individual, veja a Tabela completa dos CNAES do MEI.

Arquiteto pode abrir CNPJ?

Sim. Arquiteto pode abrir CNPJ para prestar serviços de arquitetura, emitir notas fiscais, firmar contratos, separar as finanças pessoais das profissionais e escolher um regime tributário mais adequado.

Os formatos jurídicos mais comuns para arquitetos são:

  • SLU: Sociedade Limitada Unipessoal, indicada para quem atua sozinho e deseja limitar a responsabilidade patrimonial;
  • LTDA: Sociedade Limitada, indicada quando há dois ou mais sócios;
  • EI: Empresário Individual, opção possível em alguns casos, mas que exige atenção por não separar o patrimônio pessoal da empresa da mesma forma que a SLU.

Para entender o passo a passo, veja o guia de abertura de empresa e conheça a página de CNPJ para arquiteto.

Qual CNAE usar para arquiteto?

O CNAE mais comum para arquitetos é 7111-1/00 – Serviços de arquitetura.

Esse CNAE pode abranger atividades como projetos arquitetônicos, urbanísticos, paisagísticos, consultoria em arquitetura, escritórios de arquitetura e gerenciamento de projetos de arquitetura.

A definição do CNAE deve considerar a atividade realmente exercida. Se o profissional também prestar serviços de engenharia, execução de obras, administração de obras, design de interiores ou outras atividades relacionadas, pode ser necessário incluir CNAEs secundários.

Para aprofundar, veja o conteúdo sobre CNAE.

Arquiteto no Simples Nacional: Anexo III, Anexo V e Fator R

O arquiteto pode optar pelo Simples Nacional, mas a tributação pode variar entre Anexo III e Anexo V.

No Anexo III, a alíquota inicial é de 6%. No Anexo V, a alíquota inicial é de 15,5%. A definição depende do Fator R.

O Fator R compara a folha de pagamento dos últimos 12 meses com o faturamento bruto do mesmo período. Se a folha representar pelo menos 28% do faturamento, o arquiteto pode ser tributado pelo Anexo III. Se ficar abaixo disso, tende a cair no Anexo V.

Fator R = folha de pagamento dos últimos 12 meses ÷ faturamento bruto dos últimos 12 meses
EnquadramentoAlíquota inicialQuando se aplica
Anexo III6%Fator R igual ou superior a 28%.
Anexo V15,5%Fator R inferior a 28%.

Para aprofundar, veja a Tabela do Simples Nacional, o guia do Anexo III, o conteúdo sobre Anexo V e o guia de Fator R.

Simulação de impostos para arquiteto no Simples Nacional

A tabela abaixo mostra uma simulação didática considerando empresas na primeira faixa do Simples Nacional e comparando o Anexo III com o Anexo V.

Faturamento mensalPró-labore mínimo para Fator R de 28%DAS no Anexo VDAS no Anexo IIIEconomia estimada no DAS
R$ 5.000R$ 1.400R$ 775R$ 300R$ 475
R$ 10.000R$ 2.800R$ 1.550R$ 600R$ 950
R$ 20.000R$ 5.600R$ 3.100R$ 1.200R$ 1.900
R$ 30.000R$ 8.400R$ 4.650R$ 1.800R$ 2.850

Esses valores consideram apenas o DAS. Para atingir o Fator R por meio de pró-labore, também é necessário considerar INSS e eventual Imposto de Renda na pessoa física.

Por isso, a economia real deve ser simulada considerando todos os custos. Use a calculadora de impostos da contabilidade.com para comparar cenários.

Arquiteto no Lucro Presumido

O Lucro Presumido pode ser uma alternativa para arquitetos e escritórios de arquitetura quando o Simples Nacional não é vantajoso, especialmente em casos de Anexo V, faturamento mais alto ou baixa folha de pagamento.

Nesse regime, a empresa paga tributos como IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e ISS. Para serviços, a carga efetiva costuma variar conforme o ISS municipal e a estrutura da empresa.

Em muitos casos, uma referência de carga para serviços no Lucro Presumido fica entre 13,33% e 16,33%, considerando tributos federais e ISS, mas o cálculo deve ser feito caso a caso.

Para entender melhor, leia o guia de Lucro Presumido.

Simples Nacional ou Lucro Presumido para arquiteto?

A escolha entre Simples Nacional e Lucro Presumido depende principalmente do Fator R, faturamento, folha de pagamento, margem de lucro e ISS do município.

CenárioSimples NacionalLucro Presumido
Arquiteto com Fator R favorávelTende a ser vantajoso pelo Anexo III.Normalmente precisa ser comparado, mas pode perder para o Anexo III.
Arquiteto sem Fator RPode cair no Anexo V, com alíquota inicial de 15,5%.Pode ser competitivo em alguns cenários.
Escritório com equipePode se beneficiar do Fator R pela folha.Depende da margem, folha e estrutura.
Profissional individual com baixa folhaPode ficar caro se cair no Anexo V.Deve ser simulado.

Para comparar com mais precisão, veja o conteúdo sobre impostos de PJ: Simples x Lucro Presumido.

O que muda para arquitetos com a Reforma Tributária?

A Reforma Tributária muda gradualmente a tributação sobre consumo no Brasil, com a criação de novos tributos como CBS e IBS durante o período de transição.

Para arquitetos e outros prestadores de serviços, o ponto principal é acompanhar o impacto da nova tributação sobre serviços, a possibilidade de aproveitamento de créditos, as mudanças na emissão de notas fiscais e a escolha entre permanecer no Simples Nacional ou migrar para outro regime.

Durante a transição, regimes como Simples Nacional e Lucro Presumido continuam exigindo análise individual. Por isso, arquitetos devem revisar o enquadramento tributário com frequência, principalmente quando houver aumento de faturamento, mudança de estrutura, contratação de equipe ou alteração no perfil dos clientes.

Para entender o contexto geral, veja o artigo sobre Reforma Tributária. Também vale acompanhar os conteúdos sobre IBS e CBS, Reforma Tributária para prestadores de serviços e como calcular IBS, CBS e créditos.

Vale a pena abrir CNPJ para arquiteto?

Em muitos casos, vale a pena abrir CNPJ para arquiteto quando há faturamento recorrente, emissão frequente de notas fiscais, contratos com empresas, prestação de serviços para construtoras ou carga tributária alta como pessoa física.

Com CNPJ, o arquiteto pode escolher entre Simples Nacional e Lucro Presumido, emitir nota fiscal, separar finanças pessoais e profissionais e organizar melhor a rotina tributária.

O CNAE mais comum para atividade de arquitetura é 7111-1/00, mas a definição deve ser validada conforme a atividade exercida.

Para apoio especializado, conheça a página de contabilidade online para arquitetos.

FAQ – Perguntas Frequentes sobre Impostos para Arquitetos

1. Quanto um arquiteto paga de imposto?
Depende da forma de atuação. Como pessoa física, pode pagar IRPF, INSS e ISS. Como PJ, pode pagar a partir de 6% no Simples Nacional pelo Anexo III, 15,5% no Anexo V ou tributar pelo Lucro Presumido.

2. Arquiteto pode ser MEI?
Não. Arquiteto não pode ser MEI porque a arquitetura é uma profissão regulamentada e exige registro profissional.

3. Arquiteto paga 6% no Simples Nacional?
Pode pagar a partir de 6% quando se enquadra no Anexo III pelo Fator R.

4. Arquiteto é Anexo III ou Anexo V?
Pode ser Anexo III ou Anexo V. A definição depende do Fator R, que compara folha de pagamento e faturamento.

5. Qual CNAE usar para arquiteto?
O CNAE mais comum é 7111-1/00 – Serviços de arquitetura. Dependendo das atividades exercidas, pode ser necessário incluir CNAEs secundários.

6. Arquiteto autônomo paga Carnê-Leão?
Sim, quando recebe rendimentos de pessoa física, o arquiteto autônomo deve apurar e recolher Carnê-Leão conforme as regras aplicáveis.

7. Lucro Presumido vale a pena para arquiteto?
Pode valer a pena quando o Simples Nacional cai no Anexo V, quando há baixa folha ou quando o faturamento e a margem tornam o Presumido mais competitivo.

8. O que muda para arquitetos com a Reforma Tributária?
A Reforma Tributária altera gradualmente a tributação sobre consumo, com CBS e IBS. Arquitetos devem acompanhar o impacto nas notas fiscais, regimes, créditos tributários e escolha entre Simples Nacional e outros regimes durante a transição.

Conclusão

Saber quanto um arquiteto paga de imposto exige comparar pessoa física, Simples Nacional, Lucro Presumido e os impactos da Reforma Tributária.

Para muitos arquitetos, abrir CNPJ e escolher corretamente o regime tributário pode reduzir a carga fiscal, melhorar a emissão de notas e organizar a rotina profissional. Mas a decisão depende de faturamento, pró-labore, folha, ISS, CNAE e estrutura do escritório.

Precisa calcular quanto pagaria como arquiteto PJ? Use a calculadora de impostos, consulte os planos e preços ou fale com o time da contabilidade.com para arquitetos.

Erico Azevedo

Escrito por:

Erico Azevedo

Empreendedor serial e CEO da Contabilidade.com, plataforma contábil completa para CNPJs. Também é sócio-fundador do Contbank, primeira solução de BPO e Gestão Financeira Simplificada com Inteligência Artificial e Open Finance. Em 2018, fundou a Wabbi Software, primeira plataforma contábil em nuvem do Brasil, posteriormente vendida à ContaAzul, onde se tornou sócio e acionista. Além da carreira empreendedora, é pesquisador, com Doutorado em Engenharia Elétrica pela UNICAMP e Doutorado em Psicologia pela PUC/SP. Autor de diversos livros e pesquisas sobre campos informacionais e intuição, é fundador da Associação Oriont, dedicada ao estudo da consciência. Editor e coautor do livro científico “Information Fields Theory and Applications: Quantum Communication in Physics and Biology” (Springer Nature, 2025) e autor de “Intuição: do mistério à maestria”, obra que conecta ciência, percepção e autoconhecimento. Com muita experiência na interseção entre tecnologia, finanças, psicologia e inovação, Erico Azevedo é referência em liderança, empreendedorismo e inovação organizacional no Brasil e no exterior.

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